dezembro 05, 2013

muita luz para todos...

Há dias que não parecem dias normais. Dias em que simplesmente tudo parece mais feio e negro. Dias em que embatemos na realidade e apercebemo-nos de que, por detrás de um sorriso, está uma emoção falsa, uma pessoa cínica. Mas, no momento seguinte, percebemos que essa mesma pessoa tem os seus problemas, com os quais não sabe lidar e, que por isso, acaba por ser falsa connosco. Não é nada connosco, não é exclusivamente connosco, mas com ela própria. Acontece que naquele momento nós servimos de saco de pancada emocional, apenas por estarmos fisicamente ali. Em cada situação do nosso dia-a-dia acabamos por revelar quem somos a nós mesmos e a partir daí podemos, de facto, mudar os pontos negativos que temos dentro de nós. Honestidade, palavra tão vã nesta sociedade de aparências. Sinceridade, palavra tão mal-amada nesta sociedade de cinismo. É só isso que quero. Amar é também ser-se sincero e honesto para com a pessoa amada. Elogiá-la, mas também saber apontar-lhe os defeitos. Não sou nem nunca serei como muitos que vou observando, cuja crítica levam como uma afronta ao seu eu mais profundo e não conhecem a palavra auto-crítica. Tenho pena que o mundo esteja povoado por pessoas cujos princípios se baseiam no dinheiro e cuja vida gira em torno disso. Tenho muita pena que o ser humano não seja capaz de olhar o Outro com amor. Tenho pena, mas continuo a minha caminhada. Pois o meu mundo não é o mundo dos falsos nem dos cínicos. O que eu quero e sempre quis e sempre quererei para mim é o amor, o amor infinito, mas não cego, o amor e a compaixão. A verdadeira compreensão. A real empatia. 
Hoje o dia irá correr melhor, mas o cansaço psicológico permanecerá. Há dias assim. Mas tudo irá melhorar, porque viver valerá sempre a pena pois as coisas mais lindas da vida ainda não foram compradas pelo homem. Obrigada Sol por continuares a brilhar e obrigada vento por bateres na minha face e me fazeres sentir viva! Hei-de viver no campo e hei-de construir o meu sonho, pois os seus alicerces serão sempre a verdade, a honestidade, a compreensão, a empatia e a paz. Enfim, meu Deus que não sei se existes, a tão desejada e ansiada PAZ!

novembro 19, 2013

mensagem para ti

Como te entendo, pai, quando dizias que o mundo era injusto. Quando dizias, entre um cliente e outro, que o sistema era maior do que nós, tão maior que teríamos a certa altura que nos subjugar a ele. E eu dizia que não, dizia-o com raiva, não de ti, mas dessa ideia de que algum dia teria de admiti-lo. Isto é muito maior do que nós. E o que sempre me irritou mais do que assumi-lo foi o facto disto já ser verdade ainda antes de eu ter nascido. No momento em que tu e a mãe me conceberam - ainda por cima sem amor, o que me deixa ainda mais triste - já o mundo era esta merda que é hoje. Deixa-me redesenhar o meu raciocínio: o mundo não é merda nenhuma, nem nunca foi. A merda é o egoísmo que está no coração das pessoas, egoísmo que deriva da ideia do poder, da porcaria que é o dinheiro e dessa necessidade hedionda de cultivarem o exterior, a casca que apenas nos cobre nesta vida. É só isso que me deixa irritada. Os rastafaris denominam-na de Babilónia, os anarquistas de Sistema, o meu pai de Capitalismo. Qualquer que seja o nome que lhe damos, a verdade é que somos livres até certo ponto: até onde a Babilónia, o Sistema ou o Capitalismo nos deixam. Somos livres de pensar, livres de criar, mas não livres ao ponto de vivermos a nossa vida sem os comentários e os olhares desprezíveis dos outros. Sem que os outros exalem o seu ódio e indiferença pelo nosso estilo de vida. Agora entendo-te muito bem pai, mas discordo num único ponto: não é o mundo que é injusto, é o coração de alguns homens que está povoado de ódio, rancor, inveja  e egoismo; e é, infelizmente, a carcaça dura desses homens a que muitos chamam pessoas que nos governa. E que nos guia, a cada dia que passa, para a desumanidade total. Nós não temos, nem devemos, nem vamos sujeitar-nos aos opressores dos dias modernos que usam gravatas e branqueiam os dentes para poderem sorrir de forma falsa - como se isso lhes branqueasse a alma (?) -, pois vamos encontrar soluções - viáveis e exequíveis - que nos permitam viver como queremos, como devemos e como achamos melhor. Quero ser feliz, porra, como tu Zé Mário já disseste tantas vezes ao meu ouvido. E vou ser. Aliás já sou, simplesmente por a ignorância nunca ter feito parte de mim e por, devido ao meu gosto pelo saber, ter sempre sabido a merda da qual não queria fazer parte.


