dezembro 29, 2009

Just tears

Apanhei um punhado de lágrimas tuas. Mesmo à distância. Senti a sua humidade encostar-se-me aos dedos e acabar por se colar totalmente. Apesar da dor existir, não consegui chorar por ti. Chorar pelas lágrimas que ousaste chorar. Aposto que estavas sozinho, não estavas? Certificaste-te que ninguém te viu a chorar..

Posso não ter visto a tua dor, mas senti-a verdadeiramente dentro de mim. E por isso, não consegui chorar. Nem sequer tentei conter-me. Talvez a minha alma tenha secado. Ou talvez não. Agora já não sei. Muito sinceramente, não me fazes saber de nada. Mas, por outro lado, dás-me vontade de querer saber o que há por detrás de tanto mistério. Esse riso que esconde a lágrima mais pura. Ou então talvez não signifique mesmo nada. Talvez tenhas chorado para que eu achasse que eras algo. E, no fundo, não seres nada. Ou então, ainda não o descobriste. Eu sei que choras. Senti de novo o suspiro que se liberta quando a vida corre e nós ficamos. Quando o dia vai e não vem mais. Quando o que brilha nos enegrece. Quando os que lutam nos parecem ridículos. Eu sei que hei-de te ver como és na realidade. Eu sei que existe realidade. E sei que lá estarás tu, sentado, no escuro, mas com um brilho nos olhos que, ao vir de dentro para fora, me dá a certeza acérrima de que vales exactamente o que eu penso. Vales tudo.

MFG

Estado horizontal

Quanto mais brilha a tua luz, mais eu fico apagado..

Rui Veloso

Como é possível estremecer por algo que ainda não conhecemos?
Talvez da mesma forma que se pode sentir o coração oco no primeiro enlace de olhos. Da mesma forma que se pode sentir uma frieza de alma ainda que não seja a ausência do sorriso que a denuncie.
Há dias assim. Dias em que uma simples fragrância diferente nos ilumina e nos escurece simultaneamente. Dias em que a ausência está presente. Dias em que um pouco de arte nos soa a algo imperioso. Dias em que o estado horizontal das coisas é visão impulsiva da emotividade que está escondida. Mas que, hoje, deixei escapar.


MFG

dezembro 20, 2009

Apenas um segundo

Não levou mais do que um segundo para que eu percebesse que há uma espécie de destino na vida. Uma espécie de linha que, não negando a nossa liberdade, nos reserva determinado caminho. E, enquanto vou caminhando, sei que o meu destino é sempre diferente do que espero. Sempre que o espero negro, ele ilumina-se para me contradizer. E, quando finalmente, concordo com ele e o sigo, ele baixa os olhos e escurece. É por isso que nunca poderei confiar nele. Não totalmente. Mas também.. Se não confiar nele, em quem confiarei? Só irá restar o vazio sem ele... Sem ele, irá sair do meu corpo a força que me faz vaiajar cada vez mais.. Sem ele, calarei as dores e as angústias, mas, por outro lado, calarei as verdades e as felizes concordâncias que existem entre nós... Sem ele, as pequenas coisas deixarão de ser pequenas, para passarem a ser indiferentes. E, bem dentro de mim, morrerá uma parte de uma vida que estamos a construir.
E já não estarei lá para sentir como tu. Nem tu para sentires como eu.
Não levou mais do que um momento para que percebesses que sou estranha. Que possuo uma incerteza tão certa, tão diferente, tão minha, tão própria. Não levou muito até que viesses de novo, até que caminhasses de outra forma, não levou mesmo muito tempo. O tempo parou para nós. Ambos sabemos.. E só nós sabemos mesmo.
Não levou tempo nenhum até que, o que somos hoje, fosse fruto de um destino ainda por terminar. De um destino traçado pelo teu olhar que, lentamente, tropeça em mim. Que lentamente, me enfraquece. Que lentamente, me aquece. Que lentamente, me dá a esperança para que um dia, quem sabe, sejamos os dois verdades unas e possamos voar através da linha que será muito mais do que isso, que será uma tenué diferença entre aquilo que os outros veêm e aquilo que nós somos. Que será, não o término da linha, mas o seu meio, a sua eficácia completa, a sua verdade indiscutível, a sua beleza absoluta.

