outubro 29, 2010

Depende

Almeida Garrett, coloca numa das suas obras mais relevantes a seguinte questão: ‘E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico? ‘
Esta pergunta tem permanecido sem resposta, provavelmente porque, tal como muitas vezes acontece, a resposta dos economistas políticos é ‘depende’Depende porque não é a eles que a pobreza chega, porque não é a eles que a pobreza limita quando não se é limitado, porque não é o corpo deles que gela de frio, porque não é o estômago deles que está colado às costas. Depende sempre. Mas é este relativismo que faz da sociedade aquilo que nunca se deveria ter tornado: uma sociedade capitalista, sem sentimentos, sem a lágrima que cai quando um ser humano dorme na rua, quando um ser humano se sujeita a tantas indignidades, quando um ser humano, deixa de acreditar que há saída e só deseja adormecer para nunca mais acordar. É isto que fazes tu, ó capital!
MFG

outubro 16, 2010

a arte de bem viver

Há duas palavras que me caracterizam, ou pelo menos, eu tento que o façam: Utopia e Ética.
Deixando de parte a palavra Utopia, quero debruçar-me sob a palavra Ética.
Que sentido faz a Ética nos dias de hoje? Será que ainda existe?Vale a pena pensarmos acerca destas questões ou somos todos deterministas, e isto não vai a lado nenhum com reflexão?
Dizem os autores entendidos no assunto que um ser ético-moral é aquele que considera imparcialmente os seus intereses e os interesses de todos os que serão afectados pelas suas acções, é aquele que reconhece princípios éticos de conduta, é aquele que não se deixa guiar por impulsos, mas "escuta a razão" mesmo que isso implique rever as suas convicções, é aquele que age com base nos resultados da sua deliberação independentemente de pressões exteriores, fazendo escolhas autónomas, é aquele, por fim, que se guia por valores e ideais que reconhece como certos - bons - para se tornar um melhor ser humano.
Sempre defendi, mesmo sem saber o seu nome técnico, a Ética e a necessidade de a seguirmos para que o mundo se tornasse menos desigual e injusto. Muitos acham que não há uma real necessidade de pensarmos no Outro, que devemos fazer aquilo que nos apetece, que devemos fugir quando os problemas nos aparecem à frente, que não importa se a pessoa ao nosso lado está a ser espancada, o que importa é "safarmo-nos". Nunca pensei assim. Sempre pensei, mesmo sem saber o que pensava, que existia em mim algo de diferente em relacção a estas questões. Por um lado, era-me e é-me impossível assistir a uma qualquer injustiça, seja comigo ou com outras pessoas, sem agir em concordância com os meus pensamentos. Por isso, considero-me justa. Além disto, nunca deixo de me questionar. Não existem certezas absolutas e ainda bem. Posso acreditar que aquele caminho é o caminho ideal, mas se, por um qualquer motivo, houver algo que me faça ter algumas dúvidas, eu páro e penso. Penso no que é mais justo, penso no que me parece mais correcto, penso no que vai acontecer se fizer isto ou aquilo, penso nas pessoas que irão receber essa acção, penso como a irão receber, penso o que faria a outra pessoa no meu lugar, ponho-me no lugar da outra pessoa, tento imaginar o que ela sente e assim, depois de muita auto-crítica e reflexão profunda, concluo que o melhor a fazer é determinada coisa.
Isto não significa que não erre. Erro, e erro muito. Como qualquer outra pessoa. Sou errónea, sou um pouquinho só do que espero ser um dia e, como tal, cometo muitos erros, muitos deles que poderiam ser evitados.
Kant, um dos melhores filósofos de todos os tempos, no meu ponto de vista, costumava dizer que devíamos agir imaginando que a nossa acção se tornaria uma lei universal. É uma das frases em que penso sempre que tenho algo para decidir, algo importante, algo relevante na minha vida ou na vida de outra pessoa. Penso se aquilo que me parece mais correcto, se podia tornar uma lei universal. Se concluo que sim, em princípio, estarei a agir bem. Se concluo que não, o oposto verifica-se.
Vários autores deram o seu vasto contributo para as questões da ética. Vários autores reflectiram, tal como eu, até que ponto determinada acção era boa, era justa e, essencialmente, por que razão o era ou não o era. A questão mais relacionada com a ética, e talvez aquela que a faz compreender a fundo e amá-la tanto como eu a amo, seria esta "Que princípios devem orientar a vida humana?" e parte do princípio, "A vida humana tem um valor incalculável.".
Costumo usar uma designação quando respondo a alguma questão: " Não é justo". Também Kant o dizia,( e obviamente, quem o copia sou eu), que é o mesmo que dizer que se opõe ao dever. O dever de não matarmos, não roubarmos, não usarmos alguém como meio para atingir um fim, entre outros. Há quem tenha uma religião e reze a um Deus imaginário e , muita vezes, seja injusto, imoral, hipócrita e falso. Já eu, tenho a Ética, respiro a Ética, adormeço e acordo com a Ética, e tento ao máximo, agir com a Ética, pela Ética e para a Ética. Tendo sempre presente que "A ética é a arte de bem viver", já dizia a minha extraordinária professora de filosofia, Ana Bela Braga.