novembro 02, 2013

A vida é uma eterna filosofia

Vamos crescendo. Tal como as árvores vamos crescendo tanto com os dias de sol como com os dias de chuva. Também a neve, gelada, nos faz crescer. E ainda o próprio nevoeiro que não nos permite ver um palmo à frente, nos aproxima do céu. É isto a vida. Não existem dois dias iguais, mesmo que a rotina comande os nossos dias. Mesmo que as horas nos aprisionem e nos ditem o que fazer. Mesmo assim, tudo acontece de forma diferente e todos os dias são uma aprendizagem brutal. Brutal porque é imensa e brutal porque dói. E custa. E a cada dia que passa essa brutalidade torna-nos mais fortes. E simultaneamente mais fracos. Mais sensíveis. Mais atentos ao que nos rodeia. E mais desconfiados do nosso semelhante que em nada se assemelha a nós. Nem à forma do coração que bate forte no nosso peito. Nem à alma que perdurá após a morte física. Somos todos tão iguais, biologicamente tão iguais, quimicamente tão iguais, mas a nossa alma é tão diferente. Tão desigual. Nada justificará a guerra. Nunca nada a justificará. A maior guerra está constantemente a ser travada dentro de nós e é por isso que conseguimos criar peças de teatro bem sucedidas dentro da nossa alma. Todos os dias, independentemente da rotina que teima em determinar alguns dos nossos actos, é dentro de nós, bem no fundo da nossa alma que ela existe. A verdade é que não há nada fora de nós. A vida existe de dentro para fora. Por isso projectamos sempre no ambiente que nos rodeia aquilo que está no mais fundo de nós, aquilo que foi recalcado de outras épocas, mesmo de épocas pré-nascimento.
Hoje...
Amanhã....
Ontem...
Nada disso existe. Só o agora existe. Só o agora pode existir, pois é agora que escrevo isto. É agora que o sinto. É agora que o tento eternizar. Não me digas que o sol, a neve, o granizo, a chuva não te fizeram crescer como a mim. Não me digas que a pancada que levaste daquela que te pariu não te fez crescer. Não me digas que as tonturas causadas pela mentira não te fizeram crescer. Não me digas que o "vou-me matar" do teu pai não te fez crescer. Não me digas que todas as palavras duras, cheias de ódio e as ameaças do teu semelhante - até no dia de aniversário - não te fizeram crescer. Mas também o amor, a amizade, os abraços, os momentos tontos de rir até a barriga doer te fizeram ser o que és hoje. Dualidade. A vida funciona por oposição, por contraposição. A vida é uma eterna filosofia: é, no fundo, uma eterna batalha pelo equilíbrio - nunca atingido - entre o bem e o mal.


