fevereiro 03, 2014

Amo-te Hugo

Peço muito pouco... Só peço que:
Durmas a meu lado todas as noites; que possa sentir o calor do teu corpo e o teu beijo antes de adormecer; que me possas acalmar quando vierem os pesadelos; que possamos preparar as refeições juntos; que possamos estar abraçados a ver televisão; que possamos definir a nossa rotina e os nossos horários; que possamos dançar juntos sem olhares inquisitivos; que possamos passear pela cidade; que possamos ir a um restaurante vegetariano diferente quando nos apetecer sem que ninguém nos fale das contas; que possamos rir juntos sem medo; que possamos mimar-nos um ao outro; que possamos ir ao cinema; que possamos ir ao teatro; que possamos passear por um jardim e comer o mesmo gelado; que possamos conversas horas e horas a fio; que possamos jogar jogos de tabuleiro; que possamos comemorar os nossos meses de namoro com noites diferentes; que possamos sentir sempre o arrepio que sentimos quando olhamos nos olhos um do outro; que possamos, enfim, viver o nosso amor sem que ninguém se intrometa. Que possamos viver a nossa vida em paz, como bem nos apetecer, da forma que fizer mais sentido para nós.

Amo-te. Simplesmente.

dantes as pessoas não morriam

Quando eu era pequena as pessoas não morriam. Aliás até à morte da minha avó, eu nem pensava nisso, nem sabia o que era isso de morrer. Se as pessoas estão aqui agora por que razão hão-de desaparecer? Ou se desaparecerem, hão-de voltar mais tarde - pensava eu.Quando a minha avó faleceu, eu chorei - não sabia ainda por que razão a minha mãe chorava tanto nem compreendi por que razão ela passou dias e dias que se tornaram em semanas a chorar convulsivamente. Hoje entendo. Agora, já bem mais velha, já maior de idade segundo a lei - essa coisa inventada pelos homens para regulamentar as nossas vidas - as pessoas passaram a morrer. E eu não entendo bem porquê. Se antes não morriam por que razão morrem agora? Se as pessoas desapareciam da minha vista, mas mal eu voltava ao lugar onde elas estavam, elas tinham permanecido lá? Era o que acontecia com a minha avó. Sempre que íamos ao Norte passar as férias - relaxar a mente desta turbulência citadina - ela estava lá, sentada no degrau da casa a fazer-nos mais umas mantas e sempre bem disposta. Ela nunca deixou de lá estar. Por isso não acredito que ela tenha morrido, falecido, desaparecido. Acredito que se voltar ao Norte ela estará lá. De facto nunca lá voltei. Coisas da vida. Tenho-me apercebido, após ver um amigo de longa data em estado terminal no IPO devido a um cancro no pulmão, que todos iremos inevitavelmente partir, falecer, morrer. Uns com cancro, outros num acidente de automóvel, outros com uma paragem cardio-respiratória, outros engasgados, outros afogados. Enfim. A verdade é que preciso que nós desapareçamos para outros poderem nascer. É um ciclo. Acho que o que custa é não sabermos o que acontece a seguir. Eu quero acreditar que acontece algo, seja o que for. Pois caso não aconteça nada cai-se no vazio existencial. Entendo isto, entendo que de facto as pessoas têm de partir, que estão apenas numa missão aqui na terra. O que eu não entendo é que quando era pequena as pessoas não morriam... Quando eu era pequena as pessoas eram eternas, imortais, tinham asas e voavam todos os dias mas acabavam por voltar. Nem sequer me lembro das pessoas ficarem realmente doentes. Só me lembro de ficarem velhas. Mas morrer? Morrer não. Será que só começaram a morrer quando eu fiquei mais velha? Ou será que as pessoas que me dizem ter partido mostrando-me os seus corpos mortos ou levando-me aos seus funerais, continuam a cirandar por aí, tendo mudado apenas de rotinas e de casas e de vontades e de desejos e de caminhos e de corpos? Bem me parecia... Afinal as pessoas nunca morreram, nunca irão morrer!... Elas estão aqui, pois é com a ajuda delas que reflito sobre esta merda que é a morte. Elas estão aqui pois nunca as esqueci nem esquecerei. Elas estão aqui para me mostrar que cada segundo desperdiçado a pensar na morte, a pensar na sua inevitabilidade é um segundo perdido, é um segundo que não voltará.
Mando então um beijinho a cada pessoa que está no meu coração e que já não existe fisicamente e agradeço por terem existido na minha vida. E por me ensinarem que, afinal, a morte não existe.


fevereiro 02, 2014

mudei por ti

És, para mim, o último e único Homem à face da terra
O único em cujo olhar vejo a própria alma
A tua, a minha, a nossa
E quando o meu mundo parece desabar e nada parece fazer sentido
Tu ofereces-me a tua calma
Mesmo que tu próprio também estejas naquele momento perdido

Queria dizer-te tanta coisa,
Queria beijar-te com palavras de amor e de carinho
Queria abraçar-te com frases sentidas e,
Por fim, amar-te tanto como a ave
Ama a árvore onde poisa e faz o seu ninho

Tu és e sempre serás – ainda que o futuro seja
Como dizes, uma invenção do homem –
O amor perdido que me foi tirado na infância
A compreensão latente que nunca me foi dada
Tu és e sempre serás esta ânsia
De te querer tanto,
De te querer a toda a hora,
Da dor que me dá sempre que te vais embora
E do sorriso com que me deixas com o teu cheiro
Até ao dia em que chegue a minha hora…

Até ao dia em que Deus que não existe me virá buscar
Para abraçar os que entretanto partiram,
Os que entretanto já deixaram de me olhar…
Mas, amor, nenhum deles terá, em nenhum momento da minha vida,
A importância, a relevância, a saliência que tu,
Com a expressividade do teu olhar e a franqueza da tua voz,
Tens a cada dia

E, ainda que os dias acabem, que envelheçamos e que o teu olhar
– ainda expressivo – esteja envolto em rugas,
Acredita, meu amor,
Por cada beijo teu, nascerá uma semente de esperança dentro de mim,
Nascerá uma nova vida a cada dia em que acordar a teu lado

Porque antes de ti, amor, antes de ti não existia, antes de ti era como uma flor
Partida pela ingenuidade da criança ou pela maldade do adulto
Antes de ti, eu era uma flor sem campo, eu era uma flor sem raíz, eu era uma flor
Usada pelo homem para seduzir mulheres apenas com o intuito de as usar
Tal e qual um brinquedo.
Antes de ti, achava ser impossível encontrar Homem algum que não olhasse para
As mulheres como um brinquedo e perdia, a cada dia, a esperança de que isso acontecesse
Mas aconteceu,
E lindo, desde esse dia uma parte de mim morreu e outro “Eu” nasceu…

É este “Eu” que te escreve para te dizer que antes de ti, meu amor, antes de ti
O Sol só brilhava para os outros e o céu parecia estar sempre nebulado dentro de mim
E qualquer ruído era um som pesado e qualquer musica uma ode à tristeza…

Mas depois de ti, amor, depois de ti o Sol passou a existir mesmo em dias negros e cinzentos
Em que a chuva não dá descanso e uma simples pedra passou a ser motivo para sorrir
A verdade, amor, é que não foi a vida que mudou, não foi a natureza que mudou
- ela sempre esteve ali – Quem mudou, meu amor,
Quem mudou fui eu. E mudei por ti.

Amo-te

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