MFG

outubro 12, 2010

vivemos?

Vivemos uns contra os outros numa espécie de redoma de vidro. Achamos que ao não incluirmos os outros na nossa vida, nos protegemos deles. Mas não é essa a verdade. A verdade é que só nos protegemos de nós próprios. Nunca abrimos o nosso coração à nossa alma. Nem a nossa alma à nossa cabeça. É indecente! É indecente acharmos que podemos ter todas as vidas à nossa volta se ainda nem temos a nossa própria vida. É injusto acharmos que as outras realidades nos conseguem compreender se nós não fazemos o mínimo esforço para as compreender.
Vivemos num plano paralelo. Num plano que não é nosso. Ou é porque queremos e não temos o que queremos, ou então, temos o que não queremos. Perdemo-nos ao tentarmos encontrar-nos. Encontramo-nos quando achamos que nos tínhamos perdido. Somos, assim, um vazio tão difícil de preencher e um preenchimento tão vão.

MFG

é o tempo que quiseres

Fazemos sempre o que não devia ser feito. Não que não sejamos inteligentes. Não que não sejamos perspicazes. Não que não tenhamos as ideias no lugar. Apenas padecemos da doença da racionalidade. O que acaba sempre por acontecer é que, de tanto pensarmos, de tanto calcularmos as variáveis que existem em determinada questão, nos cansamos, nos retiramos a nós próprios, e acabamos como tu: sozinhos julgando-nos acompanhados, inseguros julgando-nos capazes de qualquer coisa, infelizes julgando-nos a pessoa mais feliz do mundo. Quanto tempo dura isso? Dura até pensares com a irracionalidade, dura até sentires de novo, dura até pegares no coração, dialogares com ele e descobrires o quão lindo é o mundo quando, deixamos de lado o que nos torna humanos, e atentamos ao que nos torna Pessoas.


E disse !