agosto 24, 2013

O silêncio

Às vezes gosto de ficar assim no silêncio. Sozinha a pensar sobre tudo e sobre nada. A dispersar o meu intelecto por entre todos os temas que me vão ocupando os dias. Gosto de ficar assim no silêncio a pensar nos meus sonhos, na utopia que pretendo atingir primeiro dentro de mim e só depois fora de mim. Gosto de ficar assim a remexer os meus dramas e as minhas tristezas do passado. Mas também os do presente. No fundo, gosto de parar para pensar. Gosto de pensar em mim. Gosto de pensar dentro de mim. Gosto de reflectir em relação à forma como trato os outros e como os outros me tratam. Gosto de imaginar conversas, conversas hipotéticas que nunca aconteceram e talvez nunca irão acontecer. Gosto de pensar qual seria a minha reação em cada uma delas. Gosto de pensar se iria reagir adequadamente ou não. 
À minha volta podem estar móveis acabados de encerar e tapetes acabados de limpar ou podem estar árvores recheadas de frutos que baloiçam ao som do vento. É-me indiferente. Dentro ou fora, eu estou aqui. Eu estou aqui neste momento. Eu estou a enviar as minhas energias para o espaço em que estou. Se não estou com ninguém neste momento exacto, isso não significa que esteja sozinha. Não significa necessariamente que não esteja a contribuir para melhorar o mundo. Porque eu preciso deste silêncio, desta paz, desta calma para ganhar forças. Para carregar baterias. Como conseguiria eu sobreviver às agruras da vida, às teimosias dos velhos e à insensibilidade dos novos se não pudesse, de quando em vez, ficar assim, só assim, quieta, calada, no silêncio? Que pessoa seria eu se não me desse a este luxo de pensar em mim, comigo e por mim uma vez por outra?
Às vezes gosto de ficar assim no silêncio. Tal como gosto de estar na confusão, no espírito festivo e ligeiramente alcoolizado, no abraço profundo e forte, nas palavras em jeito de brincadeira. Assim como aprecio uma boa conversa, sobre um tema qualquer, desde que a pessoa seja interessante e me cative. Desde que a pessoa esteja realmente ali, naquele momento. É isso. Cheguei agora à conclusão. À inequívoca conclusão: o que eu gosto é de ser cativada. Mesmo que seja por mim própria. A vida, isto, esta coisa que acontece agora e já aconteceu há um segundo atrás, é isso mesmo.... Cativas-me silêncio. Amenizas a minha dor. A dor do mundo. E dás-me simultaneamente e talvez contraditoriamente, força para te abandonar e ir tentar de novo ser cativada pela confusão.
Obrigada, silêncio.

agosto 17, 2013

A indignidade do capitalismo

Para os capitalistas eu sou um objecto. Sou algo e não alguém. O meu nome sabem-no a custo. Eu sou um número para eles. Sou apenas mais uma trabalhadora, mais uma desesperada no mercado de trabalho. Já pensaram por que razão se chama mercado de trabalho? Porque esta sociedade funciona na lógica procura-oferta. Ora, eu procuro trabalho. As empresas "oferecem" lugares. Mas de facto nada oferecem, porque quem produz sou eu. E elas pagam-me - se me pagarem - miseravelmente. Faço horas extra, feriados e fins-de-semana. Acham que o dinheiro que me depositam na conta bancária compensa o tempo que nunca voltará? Acham que o contrato precário que me fazem assinar (apesar de muitos alegarem que só o fiz porque assim o desejava) compensa o fim de todas as minhas relações sociais? Acham que o meu cansaço - físico e mental - tem valor monetário? Acham que podem pagar cada segundo que eu perco a produzir para um patrão que nem sabe o que penso, o que quero ou quem sou? Acham mesmo que para os capitalistas, como Bava ou Soares dos Santos, somos mais do que um número, um trabalhador, um "fazedor"? Acham que eles querem saber se estamos em sofrimento, se estamos cansados, se o nosso pai morreu?

Eles não querem saber. Eles só sentem, cheiram, tocam e pensam em números. Mas (in)felizmente a dignidade humana não tem, nunca teve nem nunca terá preço.

