dezembro 31, 2010

o melhor que nos podia ter acontecido

Andamos todos a ser enganados nisto tudo. Primeiro, dizem-nos para seguirmos os nossos sonhos, aquilo que idealizamos todos os dias como o melhor que nos podia ter acontecido. Depois, dizem-nos que não, que não é possível, sonha um pouquinho menos, porque isso não vai resultar. E cortam-nos parte da alma, aquela parte que nos faz levantar todos os dias para viver mais um dia com esperança e confiança. Tiram-nos esse pedaço da alma sem nos pedirem permissão. Sem quererem saber como nos iremos sentir a seguir. Eu digo-lhes que não, que não me fazem frente, que não conseguirão, pois isto foi o melhor que me podia ter acontecido, mas eles não acreditam e fazem troça de mim. Dizem-me que sou nova demais, que eles são muito mais do que eu só por aos meus anos se lhes acrescentar idade e destroem. Destroem um sorriso sem saberem que cai mais uma lágrima e dá mais uma dor no peito. Não sei que lhes hei-de dizer. São mais velhos, talvez tenham razão.
Andamos todos enganados sem saber. Portamo-nos como se nunca fossêmos morrer e quando alguém que amamos se vai, a vida passa a ser outra coisa. Sonhamos ainda mais, não por nós, mas por ela, por ele, por eles. Sentimos que devemos à vida a própria existência e sem nos preocuparmos com as sombras que se tentam pôr no nosso caminho, vivemos mais um pouco. Tentamos sempre viver tudo até ao limite. Sem medos, sem receios e ao fechar os olhos vemos de novo a parte da alma que se perdeu. Que se perdeu, que nos tiraram sem dó nem piedade.
Isto é que é o melhor que nos podia ter acontecido, sermos assim e não como eles querem. Sermos fogo e não água, sermos o diabo e não um anjo que lhes acena afirmativamente. É isto o melhor que nos podia ter acontecido e continuará a acontecer: o sonho. O sonho de poder sonhar mais um dia, o sonho que nos abre a visão para o horizonte, o horizonte que nos chega despido de preconceitos, os preconceitos que, pela sua ausência, nos aparecem nus de verdade, a verdade que nos mostra que isto era o melhor que nos podia ter acontecido.

MFG

dezembro 26, 2010

imortal

Constrói tudo de novo como se o castelo nunca tivesse caído. Agarra o pouco que falta do nada que sobrou e faz de ti a estrela mais alta do mundo. Leva-me contigo, esquece os outros, esquece que há alguém ou algo para além de mim, para além desta existência que nos alimenta, purifica e alegra..

Conta-me os teus sonhos, as tuas magias, o que guardas lá no fundo da tua alma. Conta-me o momento em que vês o sol a nascer para que eu posso renascer nesse instante concreto. Se queres realmente a imortalidade, conta-me o que és, o que foste e o que serás. Conta-me algo mais do que contas aos outros seres, tão mortais, tão comuns, tão sós. Conta-me e eu juro.. Juro dar-te de mim não o melhor, não o pior, mas o impossível. O que guardo especialmente. O que não é fabricado mas vive comigo. O que, talvez, quem sabe, estivesse na realidade, destinado para ti.

MFG

dezembro 18, 2010

Who are you?

Dia a dia olho-te e penso no que serás. Penso se serás o que me parece que sejas ou se serás exactamente o oposto. Serás o céu limpo e calmo? Ou serás o céu nublado e revolto? Penso se serás o que, no fundo, sou eu. Serás o mar agitado numa noite calma? Ou um mar calmo numa noite agitada?
Em cada noite penso em ti. Penso numa fórmula miraculosa que me permita conhecer-te na realidade. Conhecer-te como és realmente e não como eu desejo que sejas. Uma fórmula que me permitisse descobrir até que ponto somos seres tão erróneos que pomos nos outros os nossos desejos mais íntimos em prol da real compreensão do seu ser tão singular. 
Por isto, dia a dia, olho-te. Olho-te para que não saibas que te olho e não mudes o teu olhar ao saberes que te olho. Quero que sejas mau se assim o fores. Quero que sejas bom se assim o fores. Não quero que sejas mau por saberes que te olho. Ou bom por saberes que te avisto. Quero que erres porque simplesmente erras e não para que eu te console por teres errado.
Quero discernir isto tudo e de preferência antes do que sinto acabar. Antes que a minha vontade de te entender acabe, termine, se desvie, resvale para outros caminhos. Antes que o meu coração bata por outros motivos.
"Nunca parto inteiramente", pois fica sempre parte da vontade de te entender. Fica, porque essa vontade fica "presa à nascente", fica no sítio onde começou, onde nasceu. Mas, inevitavelmente, irá o resto, o quase tudo mas que não é tudo, mas que só eu entendo que não é o todo, pois aos outros passa despercebido. Por isso, não te refugies na amargura de não saberes quem és, deixa a racionalidade de lado, pega nela e põe-na numa gaveta, fecha-a a sete chaves e perde-a ou então dá-ma ( pois eu juro que a vou perder) e vem. Vem de vez, porque desta vez, eu vou partir.

MFG

dezembro 13, 2010

amor?

O amor está demasiado perto do ódio. Não por serem semelhantes, mas sim pela força do que os une. É preciso aprender a amar todos os dias. E é por isso que somos todos falsos: hoje não amamos como amámos ontem. Amanhã, iremos, inevitavelmente,amar de forma diferente. O amor é, por isso, um fingimento. E que somos nós, meros detentores da falsidade, já que todos vivemos à procura de amor?

