setembro 28, 2010

hard

É difícil imaginar um contexto pior do que este. É lá fora, é cá dentro e é no espaço entre um e outro. Onde tudo se passa. Onde tudo morre. Onde tudo renasce. Onde tudo se inspira. Onde tudo acaba. Para sempre. Também sei que não vou conseguir entrar dentro de ti outra vez. Não vou conseguir buscar-te e encontrar-me. Não tenho de o conseguir. Não devo consegui-lo. Custa-me imaginar como isto chegou a "isto". Como aquilo se transformou "nisto". E o porquê também me custa. Fundamentalmente o porquê. Desagrada-me saber que mentes, que te iludes, que te escondes. Mas desagrada-me mais ainda saber que me mentes, que me iludes e que te escondes de mim.

MFG

setembro 20, 2010

Praxis (ou então não)


Tu acreditas nisso, mas eu não. E se não acredito, por que raio tenho de dizer que acredito enquanto olho o chão demoradamente e te obedeço cegamente?
Sou ( somos) um ser humano. Ora bolas.

Não sou revoltada, apenas tremo perante injustiças e maus-tratos. E não, não vou pedir desculpas por ser assim.

MFG



setembro 18, 2010

Sonha


Sonha. Apaga de ti o medo. Sonha. Apaga de ti a ideia de inevitabilidade. Sonha. Apaga de ti a tristeza. Sonha. Apaga de ti a falta de coragem. Sonha. Apaga de ti a vergonha. Sonha. Sonha por ti. Sonha por mim. Sonha por todos nós.

Amo-te Vera. E confio em ti.

MFG

setembro 09, 2010

De nada vale

És a sombra viva de quem já foi e não voltará. Pereces tal qual uma alma penada. Tal qual um pouco do que resta quando já não há mais nada. Clamo por ti. Choro por ti. De pouco ou nada vale. Foste ensurdecida pelo tom rosáceo. Foste emudecida por uma das ligações superiores. Foste cegada pela areia grossa que, com o teu consentimento, entra em ti, dia após dia. Que, com o teu consentimento, quebra o ar, quebra a terra, quebra a água, quebra a vida, quebra tudo uma vez que já não há mais nada que se possa quebrar. Desfizeste-te em pedaços de nada, pedaços baços onde não espelha a grandeza nem a glória, onde não espelha a humildade nem o respeito, onde não espelha nada do que um dia espelhou. Não há culpas quando se vive a vida. Há culpas quando se mata quem sempre viveu a vida. Quem sempre pegou na vida e fez dela luz para tu te poderes sentir iluminada. E fez dela caminho para poderes passar. Fez dela um muro para nunca olhares para trás. É por tudo isto que não há culpas, pois não as poderia haver. Sem ti, quem és tu? És um pouco do conjunto, um pouco de ambos, mas o vazio é que se encerra em ti. A perda, a perda já nada te diz. Como te poderia dizer, se até tu própria estás perdida? Se até tu própria já não te conheces?
Aqui já nada custa. O próximo caminho chama-se felicidade, chama-se conquista. Sem ti. Desta vez, é sem ti. Só tenho compaixão por ti, por saber que quando ambos descerem, cairás, te revoltarás, e já ninguém te irá levantar, porque há um limite para tudo, há um limite para a dor, um limite para a mágoa, mas, (in)felizmente, também há um limite para o amor. E esse limite foi atingido quando senti em mim que eras ainda mais estranha do que todas as pessoas do mundo que ainda não conheço. Quando senti que vivias uma falsidade e dela não querias sair. Quando senti que já nada havia a fazer. Deixo o livro contigo. Deixo todo o meu livro contigo. Não existe nada de mim que não conheças. E eu julgava o mesmo. Julguei mal, também tenho esse direito. Errei o juízo, mas não me enganei no caminho, pois o caminho agora, é meu!



MFG

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