abril 19, 2012

contra qualquer crueldade feita aos animais!



Qual é a diferença entre o teu cão de estimação de que tanto gostas e um porco ou uma vaquinha? Não têm todos sentimentos? Não têm todos sistema nervoso central?

abril 15, 2012

desabafos

Eu sou aquilo que eu quiser. Mas tenho de agir em consonância com o que quero ser. Se quero ser prostituta, tenho de vender o meu corpo a troco de dinheiro ou outros bens materiais. Se quero ser activista, tenho de lutar pelos meus direitos sempre que possa. Se quero ser cantora, convém que tenha formação musical ou se não, que tenha o dom de cantar. Mas não posso querer ser prostituta se não tenho a capacidade de vender o meu corpo a troco de bens materiais. Nem posso querer ser activista se o único sítio onde luto pelos meus direitos é dentro da minha cabeça. Percebamos todos, de uma vez por todas, que não podemos querer ser cantores se a nossa voz não é límpida, nem clara nem agradável. Percebamos que não podemos querer ser algo para o qual não temos capacidades. Percebamos que se há algo que amamos profundamente, pode até suceder que não tenhamos qualquer jeito para isso. Ou pode suceder o oposto.Eu sou aquilo que me faço ser. Como posso querer que me entendam se me calo quando o Outro me questiona? Se sinto piedade de mim própria? Que raio de Ser Humano com o minímo de auto-estima pode sentir pena de si próprio? E que mensagem quer esse Ser Humano passar aos outros quando se auto-flagela seja em actos, seja em palavras, seja em expressões? As pessoas têm o valor que exteriorizam. As pessoas recebem dos outros, exactamente aquilo que dão. Nem mais, nem menos. Se as pessoas não entendem isso, o problema é delas, não é meu.

abril 08, 2012

a sociedade em que vivemos

Gosto de pessoas simples. Acessíveis. De riso fácil. De conversa fluída. Que não julguem os outros pela aparência. Que não se achem superiores aos outros, seja por que razão for. No fundo, pessoas humanas. Gosto de pessoas profundas. Com pensamentos profundos. O que não significa que não goste da chamada "conversa fiada", a conversa sobre tudo e nada, que vai sempre convergir no mesmo ponto. As pessoas simples e profundas interessam-me particularmente já que acrescentam humanidade à minha humanidade, sabedoria à minha sabedoria, ideias às minhas convicções. As pessoas acessíveis são puras. São fáceis no sentido social, no sentido de criação de laços relacionais. São engraçadas com o seu humor peculiar. São verdadeiras com a sua frontalidade. São atenciosas com o seu ar amoroso. Pensam nos outros como pensam em si próprias: como seres dotados de sentimentos e, por isso, de emoções. Daí que, não obstante a frontalidade, tenham de ter algum cuidado com a forma como dizem as coisas. Aquelas pessoas com quem conseguimos conversar, seja sobre o assunto mais erudito seja sobre o mais simplório e básico, e que sentimos serem amistosas, agradáveis, simpáticas, simples. São essas as minhas pessoas: o meu tipo, o meu género de pessoas. De seres humanos. E era assim que deveria ser a humanidade.
Não gosto de pessoas arrogantes. Pessoas que se acham superiores e que não têm renitência em mostrá-lo aos outros. Pessoas que vivem das aparências, pessoas que dão mais valor a uma peça de roupa do que a um amigo. Pessoas que valorizam os outros pelo que vestem e não pelo que são. Pessoas que não sabem o que é a metafísica. Que desconhecem Kant. Que ignoram política. Que preferem conversar sobre as compras que fizeram ontem com o dinheiro dos "papás". Que acreditam que todos têm dinheiro para ir de Erasmus (e quem não vai, é porque não quer, dizem...). Que olham os outros de cima a baixo. Que abominam comunistas, anarquistas, hippies, socialistas. Que nem sabem o que é ser comunista, anarquista, hippie ou socialista. Que não sabem o que é o amor, porque valorizam primeiro o que veêm, sempre primeiro o que veêm e, talvez, com algum tempo, valorizem o que as pessoas são na realidade. Que, no fundo, são infelizes, porque procuram a perfeição exterior. Querem ocultar o facto de não serem boas pessoas, de não saberem sentir amor pelos outros, de não se saberem pôr no lugar dos outros, de não perceberem que nem todos são dessa forma. Este tipo de pessoas são, para mim, o reflexo da sociedade capitalista. Não são capazes de olhar o Outro com compaixão, com amor, com amizade, com a noção imensa de solidariedade pelo Outro. Olham-no com desprezo, de soslaio, demonstrando asco através das expressões faciais. Nem o seu sorriso é verdadeiro ainda que seja bonito. E se não é verdadeiro, como pode ser bonito? Este tipo de pessoas não são seres humanos. São seres não-humanos. Não me consigo convencer de que é possível um ser humano julgar os outros pela aparência e achar-se superior, vá-se lá saber porquê.
Que me importa que sejas linda? Que sejas lindo? A beleza é, para mim, consequência do carácter. A beleza é relativa, o carácter não.