Não me consigo expandir dentro de mim própria. Limita-me a razão e diminui-me o sentimento. Sou prisioneira da minha própria liberdade.

dezembro 08, 2010

fingimento

Vivemos todos a fingir.

Deixem-me sozinha

Ao olhar para trás, não desejo reaver o que perdi. Só desejo voltar a ser diferente. Diferente dos outros. Diferente de todos. E não é isso que se passa. Passei a ser igual a todos. Não sou capaz de me diferenciar de forma alguma. Padeço desta ausência de sentido. Já não sei quem sou. Tornei-me naquilo que sempre critiquei nos outros. Tornei-me numa pessoa em que não se pode confiar. Tornei-me nisto. Tornei-me num pedaço de escuridão em busca da luz sem saber onde procurar. Passei a olhar os outros como os outros olham os outros e não como eu olho os outros. Passei a não saber distinguir a realidade da ilusão por já não saber sonhar. Passei a evitar resolver o que custa resolver. Passei a ser um mero vazio. Passei a desacreditar nas minhas enormes crenças que, por isso, se tornam cada vez mais ínfimas. Tornei-me nisto e não naquilo. Tornei-me naquilo e não nisto. Mudei. Mudei muito. E, a tua voz há pouco, aquela forma como soou a desilusão, fez-me entender tudo isto. Se isto é tudo verdade, então que faço ainda aqui? Vou viajar. Viajar dentro de mim e encontrar-me de uma vez por todas. Vou sair desta prisão que me encarcera. Sinto as amarras da liberdade sem sequer a possuir. Deixei de escolher e passei a deixar que escolhessem por mim. Só que ao olhar para trás, vejo alguém desconhecido. Não me conheço. Não conheço essa pessoa que, em tempos, fui eu. Deixem-me sozinha. Quero pensar. Quero abraçar-te para sempre. Quero viver-te de novo, como se fosse a primeira vez. Deixem-me sozinha. Mas caminhem ao meu lado. É que eu não sei quando a música vai parar. Quando o som feliz que me alegra irá estagnar. Mas, por favor, deixem-me comigo, a tentar descobrir-me ou ainda sem me conhecer: deixem-me sozinha.

novembro 22, 2010

Resistimos



"Si senor, si senor, somos la revolucion, tu enemigo es el patron!"

MFG

novembro 21, 2010

olhar

Angustia-me que os teus lindos olhos escondam uma história triste. E que tu saibas que a história é triste e não compreendas que os teus olhos são lindos.

valerá?

"Tudo vale a pena quando a alma não é pequena", escreveu um dia Fernando Pessoa.
Custa-me muito discordar dele, mas não posso concordar completamente com esta afirmação. Vale a pena, às vezes, isso é certo. Mas nem sempre. Valerá a pena substituir a persistência pela insistência só para atingir um objectivo? Valerá a pena irmos em busca de uma realidade que sabemos mais do que ilusória? Valerá a pena, ainda que com a maior alma do mundo, amar quem sabemos que jamais nos irá amar? Valerá a pena fazer escolhas quando vamos perder sempre? Depois de tudo isto, valerá a pena ouvir a música que me faz reviver o impossível de resuscitar? Valerá a pena fingir que tudo está bem, ainda que isso seja o mais sensato a fazer?

Se ao menos valesse a pena amar-te. Ou se eu tivesse uma alma suficientemente grande para isso.
MFG

novembro 14, 2010

a noite

Queria viver a noite dentro de mim pelo lado positivo. Pelo lado das estrelas. Pelo lado da escuridão que alegra o peito. Pelo lado da lua que se acomete sobre nós. Pelo lado da calmia causada por um dia inteiro de vida. Pelo lado da esperança de um novo dia. Pelo lado bom: o lado do amor, o lado do entrelaçar de almas eternamente, o lado do conforto, o lado do passeio inerte, o lado das conversas despreocupadas, o lado das vivências inúteis e, por isso, as que valem mais a pena. Pelo lado que nunca ninguém se lembra quando a vê: o lado que beija o companheiro, o lado que abraça o vazio tão, mas tão preenchido, o lado mais ternurento da noite. Eu queria inserir a noite em mim. Queria o seu negro, não o negro putrefacto, mas o negro puro, não negro de ódio, mas o negro do alegrar das almas. E, após uma noite bem passada, a beleza da aproximação do pôr-do-sol, a beleza de mais um dia, a beleza de estarmos vivos e a fusão da noite que passou com o dia que vai nascer, a certeza de que mais uma vez, viemos ao mundo para fazer muito mais do que sobreviver: viemos para viver.

MFG

outubro 29, 2010

Depende

Almeida Garrett, coloca numa das suas obras mais relevantes a seguinte questão: ‘E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico? ‘
Esta pergunta tem permanecido sem resposta, provavelmente porque, tal como muitas vezes acontece, a resposta dos economistas políticos é ‘depende’Depende porque não é a eles que a pobreza chega, porque não é a eles que a pobreza limita quando não se é limitado, porque não é o corpo deles que gela de frio, porque não é o estômago deles que está colado às costas. Depende sempre. Mas é este relativismo que faz da sociedade aquilo que nunca se deveria ter tornado: uma sociedade capitalista, sem sentimentos, sem a lágrima que cai quando um ser humano dorme na rua, quando um ser humano se sujeita a tantas indignidades, quando um ser humano, deixa de acreditar que há saída e só deseja adormecer para nunca mais acordar. É isto que fazes tu, ó capital!
MFG

