maio 20, 2012

utopia

Esta utopia que me deslegitima, esta utopia que me ridiculariza, esta utopia que me diferencia não parece suficiente para viver. Quero viver de outra forma, já não sei ser assim. Creio veementemente na possibilidade de ser verdadeiramente feliz e de os outros o serem também. Creio na possibilidade de a humanidade melhorar, creio na impossibilidade de atingir a perfeição. Mas isto já não parece fazer sentido nenhum. Terá feito nalgum momento? Hoje pergunto-me por que razão não aproveitei melhor os momentos de criança, aquela inocência que perdi, que já não sei onde está, aquela coisa que era sorrir sem me preocupar que sorria, que era amar sem me preocupar quem amava, sem saber o que era amar.

MFG

maio 14, 2012

Não sei o que escrever. E é por não sabê-lo que escrevo. Se o soubesse, di-lo-ia.
Queria mostrar aos outros o que sinto em mim, esta paz de espírito que me atormenta todos os dias, este cansaço que com alegria faço desaparecer, esta mágoa que não tenho das coisas da vida, esta desconfiança que quer fugir e que estou a deixar viajar pelo vento. Queria tanto que me vissem como sou na realidade, que esta realidade que é ser-me em mim própria fosse realmente o que passo para os outros. Queria que os vossos olhos cinzentos se tornassem brancos. Brancos de todas as cores. Brancos como a neve. Brancos como a pureza de ser impura sem maldade. Queria que viessem comigo para casa e entendessem o que é viver como vivo, o que é pensar como eu penso, queria que me moldassem com as vossas mãos para eu deformar a forma que me querem impor. Eu queria tanto que me mudassem. Que mudassem para eu mudar a seguir. Para eu alterar o que vocês achavam ter tornado distinto. Queria que me tornassem o Sol para eu, revolucionária, fazer de mim Lua. Que me tornassem Praia para eu me tornar naquele sítio à beira-mar sem mar que é o Alentejo. Queria tanto que me falassem ao ouvido sobre as coisas que eu ainda não sei, queria tanto que deixassem de me gritar aos ouvidos como se eu não soubesse nada. Queria que percebessem a minha infância e compreendessem a minha adolescência. Que parassem de questionar a minha dor, a minha alegria, a minha mágoa, a minha felicidade. Queria que viessem ver os animais a sofrer e que deixassem de ver animais a sofrer. Ou, pelo menos, que fizessem alguma coisa para que os animais deixassem de sofrer. Queria também que olhassem um sem-abrigo nos olhos e que descobrissem se há diferença entre os seus olhos e os vossos, entre as suas mãos e as vossas, entre o seu choro e o vosso. Que olhassem uma flor e percebessem como é tão bom sermos simples. Simples, o mais simples possível.
Não sabia o que escrever e foi apenas por não sabê-lo que o escrevi. Quero que, caso haja alguma mensagem neste emaranhado de palavras sem nexo, que a deitem fora e construam a vossa. Porque esta é a minha.


MFG

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