MFG

dezembro 19, 2009

Love

Calmamente, ela entra no quarto. Liga o rádio na estação que a faz sentir bem. Desce os estores e abre uma fresta da janela. Entra um pouco de ar fresco que a envolve e a faz fechar os olhos. Sente-se diferente, mais madura. Mas, mais inocente. Enquanto pensa como é possível que, com o passar dos anos, vá sentindo menos o peso da idade, sente-o ao de leve. Sabe que entrou no quarto e até aposta que pôs aquele perfume
que ela houvera elogiado. É que a fragrância faz-lhe lembrar do futuro, é por isso que gosta tanto dela..
Ouve-o a dizer palavras feitas de silêncio. Sabe que caminha na sua direcção com a leveza de uma pluma. Com a vontade de a ter só para ele . Fá-la feliz. É única, é isso. Para ele, ela é única.

Mais uma rajada de vento, desta vez um pouco mais ríspida do que a anterior.
Ele pára. Ela roda sobre os calcanhares, mas desiste a meio e fica de lado para ele.
Vê-a de perfil e ela sabe que ele
a acha ainda mais bonita assim. (Já mo disseste, lembraste? Pois não lembras, li-te no olhar.)
Recomeça a caminhar de encontro a ela com
 mais vigor e ela sente-se nervosa. Está a olhar
para as suas mãos que o guiam sempre, que o tocam com carinho e desejo. Está a pensar nos arrepios que lhe causa quando os seus lábios
 tocam o seu corpo. E a sua alma está
ansiosa por a consumir, por se inebriar na dela.
De repente, ela sente uma rajada de vento ainda maior e treme de frio. A janela bate e faz um barulho estrondoso. Ele dá um salto e abraça-a . Ela olha-o nos olhos. E vê o mundo. A sua mão esquerda escorrega pelas costas dela e ela sabe que amá-lo é a escolha certa. Ele fecha a janela com a sua mão, a mão que está livre.
Ele pára . Mexe os lábios como que a desejar dizer algo, mas ela não deixa. Tapa-lhe a boca com um beijo. Absorve as suas palavras com a sua alma. E ele, pega-a ao colo e põe-na em cima da cama devagar. Sem pressas. (Somos só nós os dois. O Mundo morreu.)
Beija-a, ela beija-o. Toca-lhe como nunca ninguém ousou tocá-la. E olha-a como nunca verdadeiramente foi olhada. Quando a noite vem, silenciosa, ela ouve-o a respirar. (E amo-me por te amar.)

Levanta-se, abre a janela e sente o frio
gelá-la e sabe-lhe bem (tão bem!). Ele acorda e olha-a com aqueles olhos feitos
de mundo. Ergue-se da cama e abraça-a pelas costas, todo o seu ser se arrepia, beija-lhe o pescoço e contemplam juntos o luar. Sopra-lhe para o pescoço e é como se toda ela cantasse.
(E tu fosses a obra perfeita de um arte diferente da vulgar, uma arte superior, a arte de fazer amor.)

MFG

Che, minha inspiração

O Teu olhar inspira-me
Dá força à luta para que seja
Finalmente, lutada.
Dá força à vida para que seja
Finalmente, vivida.
O Teu espírito que a Tua placidez
Traz consigo
É tão próprio
É tão Teu
É tão justo
É tão meu.
A forma como encaraste o que
os outros olhavam com desdém,
É como este grito que vai
e VEM!
E é hoje! Mais dias virão, até
que brotará dos céus a verdade escondida,
a luz perdida, a vida esquecida.
E será sempre hoje. E o hoje
será eterno! Não haverá um amanhã,
porque o futuro faz dissipar o hoje.
E sem hoje, seríamos os dois
meras sombras.