outubro 16, 2010

a arte de bem viver

Há duas palavras que me caracterizam, ou pelo menos, eu tento que o façam: Utopia e Ética.
Deixando de parte a palavra Utopia, quero debruçar-me sob a palavra Ética.
Que sentido faz a Ética nos dias de hoje? Será que ainda existe?Vale a pena pensarmos acerca destas questões ou somos todos deterministas, e isto não vai a lado nenhum com reflexão?
Dizem os autores entendidos no assunto que um ser ético-moral é aquele que considera imparcialmente os seus intereses e os interesses de todos os que serão afectados pelas suas acções, é aquele que reconhece princípios éticos de conduta, é aquele que não se deixa guiar por impulsos, mas "escuta a razão" mesmo que isso implique rever as suas convicções, é aquele que age com base nos resultados da sua deliberação independentemente de pressões exteriores, fazendo escolhas autónomas, é aquele, por fim, que se guia por valores e ideais que reconhece como certos - bons - para se tornar um melhor ser humano.
Sempre defendi, mesmo sem saber o seu nome técnico, a Ética e a necessidade de a seguirmos para que o mundo se tornasse menos desigual e injusto. Muitos acham que não há uma real necessidade de pensarmos no Outro, que devemos fazer aquilo que nos apetece, que devemos fugir quando os problemas nos aparecem à frente, que não importa se a pessoa ao nosso lado está a ser espancada, o que importa é "safarmo-nos". Nunca pensei assim. Sempre pensei, mesmo sem saber o que pensava, que existia em mim algo de diferente em relacção a estas questões. Por um lado, era-me e é-me impossível assistir a uma qualquer injustiça, seja comigo ou com outras pessoas, sem agir em concordância com os meus pensamentos. Por isso, considero-me justa. Além disto, nunca deixo de me questionar. Não existem certezas absolutas e ainda bem. Posso acreditar que aquele caminho é o caminho ideal, mas se, por um qualquer motivo, houver algo que me faça ter algumas dúvidas, eu páro e penso. Penso no que é mais justo, penso no que me parece mais correcto, penso no que vai acontecer se fizer isto ou aquilo, penso nas pessoas que irão receber essa acção, penso como a irão receber, penso o que faria a outra pessoa no meu lugar, ponho-me no lugar da outra pessoa, tento imaginar o que ela sente e assim, depois de muita auto-crítica e reflexão profunda, concluo que o melhor a fazer é determinada coisa.
Isto não significa que não erre. Erro, e erro muito. Como qualquer outra pessoa. Sou errónea, sou um pouquinho só do que espero ser um dia e, como tal, cometo muitos erros, muitos deles que poderiam ser evitados.
Kant, um dos melhores filósofos de todos os tempos, no meu ponto de vista, costumava dizer que devíamos agir imaginando que a nossa acção se tornaria uma lei universal. É uma das frases em que penso sempre que tenho algo para decidir, algo importante, algo relevante na minha vida ou na vida de outra pessoa. Penso se aquilo que me parece mais correcto, se podia tornar uma lei universal. Se concluo que sim, em princípio, estarei a agir bem. Se concluo que não, o oposto verifica-se.
Vários autores deram o seu vasto contributo para as questões da ética. Vários autores reflectiram, tal como eu, até que ponto determinada acção era boa, era justa e, essencialmente, por que razão o era ou não o era. A questão mais relacionada com a ética, e talvez aquela que a faz compreender a fundo e amá-la tanto como eu a amo, seria esta "Que princípios devem orientar a vida humana?" e parte do princípio, "A vida humana tem um valor incalculável.".
Costumo usar uma designação quando respondo a alguma questão: " Não é justo". Também Kant o dizia,( e obviamente, quem o copia sou eu), que é o mesmo que dizer que se opõe ao dever. O dever de não matarmos, não roubarmos, não usarmos alguém como meio para atingir um fim, entre outros. Há quem tenha uma religião e reze a um Deus imaginário e , muita vezes, seja injusto, imoral, hipócrita e falso. Já eu, tenho a Ética, respiro a Ética, adormeço e acordo com a Ética, e tento ao máximo, agir com a Ética, pela Ética e para a Ética. Tendo sempre presente que "A ética é a arte de bem viver", já dizia a minha extraordinária professora de filosofia, Ana Bela Braga.

MFG

outubro 12, 2010

vivemos?

Vivemos uns contra os outros numa espécie de redoma de vidro. Achamos que ao não incluirmos os outros na nossa vida, nos protegemos deles. Mas não é essa a verdade. A verdade é que só nos protegemos de nós próprios. Nunca abrimos o nosso coração à nossa alma. Nem a nossa alma à nossa cabeça. É indecente! É indecente acharmos que podemos ter todas as vidas à nossa volta se ainda nem temos a nossa própria vida. É injusto acharmos que as outras realidades nos conseguem compreender se nós não fazemos o mínimo esforço para as compreender.
Vivemos num plano paralelo. Num plano que não é nosso. Ou é porque queremos e não temos o que queremos, ou então, temos o que não queremos. Perdemo-nos ao tentarmos encontrar-nos. Encontramo-nos quando achamos que nos tínhamos perdido. Somos, assim, um vazio tão difícil de preencher e um preenchimento tão vão.