MFG

outubro 08, 2010

a quem eu amo

Talvez a calma da música me tenha feito entender. Ou então, poderá ter sido o frio que entra pela janela e me faz tremer. Ou então, ainda se põe a hipótese de ter sido o sol que não consigo ver, pelo menos hoje. A verdade é que entendi. Entendi que não interessa o quanto amas alguém, pois algum dia essa pessoa irá trair-te ou magoar-te. Entendi que não interessa o quanto dás a alguém, o quanto tiras de ti ainda que isso custe imenso, pois no futuro essa pessoa irá esquecer isso por momentos. Entendi que por melhores intenções que tenhas, é preciso duas pessoas para existir uma dupla. Entendi que não basta existir vontade de um dos lados, pois isso acabará em separação ainda que haja uma suposta união. Entendi que há realmente coisas que eu não posso mudar por mais que tente. Entendi que não tenho de me culpabilizar por nada uma vez que dei tudo o que tinha e ainda mais um bocadinho. Entendi que, por mais que eu queira, a verdade é que todas as pessoas têm de aprender com os seus erros. E não é por eu amar alguém que tenho o direito de a querer ensinar à força. Da mesma forma que eu aprendo com os meus erros, a quem amo acontecerá o mesmo. Agora, a verdade é esta. Compreendi profundamente tudo isto. Mas, fundamentalmente, entendi que, por mais voltas que dê à minha vida, jamais irei esquecer esta dor, jamais irei olhar em frente sem olhar primeiro para trás. Só espero que o que sinto hoje, não me impeça de poder aceitar os outros como são, ser como sou, e conseguir amar mais pessoas, ajudá-las, mostrar-lhes um pouco do meu mundo, do que eu penso sobre a vida. Só espero que quem eu amo seja feliz. Seja feliz assim ou de outra maneira, já que não o quer ser comigo. A verdade é que não podemos obrigar alguém a fazer parte da nossa vida se essa pessoa assim não o desejar. E demorei tempo a entender isto. Não se tratava de ser orgulhosa nem nada do género, mas tratava-se de amor verdadeiro, tratava-se de saber que algo se passava. Mas, como pude reparar que não era só em relacção a mim, mas em relacção a tudo o que era vida para alguém daquilo, sosseguei. Sosseguei, porque sei que ainda tens muito para aprender, muito para jogar, muito para cair, muito para guardar, muito para chorar, muito para sofrer. E eu tenho sempre estado lá para minar tudo isso. Mas não te posso empurrar para o caminho se não estás lá. Tenho empurrado o vazio, isso sim. E se agora, a pessoa que eu amo, está tão segura de si, terá de fazer o caminho sozinha. Eu tenho pessoas que me amam e não me deixam cair e pretendo conseguir ter mais umas quantas. Já, a pessoa que eu amo.. Tenho dúvidas, tenho muitas dúvidas. Nunca deixei que lhe faltasse nada. Nem amor. Nem auxílio. Nem um ombro amigo. Mas não consigo ser rejeitada tantas vezes e continuar a ir em busca de um caminho onde só há obstáculos. Sou persistente, mas o meu coração não é de pedra. Nem eu vou deixar que fique. Ninguém merece que eu sofra assim. Nem a pessoa que eu amo.

MFG

outubro 07, 2010

não!

Não gosto daquilo que vejo. Não gosto porque não me parece bonito. Não me parece justo. Não me parece fiel aos valores que tenho dentro de mim. Não me parece bem. Não me parece viável. Só não sei é bem o que vejo. Não é que não o saiba em mim, só não o sei explicar com todas as palavras, porque elas não iriam chegar. Não é que não sejam suficientes, mas eu sempre tive demasiado respeito por elas, não quero defraudá-las, dissecá-las, diminuí-las, aterrorizá-las. É sempre o que faço com aquilo que amo.

"A morte não me assusta, o que assusta é a forma de morrer"

MFG

outubro 03, 2010

preciso de ti

Preciso de uma alma nova.
Preciso de objectivos novos.
Preciso de pessoas diferentes.
Preciso de pensamentos opostos.
Preciso de sorrisos sinceros.
Preciso de momentos verdadeiros.
Preciso de relacções espontâneas.
Preciso de marés positivas.
Preciso de certezas indiscutíveis.
Preciso de fotografias longe daqui.
Preciso de beijos com sentimento.
Preciso de abraços daqueles que duram anos.
Preciso de desabafos e de desabafar também.
Preciso de dançar sem olhar em redor.
Preciso de cantar contigo de novo.
Preciso de escrever em todos os cantinhos do meu caderno.
Preciso de ti ao meu lado em todas as aulas.
Preciso dos teus olhos azuis.
Preciso das tuas ironias.
Preciso dos teus reparos.
Preciso dos teus gritos que me fazem ser feliz.
Preciso dos teus gestos muito "finos".
Preciso da tua doçura.
Preciso dos teus conselhos.
Preciso que acredites em mim.
Preciso de ti porque sempre me ouviste.
Preciso de ti, porque sem ti, isto não passa de mero vazio.

Minha V.
Minha I .
Minha V.
Minha C.
Minha T.
Minha V.




É óbvio que eu sou o burrinho <'3

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