MFG

Muitos usam o Teu nome sem sequer o conhecer todo. Pensam que por terem ouvido um pouco sobre Ti que te conhecem. Pareço contraditória, certo? É que eu não sou mais do que nenhum deles. Não posso provar que o que dizem os livros seja verdade, nem sequer provar que foste o que penso que foste. Mas posso ter a certeza que quero ser como tu. Tal e qual como tu. Quero ter um ideal e lutar por ele, mesmo que isso implique sofrer, dar a minha vida, sentir a dor, sentir a felicidade, morrer cedo. Quero amar os outros o suficiente para lutar pelo ideal mais belo da humanidade. Quero provar que todos nascemos com determinado propósito. Eu nasci para isto! Nasci para fazer a voz do povo gritar mais alto, como Tu! Mas tu eras um médico, um guerrilheiro, um homem livre, um lutador, um pintor de realidades, um libertador! Eu amo tudo o que representas sem acreditar que és perfeito. Tinhas os teus defeitos, alguns enormes. Mas, lutaste por um ideal que faz de ti merecedor da palavra justiça, da palavra verdade, da palavra liberdade. Quero ser igual a ti. Quero ser como tu, mas nunca maior: Porque quero que todos anseiem ser-te como eu anseio. Que todos façam da tua imagem, não mero produto de marketing, mas a imagem da revolução que o Mundo ainda hoje necessita. No dia em que te assassinaram, mataram parte da alma da liberdade. No dia em que, pessoas como eu, acreditaram em ti, renasceste. E cada dia, renasces em mim. Eu vou lutar, porque
" Não sou cristo nem filantropo, sou até o contrário de Cristo. Lutarei com todas as forças ao meu alcançe em vez de deixar que me crucifiquem"
Obrigada.

dezembro 18, 2009

Cativa-me



E as rosas ficaram bastante arreliadas.



-Vocês são bonitas, mas vazias - insistiu o principezinho. - Não se pode morrer por vocês. Claro que, para um transeunte qualquer, a minha rosa é igual a vocês. Mas, sozinha, é muito mais importante do que vocês todas juntas, porque foi ela que eu reguei. Porque foi ela que eu pus debaixo de uma redoma. Porque foi ela que eu abriguei com o biombo. Porque foi a ela que eu matei as lagartas (menos duas ou três, por causa das borboletas). Porque foi a ela que eu ouvi queixar-se, gabar-se e até, às vezes, calar-se. Porque ela é a minha rosa.


O principezinho


É preciso ter paciência para ter tempo para guardar um pouco mais de nós no outro.
A vida não pára para nos sentirmos no outro devagar, lentamente, em cada poro.
E a nossa alma não é estanque. E o nosso sangue não circula sempre da mesma forma.
E o Mundo passa rápido demais quando queremos que pare. E passa lentamente quando queremos que passe veloz.
É preciso calar a dor e sermos superiores ao que somos. É preciso voar mais alto dentro de nós mesmos.
O Mundo é grande, mas nada será maior do que nós. Eu sei que finjo que não me importo que o tempo passe. Mas importo. Porque o que passa, não voltará jamais.
(...)







dezembro 17, 2009

Why?

Sometimes I smile
Sometimes I cry
Sometimes I just wonder
Why?

Sometimes I fall
Sometimes I fly
Sometimes I can't wonder
Why?


Sometimes I pray
Sometimes I don't
Sometimes I wonder
What would you say?

Sometimes I sing
Even if I know I'm
Not with you.
But other times
I lie to myself saying
That I don't love you.

Sometimes I look into my own
Mind, soul and heart
And all I see is that behind me
There are a lot of miracles to do
There are smiles, wings and fairytales
There are songs to sing
There are papers to read
And in the end, I don't even know
If I would be able to smile
To sing, to fly, to live again.

Sometimes I just can't stand right
Because I know that I'm always wrong.

MFG

dezembro 12, 2009

A mentira é pura

É de manhã, mas dentro de mim está de noite. Sou um lugar onde tudo o que é natural e lógico se desmotiva e altera-se sem sequer, olhar de soslaio para o que poderia ter perdido. Assim, não posso culpar o Sol por não acordar comigo, mas sim culpá-lo por me ter abandonado. Não soube ouvir tudo o que lhe queria dizer, esqueceu que em mim há o mais que ele nunca viu e, decidiu que nada seria perfeito se assim não fossse. Eu não sei se lhe passou pela ideia que eu sou humana. Ele não.

O vento corre gélido e a neblina é dissolvida nesta transparência que é viver. Opaca é a sobrevivência que incutimos uns aos outros. Sei que é complicado actuar em algo que não sabemos o que é na realidade. Mas o que é a realidade, afinal? Talvez, sejamos todos o futuro e o presente e o passado uns dos outros. Mesmo antes de nos conhecermos, talvez já nos conhecessemos. Como, não sei, mas sinto que é a verdade. E se sinto, presumo que não seja mentira. Pelo menos não já, só depois será mentira. E mentira pura. Sim,mentira pura. Também creio que existe um pouco de pureza na mentira. Para mentir é preciso entendermos os outros, o Outro a quem mentimos tem de ser entendido por nós, pois, caso contrário, não acreditará na nossa mentira. Não por ser mentira, mas por não ser pura.
Sei que a neblina continuará sempre a ser transparente porque conseguimos ver através dela. O Sol continuará a tentar aparecer em redor da minha casa. Mesmo atrás das minhas cortinas. Mas não vou abri-las, não hoje! É que o Sol mente tão bem..