MFG

é o tempo que quiseres

Fazemos sempre o que não devia ser feito. Não que não sejamos inteligentes. Não que não sejamos perspicazes. Não que não tenhamos as ideias no lugar. Apenas padecemos da doença da racionalidade. O que acaba sempre por acontecer é que, de tanto pensarmos, de tanto calcularmos as variáveis que existem em determinada questão, nos cansamos, nos retiramos a nós próprios, e acabamos como tu: sozinhos julgando-nos acompanhados, inseguros julgando-nos capazes de qualquer coisa, infelizes julgando-nos a pessoa mais feliz do mundo. Quanto tempo dura isso? Dura até pensares com a irracionalidade, dura até sentires de novo, dura até pegares no coração, dialogares com ele e descobrires o quão lindo é o mundo quando, deixamos de lado o que nos torna humanos, e atentamos ao que nos torna Pessoas.


E disse !

MFG

outubro 08, 2010

a quem eu amo

Talvez a calma da música me tenha feito entender. Ou então, poderá ter sido o frio que entra pela janela e me faz tremer. Ou então, ainda se põe a hipótese de ter sido o sol que não consigo ver, pelo menos hoje. A verdade é que entendi. Entendi que não interessa o quanto amas alguém, pois algum dia essa pessoa irá trair-te ou magoar-te. Entendi que não interessa o quanto dás a alguém, o quanto tiras de ti ainda que isso custe imenso, pois no futuro essa pessoa irá esquecer isso por momentos. Entendi que por melhores intenções que tenhas, é preciso duas pessoas para existir uma dupla. Entendi que não basta existir vontade de um dos lados, pois isso acabará em separação ainda que haja uma suposta união. Entendi que há realmente coisas que eu não posso mudar por mais que tente. Entendi que não tenho de me culpabilizar por nada uma vez que dei tudo o que tinha e ainda mais um bocadinho. Entendi que, por mais que eu queira, a verdade é que todas as pessoas têm de aprender com os seus erros. E não é por eu amar alguém que tenho o direito de a querer ensinar à força. Da mesma forma que eu aprendo com os meus erros, a quem amo acontecerá o mesmo. Agora, a verdade é esta. Compreendi profundamente tudo isto. Mas, fundamentalmente, entendi que, por mais voltas que dê à minha vida, jamais irei esquecer esta dor, jamais irei olhar em frente sem olhar primeiro para trás. Só espero que o que sinto hoje, não me impeça de poder aceitar os outros como são, ser como sou, e conseguir amar mais pessoas, ajudá-las, mostrar-lhes um pouco do meu mundo, do que eu penso sobre a vida. Só espero que quem eu amo seja feliz. Seja feliz assim ou de outra maneira, já que não o quer ser comigo. A verdade é que não podemos obrigar alguém a fazer parte da nossa vida se essa pessoa assim não o desejar. E demorei tempo a entender isto. Não se tratava de ser orgulhosa nem nada do género, mas tratava-se de amor verdadeiro, tratava-se de saber que algo se passava. Mas, como pude reparar que não era só em relacção a mim, mas em relacção a tudo o que era vida para alguém daquilo, sosseguei. Sosseguei, porque sei que ainda tens muito para aprender, muito para jogar, muito para cair, muito para guardar, muito para chorar, muito para sofrer. E eu tenho sempre estado lá para minar tudo isso. Mas não te posso empurrar para o caminho se não estás lá. Tenho empurrado o vazio, isso sim. E se agora, a pessoa que eu amo, está tão segura de si, terá de fazer o caminho sozinha. Eu tenho pessoas que me amam e não me deixam cair e pretendo conseguir ter mais umas quantas. Já, a pessoa que eu amo.. Tenho dúvidas, tenho muitas dúvidas. Nunca deixei que lhe faltasse nada. Nem amor. Nem auxílio. Nem um ombro amigo. Mas não consigo ser rejeitada tantas vezes e continuar a ir em busca de um caminho onde só há obstáculos. Sou persistente, mas o meu coração não é de pedra. Nem eu vou deixar que fique. Ninguém merece que eu sofra assim. Nem a pessoa que eu amo.

MFG

outubro 07, 2010

não!

Não gosto daquilo que vejo. Não gosto porque não me parece bonito. Não me parece justo. Não me parece fiel aos valores que tenho dentro de mim. Não me parece bem. Não me parece viável. Só não sei é bem o que vejo. Não é que não o saiba em mim, só não o sei explicar com todas as palavras, porque elas não iriam chegar. Não é que não sejam suficientes, mas eu sempre tive demasiado respeito por elas, não quero defraudá-las, dissecá-las, diminuí-las, aterrorizá-las. É sempre o que faço com aquilo que amo.

"A morte não me assusta, o que assusta é a forma de morrer"

MFG

outubro 03, 2010

preciso de ti

Preciso de uma alma nova.
Preciso de objectivos novos.
Preciso de pessoas diferentes.
Preciso de pensamentos opostos.
Preciso de sorrisos sinceros.
Preciso de momentos verdadeiros.
Preciso de relacções espontâneas.
Preciso de marés positivas.
Preciso de certezas indiscutíveis.
Preciso de fotografias longe daqui.
Preciso de beijos com sentimento.
Preciso de abraços daqueles que duram anos.
Preciso de desabafos e de desabafar também.
Preciso de dançar sem olhar em redor.
Preciso de cantar contigo de novo.
Preciso de escrever em todos os cantinhos do meu caderno.
Preciso de ti ao meu lado em todas as aulas.
Preciso dos teus olhos azuis.
Preciso das tuas ironias.
Preciso dos teus reparos.
Preciso dos teus gritos que me fazem ser feliz.
Preciso dos teus gestos muito "finos".
Preciso da tua doçura.
Preciso dos teus conselhos.
Preciso que acredites em mim.
Preciso de ti porque sempre me ouviste.
Preciso de ti, porque sem ti, isto não passa de mero vazio.

Minha V.
Minha I .
Minha V.
Minha C.
Minha T.
Minha V.




