novembro 30, 2009

Debaixo da chuva

Chega perto de mim,
E diz-me quanto disto é real.
Quero saber como viver.
Até onde vou, até onde sou,
Até onde tudo isto é o ideal.

Se não souberes o que dizer,
Cala-te e escuta comigo o silêncio.
O tempo lá fora morreu.



O tempo aqui nasceu, renasceu.
E será sempre tempo.
O tempo meu e teu.

O mundo não vai querer saber.
Vai fingir que sabe o que senti
Como se eu fosse um simples livro aberto
E tu o escritor que o escreveu.
Como se eu fosse uma simples pintura
E tu a mão que a pintou.
O mundo jamais saberá
O quanto o tempo connosco partilhou.


MFG

novembro 26, 2009

Se ..


Se um dia o que sinto
Pudesse ser sequer descrito
Se um dia o que vejo
Pudesse ser o que almejo
Se um dia o que amo
Existisse em palavras, em linhas, em frases
Se um dia o que sou
For o que gostaria de ser
Talvez, ao invés de ter nascido,
                                                                    Tenha acabado de morrer.

MFG


novembro 25, 2009

O nosso mundo começa..

« Só nós dois compreendemos este amor triste e profundo
Quando o amor acontece, não pede licença ao mundo.»





Que falem não nos interessa,
o Mundo não nos importa,
a nosso Mundo começa
dentro da nossa Porta!


Tiago Bettencourt - Só nós dois


As pessoas vão falar do que viram porque não sabem observar. Irão falar do que perderam porque não sabem o que é lutar para ganhar. As pessoas irão afirmar que ninguém sentiu como elas porque ,no fundo, nada sentiram. As pessoas irão querer voar, porque têm os pés demasiado assentes no chão. As pessoas irão querer sentir o céu, porque a sua arte é mísera e não as conduz à pureza. As pessoas vão sofrer pelo amor dos outros, porque não sabem o que é amar. As pessoas vão querer o abraço que é o nosso, porque não têm coragem de mostrar o que sentem. As pessoas vão resistir a rir de nós, mas nós vamos rir-nos delas eternamente. As pessoas vão tentar entender o porquê de tudo isto e nós vamos dar-lhes a entender que nenhuma estrela é feliz sozinha. E então elas vão querer pedir desculpas pelas promessas que quebraram e nós vamos explicar-lhes com o poder do olhar que " tudo o que morre, também pode renascer ".


MFG

novembro 24, 2009

é perigoso VIVER

"Precisamos do que nos põe em perigo. Evitamos ser destruídos mas aproximamo-nos do que tem força para nos destruir. Guardamos a distância certa mas aproximamo-nos o suficiente para sentirmos o medo mas sem nos deixarmos abater. Sabes porquê? Porque podemos morrer, mas com o medo muda-se. "  . Palavras sábias, as de uma grande amiga minha. Sem saber destronou as ideias que eu tinha, o que me apetecia explicar a mim mesma. Ultrapassou-as, sem qualquer dúvida.
Precisamos realmente do que nos põe em perigo. Não só por a vida ser efémera, mas também porque há no perigo algo misterioso, e esse misterioso é mágico. Realmente, ninguém conhece em nós o que nem nós conhecemos. Será?
Tentamos ir caminhando fieís aos nossos valores e ideais, mas e depois?
O despertador toca. O dia começa de novo e o sol está lá em cima no céu, imóvel, mas parece sorrir. Misteriosamente também. E o dia muda, algo na sua essência se altera. É o medo por saber que o medo nos gela. Nos congela. Mas também é o medo que nos aquece, que nos conforta. É ainda mais difícil poisar o olhar nos outros agora. Porque algo dentro de mim mudou. Como uma flor que desabrochou? Ou como uma vaso que se quebrou?
Há mais mistério pela frente, há mais história para viver, para querer viver. Há ainda mais perigo no resto do caminho que aí vem. Mas existe, existe algo que me faz crer que é perigoso viver.. Mas ainda mais perigoso do que viver é não viver, é sobreviver, é ser uma « mera sombra daquilo que se é.»
Agora é acreditar no que digo e no que penso. E seguir até ao infinito e quando lá chegar voltar ao ponto de partida . Voltar ao Sol que, luminoso, sempre acreditou naquilo que eu seria capaz. Voltar à Terra que me viu nascer. Porque eu sei que o perigo existe, é iminente, mas também sei que depois dele, nada irá restar, para além da pergunta peremptória.. Para além do não-saber até que ponto aquilo em que se acredita existe realmente.