MFG

dezembro 11, 2009

Cansada

Cansada

De pessoas comuns;
De tempestades;
De más-notícias;
De mentiras;
De falsidades;
De orgulho desmedido;
Do que se diz de mim;
Do Sol não acordar todos os dias;
Da monotonia da vida;
De não poder seguir os meus sentimentos;
De escrever tudo sem que ninguém me entenda;
De te dar a mão e não saber quem és;
De pensar no que eu seria se pudesse;
De viver contigo sem estar aqui;
De não poder ler a tua alma..


Eu estou cansada deste cansaço que é não te ser.


« They Will never understand. It´s our little secret! »




MFG

dezembro 10, 2009

Uma fracção de segundos


Anda tirar uma fotografia comigo. Quero recordar este momento para todo o sempre.
O momento anterior ao momento seguinte. Quero ser o momento que fica e que não vai mais embora. Mas não te quero prender. Quem prende, encarcera. Quem encarcera, nega a verdade da liberdade. E eu tenho pureza na alma e essa pureza está em ti, porque tens um pouco dela hoje.



Sabes que ao vires tirar a fotografia comigo, sorriremos os dois simultaneamente. E naquela fracção de segundos, o mundo será maior, o mundo será sempre maior. Daqui a muitos anos, muitos eternos segundos se passarão, até que abras de novo o álbum onde guardas religiosamente essa fotografia. E sei que, por poucos segundos que sejam, te lembrarás de mim. Só de mim. Única e exclusivamente de mim. Não te lembrarás da tua vida presente, dos teus anseios futuros ou dos teus medos e revoltas interiores. Lembrar-te-ás de mim. A que foi o momento entre o que era e o que seria. E serei tua nessa fracção de segundos. E tu serás meu.

Ainda que platonicamente, somos uma única alma, apenas conduzida por histórias diferentes. Essas histórias são feitas de músicas que não tocam a mesma combinação de sons, mas que tocam a disparidade em uníssono. Até hoje, até ontem, até amanhã. O mundo será sempre o mundo. Mas quando recordares que o mundo foi nosso, o mundo tornar-se-á, finalmente, eterno.

Ao que me libertou da mágoa que me limitava,
Um obrigada. Sincero. De poeta =)

10-12-09

dezembro 06, 2009

Frio



Está frio lá fora. E aqui dentro também.


"Tento chegar a ti, em vão.
Acho que não passa de uma ilusão "
TT - Tento chegar a ti

Caminhando sobre o chão gélido que recebe as minhas pisadas. Que me faz lembrar coisas que nunca vivi.
O som que os meus passos fazem ao tocar o chão são o ecoar grave e profundo de que foi em vão.
O ar gélido que toca nos meus braços e que faz emergir dos meus poros a sensação de impotência são a real certeza de que tudo foi uma ilusão.
Fecho os olhos como se dançasse ao som de uma música que vem de dentro de mim. E piso o chão e denoto nele uma leve marca, muito pequena, muito breve. É a marca do que fui.
E de repente, tudo muda. Tudo o que vejo se transforma.
Já não há ilusão, nem nada é feito em vão.
Morri? Não. Renasci.
E lá fora.. o Sol nasceu. Decidi apenas, deixar um pouco de mim naquele chão gélido.
Há coisas que não vão voltar. Nunca mais.

MFG





dezembro 01, 2009

I'm not yours


Há muito mais para além de tudo isto.
Algo ainda muito maior, mas está escondido por entre as folhagens de um passado que ainda não passou.
« That won't make it any better». Nem hoje, nem nunca. É mais difícil viveres pensando que o que vives é a construção falseada de uma promessa por conquistar, ainda por conquistar.
Há ainda uma magia inteira por desvendar. Há um caminho tortuoso, ainda mais tortuoso.
Sou tua, toda tua, meu destino.
E venha quem vier, me entregarei a ti como se a minh'alma já não soubesse como viver sozinha.
Sabendo que não ficarás, que estejas verdadeiramente aqui enquanto estás.
Sabendo que jamais serás, que o sejas enquanto aqui estás.
«I'll stand up with you forever»
Se fores, não mo digas. E quando eu for, sobe até esse sítio que tanto gostas, sente o vento passar por cada poro do teu corpo e sorri. Aí, já nem o meu rasto terás. Mesmo longe, estarei mais perto de ti do que possas imaginar.
« You're mine», but unfortunatelly I'm not yours !