É óbvio que eu sou o burrinho <'3

setembro 28, 2010

hard

É difícil imaginar um contexto pior do que este. É lá fora, é cá dentro e é no espaço entre um e outro. Onde tudo se passa. Onde tudo morre. Onde tudo renasce. Onde tudo se inspira. Onde tudo acaba. Para sempre. Também sei que não vou conseguir entrar dentro de ti outra vez. Não vou conseguir buscar-te e encontrar-me. Não tenho de o conseguir. Não devo consegui-lo. Custa-me imaginar como isto chegou a "isto". Como aquilo se transformou "nisto". E o porquê também me custa. Fundamentalmente o porquê. Desagrada-me saber que mentes, que te iludes, que te escondes. Mas desagrada-me mais ainda saber que me mentes, que me iludes e que te escondes de mim.

MFG

setembro 20, 2010

Praxis (ou então não)


Tu acreditas nisso, mas eu não. E se não acredito, por que raio tenho de dizer que acredito enquanto olho o chão demoradamente e te obedeço cegamente?
Sou ( somos) um ser humano. Ora bolas.

Não sou revoltada, apenas tremo perante injustiças e maus-tratos. E não, não vou pedir desculpas por ser assim.

MFG



setembro 18, 2010

Sonha


Sonha. Apaga de ti o medo. Sonha. Apaga de ti a ideia de inevitabilidade. Sonha. Apaga de ti a tristeza. Sonha. Apaga de ti a falta de coragem. Sonha. Apaga de ti a vergonha. Sonha. Sonha por ti. Sonha por mim. Sonha por todos nós.

Amo-te Vera. E confio em ti.

MFG

setembro 09, 2010

De nada vale

És a sombra viva de quem já foi e não voltará. Pereces tal qual uma alma penada. Tal qual um pouco do que resta quando já não há mais nada. Clamo por ti. Choro por ti. De pouco ou nada vale. Foste ensurdecida pelo tom rosáceo. Foste emudecida por uma das ligações superiores. Foste cegada pela areia grossa que, com o teu consentimento, entra em ti, dia após dia. Que, com o teu consentimento, quebra o ar, quebra a terra, quebra a água, quebra a vida, quebra tudo uma vez que já não há mais nada que se possa quebrar. Desfizeste-te em pedaços de nada, pedaços baços onde não espelha a grandeza nem a glória, onde não espelha a humildade nem o respeito, onde não espelha nada do que um dia espelhou. Não há culpas quando se vive a vida. Há culpas quando se mata quem sempre viveu a vida. Quem sempre pegou na vida e fez dela luz para tu te poderes sentir iluminada. E fez dela caminho para poderes passar. Fez dela um muro para nunca olhares para trás. É por tudo isto que não há culpas, pois não as poderia haver. Sem ti, quem és tu? És um pouco do conjunto, um pouco de ambos, mas o vazio é que se encerra em ti. A perda, a perda já nada te diz. Como te poderia dizer, se até tu própria estás perdida? Se até tu própria já não te conheces?
Aqui já nada custa. O próximo caminho chama-se felicidade, chama-se conquista. Sem ti. Desta vez, é sem ti. Só tenho compaixão por ti, por saber que quando ambos descerem, cairás, te revoltarás, e já ninguém te irá levantar, porque há um limite para tudo, há um limite para a dor, um limite para a mágoa, mas, (in)felizmente, também há um limite para o amor. E esse limite foi atingido quando senti em mim que eras ainda mais estranha do que todas as pessoas do mundo que ainda não conheço. Quando senti que vivias uma falsidade e dela não querias sair. Quando senti que já nada havia a fazer. Deixo o livro contigo. Deixo todo o meu livro contigo. Não existe nada de mim que não conheças. E eu julgava o mesmo. Julguei mal, também tenho esse direito. Errei o juízo, mas não me enganei no caminho, pois o caminho agora, é meu!



MFG

agosto 31, 2010

Não esqueceremos

É preciso acreditarmos mais em nós. Acreditarmos que tudo isto é um percurso, um tanto ou quanto complicado, mas que é necessário fazer. É necessário porque estamos presos às amarras da ignorância, no fundo da caverna de Platão e o que vemos são só e apenas sombras. Todavia conseguimos saber que há algo mais do que isto, que ísto não é nem pode ser o melhor que podemos ter. E é por isso que lutamos, e é por isso que sacrificamos a nossa própria pessoa, e é por isso que choramos quando o mundo nos vira as costas. Nós sabemos que não é fácil. Nunca foi. Nem nunca será. O vencedor morrerá sempre sozinho, mas rodeado de tanta gente que a cegueira não fez esquecer.

Democracia a mais cria uma espécie de anarquia, não?

MFG

agosto 29, 2010

.


Palavras para quê?

"O traidor há-de pagar"

MFG

agosto 22, 2010

CAMARADAgem

Um brilho.
Um momento.
Um olhar.
Uma curva mais apertada.
O calor a bater na pele.
A maré que estava baixa de manhã.
E que já não estava à tarde.
O som dos martelos.
A enxada na mão.
Os risos cúmplices.
A camaradagem.
As pinturas.
A água que escorre nas nossas faces.
É a Festa, camaradas!
É a Alegria, camaradas!
É o Comunismo, camaradas!
É a Festa do Avante 2010!
Mais um ano em que ninguém nos conseguiu derrubar.

Hasta la victoria siempre!

agosto 08, 2010

um pensamento

Acho que não vale de nada: exijo demasiado das pessoas para depois me desiludirem como todas as outras. Talvez tivesse valido mais não exigir nada delas. Talvez assim, pudesse iludir-me sem medo de me desiludir a seguir.