« The world wouldn't be the same without you »

MFG

novembro 23, 2009

Terei todo o tempo?

Cada um de nós tem em si todo o tempo do mundo. Todo o tempo para buscar o tempo. Todo o tempo para fazer algo mais. Todo o tempo para mudar os seus objectivos. Todo o tempo para jogar de novo os dados e ver com mais calma o que saiu desta vez.

Temos todos as mesmas possibilidades de escolher, só não temos as mesmas situações. Somos todos eternamente livres, mas muito poucos o sabem. Muito poucos acreditam que o tempo só passa se passarmos com ele tal e qual o modo como o rio flui. Muito poucos observam com o coração como se todos nós descendêssemos da divindade da qual eu própria duvido. É raro o ser que acredite em algo verdadeiramente, mas tão verdadeiramente que desse a sua própria vida, a vida de dentro e não a de fora, a vida que nos faz ser o que somos e não a que nos faz ser uma mera sombra de nós mesmos. E, por isso, é raro o ser que chore com a vantagem de saber que as lágrimas salgadas que derrama se irão converter num sorriso eterno e revolucionário.
Aperta a minha mão e espera que eu aperte a tua com convicção e segurança. Não tentes caminhar com segurança porque eu sei que precisas da minha sombra ao teu lado, mesmo que não seja mais do que isso. Todos precisamos de algo que nos diga que conseguimos ir mais longe mesmo que esse algo não consiga falar. Um mero e simples suspiro fala mais profundamente do que a conversa mais elaborada.
Eu disse-te sempre, o silêncio é ensurdecedor.


novembro 22, 2009

Que..?

Que vida é esta que passa a correr sem me dar tempo de parar?
Que sangue corre nas minhas veias que não me deixa ser diferente?
Que voz é esta que ecoa em mim?
Que vazio é o que se interpõe entre o que sou e o que deveria ser?
Que silêncio é esse que nos faz ficar surdos?
Que laço nos une se tudo nos separa?
Que coração é este que hoje sangra de raiva, de dor, de mágoa?
Que morte é esta que não quero, mas que vem?
E... Que sentimento é este que foge? E que fica?





MFG

novembro 21, 2009

Now that's all I got



'Did I ask too much?


More than a lot?


You gave me nothing


Now that's all I got!'

Quem sabe se um dia eu não irei mudar

Quem sabe se um dia o eu que sou não irá morrer

Quem sabe se um dia não te irei amar

Quem sabe se um dia o eu que fui não voltará a nascer.

Diferente? Única?

Nada, rigorosamente nada. Apenas. Só e apenas.

MFG

novembro 19, 2009

Será?

Será que sentes frio por eu não te aquecer?
Será que sentes um vazio por eu não estar aí para te preencher?
Será que te sentes em baixo por eu não te poder levantar?
Se a resposta a tudo isto é sim, esquece-me. Não te quero amar!



MFG




Fazes-me pensar até que ponto não somos todos produto da tua falsidade, até que ponto não somos os que vestiram as tuas vestes e colocaram a tua máscara. Até que ponto a tua mentira não é a nossa verdade. Mas, depois disto, fico sempre a meditar sobre até que ponto a tua mentira vai perdurar, até que ponto vamos continuar todos a rirmo-nos das tuas piadas sem sabermos que escondes uma profunda tristeza.
Também não sei de nada. Estou aqui, mas no fundo, nunca estou no mesmo sítio em que está o meu corpo. Estou sempre mais acima ou mais abaixo, mais profundamente ou mais superficialmente do que o que me rodeia. Mas não sou falsa, pois mais honesta é impossível. Sou o que o teu ser perdeu por desejar mais do que eu. Sou o que ainda tem um longo caminho pela frente. Perdoa-me por não ter errado. Perdoa-me por não ter motivos para pedir perdão. Perdoa-me mas não mo digas. Mostra-mo. Agora é mais importante assim.

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