MFG 

abril 06, 2012

Deus

Só quero deitar-me na cama e dormir. Dormir para esquecer esta vida que vai passando enquanto estou acordada. Para perder de vista esta dor que de mim se apoderou. Havia tanto tempo que não me sentia assim: perdida, vazia, só, profundamente só. Que raio de Deus és tu, afinal? Omnisciente e  omnipotente que nada mudas, nada fazes, nada dizes? Como é que posso acreditar que existes se nunca te vi nem em actos, nem em palavras, nem em sonhos? Só posso dizer que existes, porque te vejo nas omissões, vejo-te naquilo que tu não fazes, naquilo que tu não mudas, naquilo que tu não entendes.
É por isso que só me quero deitar na cama e dormir. Dormir para ver se te encontro, para ver se me dás algum sinal, se mudas algumas destas coisas que me impedem de ser feliz. Não me venhas dizer que eu é que tenho de mudar as coisas! Que mais tenho feito eu do que isso mesmo? Que mais tenho eu tentado fazer do que mudar tudo isto? Tu não existes, não me venhas dizer que és omnipotente, pois se és detentor de toda a potencialidade para mudar as coisas, por que razão elas continuam iguais? Tu não existes, porque se existisses tudo o que era mau iria parar a todos os que são maus e não o oposto. Tu não podes existir, porque se existisses eu não estaria a escrever isto, eu não precisaria de dissertar sobre a tua existência. Se, ao menos, me desses um sinal, qualquer coisa, uma luz, a luz, a escuridão, a mudança, a diferença, a felicidade, a infelicidade, qualquer coisa, a coisa mais simples, a coisa mais complexa. Mas não. Não sinto nada que venha de ti, não recebi nada teu, não percebo por que razão inventaram que existias: seria só para causar inquietação? Seria só para causar frustração quando percebessemos que eras a maior mentira de todos os tempos?
Tu não existes e, por isso, estou a falar para o vazio. Para o nada. Tu és o nada. Tu não és nada. Tu não existes, porque se existisses ... isto não estaria assim.

«Não sou um ateu total, todos os dias tento encontrar um sinal de Deus, mas infelizmente não o encontro.» José Saramago.

Mariana Guerreiro

abril 04, 2012

Prisão

Que terás pensado quando estiveste preso? Pensavas que a culpa era tua? Ou pensavas que valia a pena lutar contra o regime? Que, um dia, tudo iria mudar? Será que a dor foi muita quando te arrancaram as unhas a sangue frio? Será que, em algum momento questionaste o teu próprio ser? A tua vontade? A tua ideia?
E eu que estou presa dentro das estruturas que eu própria construi, o que posso pensar, afinal?Que a culpa é minha?Que mais valia arrancarem-me as unhas a sangue frio do que passar todo o dia comigo própria? Que tudo isto é muito complicado, que é tão complicado que eu não sei bem o que dizer, o que fazer, como o fazer? Que o melhor seria não pensar, seria tomar ácidos, fumar aquelas coisas ilegais e deixar-me ir por este mundo afora sem pensar demasiado, sem pensar em rigorosamente nada? Que, no fundo, tenho medo de mim própria e não dos outros? Que seria tão bom ser como outra, mas também ela é assim? Também ela tem medo, muito medo, medo demais, tanto medo ...
Se ao menos as grades fossem exteriores a mim, eu poderia andar dentro da cela, meditar dentro da cela, ter espaço para pensar, para decidir, para fazer, para imaginar que fazia algo, mas e quando as grades estão dentro de nós? O que é que eu faço se estou presa dentro de mim? E se fui condenada a prisão perpétua? Sem visitas, sem poder receber prendas? Sem poder sentir o amor, a amizade, a alegria, a felicidade? Diz-me lá, o que é que eu faço? Mato a parte de mim que está presa ou espero pacientemente que alguém me venha libertar?

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