MFG

pequena dor


A tua pequena dor
Quase nem sequer te dói

É só um ligeiro ardor
Que não mata mas que mói
É uma dor pequenina
Quase como se não fosse
E como uma tangerina
Tem um sumo agridoce

De onde vem essa dor
Se a causa não se vê
Se não é por desamor
Então é uma dor de quê?
Não exponhas essa dor
É preciosa é só tua
Não a mostres tem pudor
É o lado oculto da lua

Rui Veloso, uma enorme vénia :)

agosto 06, 2010

o risco


Não há nada melhor que pisar o risco. Nem nada pior.
Nem nada melhor do que não ter de/nem querer provar nada.
Deixem-me ser livre, por favor.

 MFG

                                                                                                                         

do meu próprio engano

A saudade que sinto não passa de um engano, um engano feito por mim própria. Sem este engano, a vida passaria na mesma. Da mesma forma. É por isso que tenho a maior culpa em tudo isto. Eu enganei-me, não foste tu que me enganaste. Tu só fizeste o teu papel. E eu perdi por tentar não fazer papel nenhum, por tentar ser sempre eu mesma. Agora só quero deitar isto para trás das costas, lá bem longe no tempo. Não temo nada que venha, não temo o que virá. Não temo porque já pouco ou nada tenho a perder. Na realidade, tenho tudo a perder e, é mesmo isso que me magoa.
Que me atormenta. Que faz com que, à tua semelhança, minta para mim mesma,me convença de que o mundo é o que vemos e não tudo aquilo que ainda não conhecemos.

MFG

agosto 04, 2010

?

Vou ou não vou?
Talvez não vá porque não te tenho aqui. E talvez não vá porque ainda não sei até onde quero ir.
Acho melhor esperar mais um pouco. Mais uns tempos. E fazer tudo com calma. Devagar. Já chegou morrer uma vez, não sei se aguentaria outra.

" A minha paixão por ti era um lume que não tinha mais lenha por onde arder."
Rui Veloso

agosto 02, 2010

(L)


Ciclo

Inspiro profundamente. Sei que agora já é tarde. Levantei-me cedo demais, caminhei devagar de início e depois mais celeremente. Caí. Deste-me a mão de novo. Não a quis. Deste-me mais uma vez a mão. E eu recusei mais uma vez. Saíste de cena.
Expirei a medo. Sei que agora já é impossível. Fui orgulhosa, não soube dizer o que sentia. Quis levantar-me, mas não havia nenhuma mão que me puxasse para cima. Nenhum olhar que me perseguisse. Fui tentar buscar forças a mim própria. Achei-me vazia. Mas vazia me consegui erguer.
Voltei a respirar. Respiração calma. Compassada. Devagar. Sem receios. Dei um passo agarrada ao corrimão dos sonhos, subi um degrau da escada da eternidade. Ao subir o segundo... caí. E ao cair, voltei a inspirar profundamente e começou tudo de novo, tudo do princípio, como aliás, sempre me tem acontecido.

MFG

julho 17, 2010

A.

O meu pai sempre me ensinou a ter calma. " A paciência é uma grande qualidade", diz ele. Peço desculpa, mas há momentos em que não consigo tê-la. Primeiro, porque não és importante para mim. Segundo, porque te baseias num discurso falso, retórico e fascista. Tenho pena de ti. Ou então não. Falta-te a sensibilidade. E eu tenho-a. Por isso, deixa lá isso.

P.S: E como sempre, lá tenho eu de provar o que penso. Já os outros podem discursar de uma forma puramente especulativa. E ando eu aqui a tentar achar a luz que se perdeu.


MFG

julho 13, 2010

Let me alone

Quero um tempo para pensar.
Quero que me deixem todos em paz.
Não quero que vocês se vão embora.
Mas vocês querem. Nem se lembram que eu existo.
Estou magoada com todas e com cada uma
em particular.
As coisas podiam ser diferentes
Mas esse não é o vosso desejo
E como tal não vos vou obrigar a algo que não desejam.
Fico por aqui. Sozinha. Com os meus sonhos
Mas sem vocês para os sonharem comigo.
Temos pena? Não, não tenho pena. Tenho mágoa.
E essa é, sem dúvida, bem pior.

MFG

julho 10, 2010

Adeus

Estou a erguer-me desta dor que me tomou de assalto.
Esta dor que me levou como o vento leva as folhas.
Provocada pela inocência, achava eu.
Provocada pela imprudência, afirmo eu.

Hás-de sentir a dor que eu sinto
Não to desejo com maldade
Mas desejo que sintas o que é
O desprezo, o desvalor, a inverdade

Não colho rosas
Pois rosas não plantei
Mas nos picos me enterro
Pois neles me deitei

Sei que nos teus olhos alguém vê verdade
Mas eu só mentira vejo
Independentemente de tudo,
É em ti que me erro

Sobretudo por saber
Que nada mais mereces de mim
Esta dor que me assola
Esta dor que queima meu ser
Me diz, me ensina, me pede esmola
"Não a deixes ir, não a deixes perecer"

Mas um dia te deixarei
Porque para além de ti, estou eu
E para além de mim, os meus
Que sem mim nada são
Ao contrário de ti
Que sem mim
És um caminho sem fim
Um encanto sem tamanho
Uma eternidade sem verdade.

Quem sabe um dia não dirás,
"Quem sou eu? O que fiz?
E agora como será?"

E muito provavelmente, eu não te poderei responder...