agosto 06, 2013

Alma obesa

«- Olho-me ao espelho. Umas vezes olho apenas porque o espelho está mesmo ali quando saio do banho e outras olho na esperança de ter emagrecido. Mas eu não como nada de especial, eu só como sopa às refeições principais, como posso pesar 120 quilos? Só pode ser do hipotiroidismo, uma das muitas doenças que me foi diagnosticada há uns anos atrás. Não vejo outra razão, outra explicação para este peso que não me deixa andar nem que seja cinco minutos para visitar os meus pais que moram aqui tão perto de mim. Tenho também problemas do foro digestivo e é, sem dúvida, por isso que me custa tanto subir apenas um lance de escadas. A verdade é que geralmente dou um toque ao meu filho para que ele me vá buscar as compras lá abaixo porque eu sei bem como sofro. Dói-me tudo: as pernas, os pés, os braços, as mãos, a cabeça. O meu estado normal é o estado de total doença. Tomo ainda um anti-depressivo para "curar" uma depressão que tive há uns anos quando trabalhava ainda no Banco. Por vezes pergunto o que me aconteceria se deixasse de tomar todos estes comprimidos? Será que o meu corpo está completamente viciado nestas drogas legais receitadas por vários homens e mulheres que estudaram anos e anos de medicina? Ou será que a minha mente poderia ser mais forte do que é?
Até era, sabe. Fiz ginástica durante anos quando era mais nova. Ainda guardo com amor a saia de linho cor-de-rosa que usava nas aulas. A última vez que a tirei do armário foi para mostrar à namorada do meu filho. Ela sorriu e eu pensei como me sentia humilhada por já não poder usar aquela saia nem fazer rigorosamente nada por isso. Por vezes penso que sou fraca, que poderia ser mais forte. A verdade, doutora, é que não sou feliz. Quer dizer, amo muito o meu filho. No fundo, ele é a razão do meu viver. Um rapaz com valores, um rapaz como há poucos por aí. Eu sei que ele sofre com a minha situação e também com a relação que eu e o pai dele temos...» - a lágrima que ia caindo da face de Dora lavava o seu rosto rechonchudo e marcado
pelos problemas de estômago apresentando umas manchas mais escuras aqui e ali. 
«Como é a sua relação com o seu marido? O Senhor Dinis, certo? - Os olhos verdes da psicóloga abriam-se em jeito de curiosidade, aquela curiosidade própria de quem quer entender a alma do Outro e dar-lhe os recursos para sair de uma situação que não o faz feliz.
«Bem... Ele acha que é feliz, já eu.. Eu tenho mais consciência de como as coisas poderiam ser do que ele, acho eu. A primeira vez que ele me bateu, deixe-me ver... Ah sim, estávamos no carro, ainda namorávamos, veja lá. E eu olhei para o carro do lado onde estava um rapaz a conduzir e outro rapaz de pendura. Só me lembro do que senti no momento. Eu olhei para o lado, como estou a dizer, e como que instantaneamente, ele dá-me uma chapada. Forte, muito forte. Fiquei chocada, estupefacta, sem saber bem o que fazer. Lembro-me do meu pai bater na minha mãe e traí-la. E ela parecia sempre tão feliz. Pensei: espero que ele me peça desculpa e explique que raio foi isto.»
«E ele pediu desculpa?»
«Não. Ele é lá homem de pedir desculpa. Fui-me apercebendo disso ao longo dos anos. Ele acha que está sempre certo, tem sempre razão. Veja lá que até a namorada do meu filho teve de levar com o mau humor dele uma vez lá no Algarve.» disse Dora com um ar triste.
«Então e o que é que a faz ainda estar com ele?»
«Que pergunta, doutora! Já olhou bem para mim? Acha que algum homem me quer? E o dinheiro? Como é que faço? Eu não tenho forma de sair desta situação, doutora. É continuar a aguentar...»
«Para sempre? E já pensou como isso afecta o seu filho?»
«Doutora, deve afectar, mas ele já se habituou, tal como eu. Ele saiu tão bom rapaz que não parece afectá-lo de todo. Além disso, nós podemos discutir, mas gostamos muito um do outro e até nos damos bem.» Dora fazia um sorriso meio forçado e tentava com palavras doces convencer a psicóloga de que era feliz, mas ela própria sabia bem que não o era.
«Dora, acha que quem ama trata mal ou bate? Vou-lhe dizer o que penso e faz aquilo que achar melhor com essa informação: enquanto há vida, há esperança. Se ainda não achamos o que nos faz feliz, temos de procurar mais. Pelo que já falámos em sessões anteriores, o seu filho gosta muito de si e, por isso, estou certa de que ele a ajudará caso resolva sair de casa. Acredite em mim que irá ficar muito orgulhosa de si se tentar ser feliz. Já pensou que a obesidade causa todos os outros problemas de saúde, mas que esta foi causada pela falta de amor e de respeito? Já pensou que nunca foi verdadeiramente amada nem feliz e que por isso recorre aos doces - quando não está ninguém por perto - para acalmar e preencher esse vazio interior? Posso-lhe dizer que tem muito a fazer por si, mas como sempre na vida só pode contar consigo própria. Acredite que merece ouvir um "amo-te" e merece ter carinho. Mas não espere que isso lhe caia do céu. Tem de mudar, Dora. E tem de mudar rapidamente.» - a psicóloga ficava muito comovida com estes casos porque uma das suas amigas tinha estado numa situação parecida e tinha conseguido mudar e finalmente conhecera a felicidade. Tivera a oportunidade de experienciar essa sensação óptima. 
«É muito tarde, doutora. Além disso acho que já passou o nosso tempo de consulta. Marcamos a próxima para que dia?» Dora tentava escapar-se ao máximo do confronto e deste género de palavras.
«Nunca é tarde... Daqui a duas semanas, então? Até lá.» 
Dora abandonou a sala a custo, como sempre. Notava-se o cansaço não só físico, mas também psicológico. «Mal sabe ela que o meu irmão me violou quando era nova, que a minha mãe sempre me tratou mal, que tive namorados abusadores e que ainda sofro com isso. Mal sabe ela que tenho de me esforçar imenso para ser feliz. Mas independentemente disso, mal sabe ela que prefiro muito mais ter de me esforçar para ser feliz, do que me entregar, como ela, à fatalidade da infelicidade. », pensou a psicóloga enquanto tirava da mala a sua maçã e uma tosta integral para ir comer enquanto lia um livro.

