Há duas palavras que me caracterizam, ou pelo menos, eu tento que o façam: Utopia e Ética.
Deixando de parte a palavra Utopia, quero debruçar-me sob a palavra Ética.
Que sentido faz a Ética nos dias de hoje? Será que ainda existe?Vale a pena pensarmos acerca destas questões ou somos todos deterministas, e isto não vai a lado nenhum com reflexão?
Dizem os autores entendidos no assunto que um ser ético-moral é aquele que considera imparcialmente os seus intereses e os interesses de todos os que serão afectados pelas suas acções, é aquele que reconhece princípios éticos de conduta, é aquele que não se deixa guiar por impulsos, mas "escuta a razão" mesmo que isso implique rever as suas convicções, é aquele que age com base nos resultados da sua deliberação independentemente de pressões exteriores, fazendo escolhas autónomas, é aquele, por fim, que se guia por valores e ideais que reconhece como certos - bons - para se tornar um melhor ser humano.
Sempre defendi, mesmo sem saber o seu nome técnico, a Ética e a necessidade de a seguirmos para que o mundo se tornasse menos desigual e injusto. Muitos acham que não há uma real necessidade de pensarmos no Outro, que devemos fazer aquilo que nos apetece, que devemos fugir quando os problemas nos aparecem à frente, que não importa se a pessoa ao nosso lado está a ser espancada, o que importa é "safarmo-nos". Nunca pensei assim. Sempre pensei, mesmo sem saber o que pensava, que existia em mim algo de diferente em relacção a estas questões. Por um lado, era-me e é-me impossível assistir a uma qualquer injustiça, seja comigo ou com outras pessoas, sem agir em concordância com os meus pensamentos. Por isso, considero-me justa. Além disto, nunca deixo de me questionar. Não existem certezas absolutas e ainda bem. Posso acreditar que aquele caminho é o caminho ideal, mas se, por um qualquer motivo, houver algo que me faça ter algumas dúvidas, eu páro e penso. Penso no que é mais justo, penso no que me parece mais correcto, penso no que vai acontecer se fizer isto ou aquilo, penso nas pessoas que irão receber essa acção, penso como a irão receber, penso o que faria a outra pessoa no meu lugar, ponho-me no lugar da outra pessoa, tento imaginar o que ela sente e assim, depois de muita auto-crítica e reflexão profunda, concluo que o melhor a fazer é determinada coisa.
Isto não significa que não erre. Erro, e erro muito. Como qualquer outra pessoa. Sou errónea, sou um pouquinho só do que espero ser um dia e, como tal, cometo muitos erros, muitos deles que poderiam ser evitados.
Kant, um dos melhores filósofos de todos os tempos, no meu ponto de vista, costumava dizer que devíamos agir imaginando que a nossa acção se tornaria uma lei universal. É uma das frases em que penso sempre que tenho algo para decidir, algo importante, algo relevante na minha vida ou na vida de outra pessoa. Penso se aquilo que me parece mais correcto, se podia tornar uma lei universal. Se concluo que sim, em princípio, estarei a agir bem. Se concluo que não, o oposto verifica-se.
Vários autores deram o seu vasto contributo para as questões da ética. Vários autores reflectiram, tal como eu, até que ponto determinada acção era boa, era justa e, essencialmente, por que razão o era ou não o era. A questão mais relacionada com a ética, e talvez aquela que a faz compreender a fundo e amá-la tanto como eu a amo, seria esta "Que princípios devem orientar a vida humana?" e parte do princípio, "A vida humana tem um valor incalculável.".
Costumo usar uma designação quando respondo a alguma questão: " Não é justo". Também Kant o dizia,( e obviamente, quem o copia sou eu), que é o mesmo que dizer que se opõe ao dever. O dever de não matarmos, não roubarmos, não usarmos alguém como meio para atingir um fim, entre outros. Há quem tenha uma religião e reze a um Deus imaginário e , muita vezes, seja injusto, imoral, hipócrita e falso. Já eu, tenho a Ética, respiro a Ética, adormeço e acordo com a Ética, e tento ao máximo, agir com a Ética, pela Ética e para a Ética. Tendo sempre presente que "A ética é a arte de bem viver", já dizia a minha extraordinária professora de filosofia, Ana Bela Braga.
MFG