Don't need you

I don't need you. Pensava que sim, mas não. I was so damn wrong. Sempre a sofrer a pensar que não ias mudar. You'll never change. Pois não. Nem sei por que razão me dei ao trabalho de o achar. Things seemed better yesterday. Mas a verdade é que fui eu a tentar iludir-me. As usual. É sempre assim. I give love, I receive nothing. É como dar um abraço no vazio. And it has been three years. E o vazio és tu. Now, good-bye. Não é até já. Not, until tomorrow. Mas, um até nunca.
MFG

julho 06, 2010

Broken

Amamos a ideia do amor, a ideia da loucura, a ideia dos corpos que se tocam. Amamos porque fomos feitos para o amor. Contudo não fomos feitos para amar. Ou melhor, não fomos feitos para saber amar. E assim vivemos. Com a ideia de que amamos alguém quando amamos a sua representação, aquilo que vemos e não aquilo que é.

junho 26, 2010

Um esquilo

Sem mais delongas, o silêncio. O imperturbável silêncio. O eterno silêncio. Ela estava novamente sozinha. Mas sentia-se acompanhada pelo chilrear dos passáros e pelo embater das folhas da oliveira umas nas outras. À sua volta, a vida continuava a passar. Passava sem tomar conta da sua dor, da sua mágoa que a levava a querer incorporar em si a tranquilidade de tudo o que é irracional. De tudo o que é natureza na mais pura ascensão da palavra.
Ouviu um barulho vindo de cima de uma árvore. Virou-se para tentar perceber do que se tratava. Entretanto, o horizonte parecia ter-se colorido como uma tela, como que por magia. Afinal o barulho não era nada de perigoso nem nada que atentasse contra a sua liberdade: era o som de um esquilo. Um lindo esquilo. Um simples esquilo. Um irracional esquilo.
E, durante largos minutos, deitou-se, tendo sempre o horizonte em linha de conta, fechou os olhos e desejou ser aquele esquilo por apenas uns intermináveis segundos. Ela sabia que só o ser humano se desilude, porque também é só o ser humano que tem a faculdade de se iludir. E era tão mais fácil se pudesse ser a oliveira, ou uma folha da oliveira, ou uma célula da folha da oliveira, ou um pequeno corpúsculo da célula da folha da oliveira. Tudo, excepto si própria. Excepto a racionalidade que encerrava em si um silêncio interminável. Que, infelizmente, nada parecia perturbar.

Palavras de nada valem se não se fazem acompanhar de actos. No entanto, os actos valem tudo sem palavras, sem construções falseadas que soam bem ao ouvido mas são hipocrisia para o coração.
MFG

junho 23, 2010

o amor

O amor é um total fingimento. Parte de um fingimento. Dura porque é, na verdade, um grande e exasperante fingimento. Eleva-se como verdade pura e eterna quando é um mero fingimento e também dotado de tal efemeridade que quando não se sofre por ausência, sofre-se por presença. Não me incomoda assumir que
sofro metodicamente por saber que o sofrimento é ambíguo e, por isso, cheio de contradições. Não acredito na paixão, não. Assumo peremptoriamente que não acredito na paixão. Não acredito porque me soa a piano com voz de guitarra ou a melodia combinada com o ribombear dos tambores díspares da emoção e da razão. É-me impossível crer na paixão se a sei finita. Como me é impossível crer no amor porque só conheço um tipo de amor-real: o amor que não prende, o amor que aceita a diferença, o amor que recebe e dá sabendo bem por que razão o faz. Não acredito no amor, no outro-amor-cujo-nome-prefiro-não-pronunciar, no outro amor que se apodera da outra pessoa, no outro amor que resvala perante nós sem se deter perante tamanha inocência. É imprudente afastar-me desta (ir)realidade pois nela me encontro, pois sou igual ao comum dos mortais. Mas o meu desejo é oposto a isto. O meu desejo é nunca mais me apaixonar por ninguém, mas saber dentro de mim que amo aquele Ser, não pelo seu aspecto físico, não pelo que ele/ela me lembra, não pelas palavras lindas que me diz, mas pelo que é. Não pela representação que tenho dele/dela , mas pelo quanto ele/ela acrescenta aos meus defeitos.

MFG

minha solidão

Imaginar que o infinito sempre foi a nossa finitude. O alcance do mistério das coisas. Sempre a pensarmos que barreira iríamos ultrapassar a seguir. Que verdade iríamos agarrar e levantar aos céus em seguida.

Minha solidão, onde não existe traição.

 

junho 21, 2010

Saramago


Tudo altera tudo. Um momento pode fazer toda e nenhuma diferença. Um olhar. Um simples olhar pode mudar o mundo que, ironicamente, se mantém o mesmo.
O som. O som de uma guitarra. Igual ao som do sonho quando é sonhado. O som de teu pai. O som de teu pai, analogamente comparado ao som do que tu és por dentro.
A árvore. A árvore frondosa de tua companhia. E a tua companhia alterada pelo olhar puro que vem dali de fora.
Tudo alterava tudo. Um momento fazia a diferença. Um sorriso. Um ténue sorriso mudava o teu mundo que, por isso, em tudo mudava. O toque. O toque de um prado verde donde brota o mundo e, onde te acabaste por deitar. Mas nunca perecer. Morrer em ti, é nunca perecer.
Tudo irá alterar tudo. O passado é presente a passear-se. É voz que fica. Toque que se vai. É acreditar veementemente que o génio é a filosofia que faz da vida mais do que ela é. É acreditar que és mais alto do que eu. É acreditar no que acredito com ainda mais força. Nada havia em ti, que não haja agora ainda mais engrandecido.
Nada muda tudo. E este tudo nada é em ti. O tudo és tu. Tu, que nunca te calaste. Tu, que nunca deixaste de ouvir. Tu, só tu, que ensinaste como o som, o toque, a tinta que fricciona a folha de papel, é a árvore onde nasceste e a árvore onde foste morrer.