agosto 05, 2013

Uma mensagem tua

Espero ansiosamente uma mensagem tua. Espero que o telemóvel vibre e que quando o abra diga o teu nome. Espero que me perdoes. Espero que me digas que me entendes, que compreendes o meu esforço diário e que o meu amor te chega, que o meu amor é-te suficiente. Não sei se irás enviar mensagem e muito menos sei se irás enviar uma mensagem cujo conteúdo seja esse. Mas espero. Tenho esperança que isso aconteça. Contudo, ao mesmo tempo tenho medo. Tenho um grande medo de te perder e, por vezes, sinto-nos a vacilar. Sei que nos amamos e isso supera todos os obstáculos. Só que estes são tão grandes (ou então são apenas maiores na minha mente do que na realidade). Não sei. Só sei que nos quero em paz, tranquilos e sem o cansaço que esta sociedade nos impõe diariamente. Só sei que te quero abraçar e sentir o vento a passar-me pela face, esse mesmo vento que faz com que uma semente num canto do nosso terreno vá parar ao outro lado. Sempre que isto acontece ficamos ambos perplexos. Somos confrontados com a beleza e espontaneidade da natureza. Somos confrontados com a nossa própria natureza. Não somos iguais - nem os irmãos gémeos, vindos do mesmo óvulo o são -, mas somos feitos da mesma matéria: a dos sonhos. Sonhamos e voltamos a sonhar. Acreditamos e voltamos a acreditar. Quando um sonha demais, o Outro puxa-o e trá-lo de volta à terra. Mas quando a terra parece má demais, um agarra-se ao Outro e somos ambos puxados pelo movimento contrário ao da gravidade para a nossa terra, a terra dos diferentes. Diferentes, porque nos queremos manter coerentes e porque exigimos ser felizes! Por que razão teremos de nos submeter a um estilo de vida que poucos desejam e que nós abominamos veementemente? Isso poderá fazer os outros felizes (?), mas e nós? No fundo não temos de ser um pouco egoístas? Não temos de nos preocupar com o nosso bem-estar, com aquilo que queremos, com o estilo de vida que nos irá fazer sorrir todos os dias, dia após dia?
Enquanto penso nisto - lá estou eu a sonhar novamente -, sinto com toda a minha alma que preciso de ti. Preciso de ti não no sentido obsessivo que vejo em muitos amores, mas preciso de ti porque quero partilhar contigo cada coisa que vejo ou oiço ou sei ou leio ou sinto. Podemos ter momentos menos bons - nunca são maus, porque nada é mau ao teu lado -, podemos até achar que há momentos difíceis e que nos fazem chorar, mas acredita amor: eu nunca amei ninguém como te amo, nunca quis estar com ninguém como quero estar contigo, nem nunca me senti tão bem com ninguém como contigo. Se, por vezes, não sei como agir é porque sou humana: não sou (nem posso nem quero ser) perfeita. Eu amo-te, mesmo assim, imperfeita.

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