MFG

novembro 30, 2009

Debaixo da chuva

Chega perto de mim,
E diz-me quanto disto é real.
Quero saber como viver.
Até onde vou, até onde sou,
Até onde tudo isto é o ideal.

Se não souberes o que dizer,
Cala-te e escuta comigo o silêncio.
O tempo lá fora morreu.



O tempo aqui nasceu, renasceu.
E será sempre tempo.
O tempo meu e teu.

O mundo não vai querer saber.
Vai fingir que sabe o que senti
Como se eu fosse um simples livro aberto
E tu o escritor que o escreveu.
Como se eu fosse uma simples pintura
E tu a mão que a pintou.
O mundo jamais saberá
O quanto o tempo connosco partilhou.


MFG

novembro 26, 2009

Se ..


Se um dia o que sinto
Pudesse ser sequer descrito
Se um dia o que vejo
Pudesse ser o que almejo
Se um dia o que amo
Existisse em palavras, em linhas, em frases
Se um dia o que sou
For o que gostaria de ser
Talvez, ao invés de ter nascido,
                                                                    Tenha acabado de morrer.

MFG


novembro 25, 2009

O nosso mundo começa..

« Só nós dois compreendemos este amor triste e profundo
Quando o amor acontece, não pede licença ao mundo.»





Que falem não nos interessa,
o Mundo não nos importa,
a nosso Mundo começa
dentro da nossa Porta!


Tiago Bettencourt - Só nós dois


As pessoas vão falar do que viram porque não sabem observar. Irão falar do que perderam porque não sabem o que é lutar para ganhar. As pessoas irão afirmar que ninguém sentiu como elas porque ,no fundo, nada sentiram. As pessoas irão querer voar, porque têm os pés demasiado assentes no chão. As pessoas irão querer sentir o céu, porque a sua arte é mísera e não as conduz à pureza. As pessoas vão sofrer pelo amor dos outros, porque não sabem o que é amar. As pessoas vão querer o abraço que é o nosso, porque não têm coragem de mostrar o que sentem. As pessoas vão resistir a rir de nós, mas nós vamos rir-nos delas eternamente. As pessoas vão tentar entender o porquê de tudo isto e nós vamos dar-lhes a entender que nenhuma estrela é feliz sozinha. E então elas vão querer pedir desculpas pelas promessas que quebraram e nós vamos explicar-lhes com o poder do olhar que " tudo o que morre, também pode renascer ".


MFG

novembro 24, 2009

é perigoso VIVER

"Precisamos do que nos põe em perigo. Evitamos ser destruídos mas aproximamo-nos do que tem força para nos destruir. Guardamos a distância certa mas aproximamo-nos o suficiente para sentirmos o medo mas sem nos deixarmos abater. Sabes porquê? Porque podemos morrer, mas com o medo muda-se. "  . Palavras sábias, as de uma grande amiga minha. Sem saber destronou as ideias que eu tinha, o que me apetecia explicar a mim mesma. Ultrapassou-as, sem qualquer dúvida.
Precisamos realmente do que nos põe em perigo. Não só por a vida ser efémera, mas também porque há no perigo algo misterioso, e esse misterioso é mágico. Realmente, ninguém conhece em nós o que nem nós conhecemos. Será?
Tentamos ir caminhando fieís aos nossos valores e ideais, mas e depois?
O despertador toca. O dia começa de novo e o sol está lá em cima no céu, imóvel, mas parece sorrir. Misteriosamente também. E o dia muda, algo na sua essência se altera. É o medo por saber que o medo nos gela. Nos congela. Mas também é o medo que nos aquece, que nos conforta. É ainda mais difícil poisar o olhar nos outros agora. Porque algo dentro de mim mudou. Como uma flor que desabrochou? Ou como uma vaso que se quebrou?
Há mais mistério pela frente, há mais história para viver, para querer viver. Há ainda mais perigo no resto do caminho que aí vem. Mas existe, existe algo que me faz crer que é perigoso viver.. Mas ainda mais perigoso do que viver é não viver, é sobreviver, é ser uma « mera sombra daquilo que se é.»
Agora é acreditar no que digo e no que penso. E seguir até ao infinito e quando lá chegar voltar ao ponto de partida . Voltar ao Sol que, luminoso, sempre acreditou naquilo que eu seria capaz. Voltar à Terra que me viu nascer. Porque eu sei que o perigo existe, é iminente, mas também sei que depois dele, nada irá restar, para além da pergunta peremptória.. Para além do não-saber até que ponto aquilo em que se acredita existe realmente.

