A vida é muito mais do que aquilo que tu vês. A vida revela-se sempre que parece esconder-se, refugiar-se num outro local qualquer. A vida é isto, mas o que é isto?
abril 16, 2011
a sociedade
Vivo numa sociedade distinta daquela que idealizo.
Na sociedade que idealizo existem valores e esses valores estão acima de tudo. Acima do dinheiro, do poder, da inveja, da mágoa, da incerteza, do desdém. Esses valores não são valores materiais, pois esses são supérfluos; também não são valores palpáveis, pois tudo aquilo em que se pode tocar é pouco para aquilo que eu imagino; esses valores não são substituíveis, pois eles me dignificam como ser humano; esses valores não são criticáveis, pois eles são a justiça e a verdade e a beleza.
Na sociedade em que vivo, existe muita coisa que se encontra acima dos valores, estes valores de que falo, poderemos chamar-lhes valores metafísicos. Não por serem abstractos ou irrealizáveis, mas por serem "meta", por estarem entre a realidade e a ilusão, entre o possível e o impossível ( ou apenas, pouco provável), por, no fim de tudo, serem o caminho para a realização absoluta do ser humano. Na sociedade em que vivo e em que vou crescendo, dia a dia, passo a passo, é mais importante o lugar que as pessoas ocupam nas instituições do que propriamente o lugar que as pessoas ocupam no coração uns dos outros. E é mais importante o que os outros, aqueles que poderão ser uma mais-valia no futuro, pensam de nós, do que propriamente aquilo que somos na realidade, aquilo que a maquilhagem não consegue mascarar, aquilo que uma camisa mais bonita jamais conseguirá esconder.
Na sociedade que idealizo, não existe racismo ou homofobia, não existe discriminação de qualquer espécie, não existe ódio por que motivo seja. Nessa sociedade, os seres humanos atingiram um tal estado de cidadania e de racionalidade que lhes é possível aglomerar a razão e a emoção sem que isso lhes confunda a personalidade. Nessa sociedade, a natureza é parte integrante da vida, da vida de todos os dias, dando mais vida a essa mesma vida. Nessa sociedade, não há injustiça pois o homem se terá apercebido da possibilidade da sua ausência através do estado superior a que esse mesmo homem terá chegado. Com a ajuda da instrução, da informação, da cultura, do saber, o ser humano terá percebido que é possível a construção de uma sociedade nova, uma sociedade sem explorados nem exploradores, uma sociedade em que signifique muito mais o que se é, em detrimento daquilo que se tem, daquilo que se possui.
Todavia, na sociedade em que vivo, sociedade cheia de contradições, observo todos os dias o oposto do que desejo: desde exploração a injustiças, passando pela corrupção até à falta de respeito pela diferença. A sociedade onde vivo é decadente, está putrefacta e morreu da sua própria doença: o desejo desenfreado por mais capital, por mais dinheiro, por mais poder. É preciso uma sociedade nova, claro que é preciso uma sociedade nova!
Contudo, faço uma pergunta: Estaremos todos disponíveis para, luta a luta, passo a passo, grito a grito, construir uma sociedade nova, uma sociedade que dignifique o ser humano, uma sociedade a que eu tenha orgulho de pertencer?
Eu estou! Sempre pronta para a luta, dê lá por onde der, quer caia quer esteja levantada, estou pronta. E tu?
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