« The world wouldn't be the same without you »

MFG

novembro 23, 2009

Terei todo o tempo?

Cada um de nós tem em si todo o tempo do mundo. Todo o tempo para buscar o tempo. Todo o tempo para fazer algo mais. Todo o tempo para mudar os seus objectivos. Todo o tempo para jogar de novo os dados e ver com mais calma o que saiu desta vez.

Temos todos as mesmas possibilidades de escolher, só não temos as mesmas situações. Somos todos eternamente livres, mas muito poucos o sabem. Muito poucos acreditam que o tempo só passa se passarmos com ele tal e qual o modo como o rio flui. Muito poucos observam com o coração como se todos nós descendêssemos da divindade da qual eu própria duvido. É raro o ser que acredite em algo verdadeiramente, mas tão verdadeiramente que desse a sua própria vida, a vida de dentro e não a de fora, a vida que nos faz ser o que somos e não a que nos faz ser uma mera sombra de nós mesmos. E, por isso, é raro o ser que chore com a vantagem de saber que as lágrimas salgadas que derrama se irão converter num sorriso eterno e revolucionário.
Aperta a minha mão e espera que eu aperte a tua com convicção e segurança. Não tentes caminhar com segurança porque eu sei que precisas da minha sombra ao teu lado, mesmo que não seja mais do que isso. Todos precisamos de algo que nos diga que conseguimos ir mais longe mesmo que esse algo não consiga falar. Um mero e simples suspiro fala mais profundamente do que a conversa mais elaborada.
Eu disse-te sempre, o silêncio é ensurdecedor.


novembro 22, 2009

Que..?

Que vida é esta que passa a correr sem me dar tempo de parar?
Que sangue corre nas minhas veias que não me deixa ser diferente?
Que voz é esta que ecoa em mim?
Que vazio é o que se interpõe entre o que sou e o que deveria ser?
Que silêncio é esse que nos faz ficar surdos?
Que laço nos une se tudo nos separa?
Que coração é este que hoje sangra de raiva, de dor, de mágoa?
Que morte é esta que não quero, mas que vem?
E... Que sentimento é este que foge? E que fica?





MFG

novembro 21, 2009

Now that's all I got



'Did I ask too much?


More than a lot?


You gave me nothing


Now that's all I got!'

Quem sabe se um dia eu não irei mudar

Quem sabe se um dia o eu que sou não irá morrer

Quem sabe se um dia não te irei amar

Quem sabe se um dia o eu que fui não voltará a nascer.

Diferente? Única?

Nada, rigorosamente nada. Apenas. Só e apenas.

MFG

novembro 19, 2009

Será?

Será que sentes frio por eu não te aquecer?
Será que sentes um vazio por eu não estar aí para te preencher?
Será que te sentes em baixo por eu não te poder levantar?
Se a resposta a tudo isto é sim, esquece-me. Não te quero amar!



MFG




Fazes-me pensar até que ponto não somos todos produto da tua falsidade, até que ponto não somos os que vestiram as tuas vestes e colocaram a tua máscara. Até que ponto a tua mentira não é a nossa verdade. Mas, depois disto, fico sempre a meditar sobre até que ponto a tua mentira vai perdurar, até que ponto vamos continuar todos a rirmo-nos das tuas piadas sem sabermos que escondes uma profunda tristeza.
Também não sei de nada. Estou aqui, mas no fundo, nunca estou no mesmo sítio em que está o meu corpo. Estou sempre mais acima ou mais abaixo, mais profundamente ou mais superficialmente do que o que me rodeia. Mas não sou falsa, pois mais honesta é impossível. Sou o que o teu ser perdeu por desejar mais do que eu. Sou o que ainda tem um longo caminho pela frente. Perdoa-me por não ter errado. Perdoa-me por não ter motivos para pedir perdão. Perdoa-me mas não mo digas. Mostra-mo. Agora é mais importante assim.

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