Orgulho de te poder ler ainda que sem te ter lido.
Saramago, para sempre!

MFG

junho 08, 2010

Not anymore

 A César o que é de César

Não quero nada alheio em minha posse. Não quero momentos dos outros em mim como se tivessem sido vividos. Não quero beijos dos outros na minha bochecha nem abraços dos outros nos meus braços. Não quero sentir o teu afago nos braços de outra pessoa. Não quero as histórias dos outros contadas por mim. Não quero verdades que não me pertencem. Não quero essências que não são minhas. E, desculpa, não te quero a ti. A César o que é de César e tu já não és minha.



MFG

maio 30, 2010

<'3

Perdi as folhas todas. Bem tento encontrá-las, mas elas fogem-me das mãos assim que penso tê-las encontrado. Mesmo que não esteja vento para voarem. Mesmo que não esteja calor para queimarem. Mesmo que não esteja frio para congelarem.
E tu continuas, passiva como sempre, à espera que eu as encontre sozinhas. Não me ajudas. Não me dás a mão. E ele rasga-as. Ri-se ironicamente enquanto quebra partes da minha vida. Tu não o mandas parar, não tomas uma atitude. Continuas passiva. Eu choro. Eu mostro tudo o que sinto. Ele cria o vento, o calor e o frio. E parte voa, parte queima, parte congela. E o pouco que resta, é desfeito pelos dois, através de um impulso cúmplice, de um acto de amor, de um acto de ódio. Sorriem, abraçam-se. E eu caio por falta de história, a minha história.

" Dantes tudo era diferente..."

maio 23, 2010

era uma vez

Era uma vez o luar. Era uma vez a luz que vinha desse luar. Era uma vez o significado que um casal de namorados atribuiu à luz que vinha do luar. " Vês amor? Significa que vamos ficar juntos para sempre!". Era uma vez uma rapariga inocente, ingénua. Era uma vez um rapaz ingénuo, inocente. Era uma vez a sua união em forma de compromisso. Era uma vez a sua vida conjecturada. Era uma vez o paraíso. Era uma vez o mundo pintado a cor-de-rosa. Era uma vez a magia de cada momento. Era uma vez o primeiro gemido. Era uma vez o primeiro abraço suado de esperança. Era uma vez o primeiro arrepio de êxtase. Era uma vez o primeiro "amo-te". Era uma vez o primeiro beijo depois de fazer amor. Era uma vez a sucessão dos dias só com ele. E ele com ela. Era uma vez a subjugação à união do amor. Era uma vez a terceira pessoa. Era um vez essa terceira pessoa olhando-os de longe, de fones nos ouvidos, cabisbaixa. Era uma vez os beijos, os abraços repetidos. Era uma vez a continuação das palavras de afecto. Era um vez o sucessivo aumento da realidade da terceira pessoa. Era uma vez o choro agonizante que se guarda na alma. Era uma vez o riso entre os dois. E a alma frouxa da terceira pessoa que ri, mas deseja a lágrima salgada. Era uma vez a solidão dela. E o acompanhamento deles.  Era uma vez o afastamento quase fatal. Era uma vez a tentativa falhada da terceira pessoa. Era uma vez o continuar dos risos. Era uma vez os risos transformados em gritos e mãos que apertavam o braço. Era uma vez a tentativa novamente falhada. Era uma vez o continuar dos risos, dos beijos, dos abraços. Era uma vez o afastamento final. Era uma vez os abraços, as carícias, os beijos, o amor. E era uma vez os fones sempre nos ouvidos, o choro por detrás do pavilhão da escola. Era uma vez um casal que viveu feliz para sempre. E nesse sempre matou uma terceira pessoa.

MFG



alone

"Quando sorríamos sem sentido. Quando tudo era motivo de parvoíce desmedida. Ai, esse tempo.. "

Quem somos nós agora?
É no meio desta névoa que começo a deixar transparecer a melancolia que todos os dias me assola. Por mais que o mundo brilhe em meu redor, por mais que a realidade até me atire de encontro ao amor, sinto-me em perfeito vazio. Perfeito pois não há um pouco de verdade nesse amor para onde me tentam atirar. É por isso que não sigo essa linha. Querem fazer-me segui-la como uma obrigação. Como uma inevitabilidade. Dantes não era assim. Dantes era tudo irracional e ao mesmo tempo tão mais lógico. Dantes eu não precisava de explicar. Tantas saudades... Tanta mágoa... Tanta dor...
Não há meios de conseguir encontrar a luz que me tire deste abismo. Quem me colocou nele? Talvez eu... Talvez tu... Talvez nós. Já nada faz muito sentido. Já nem os meus ideais fazem sentido. Lutar? Revolucionar o mundo? Como se nem eu própria estou resolvida? Como, se nem eu própria tenho amigos? Querem que lute como? Sozinha?
Talvez seja esse o caminho. A solidão. O solilóquio entre mim e mim própria.
Dizem-me que tenho um certo tipo de qualidades mas a sociedade não quer saber delas, sabias? Os meus defeitos saltam mais à vista. São tão visíveis que nada os esconde. Nada. Nada. Rigorosamente nada.
Dizem-me que me acho perfeita, que tenho a mania que sou a maior. Tenho? Então olha agora para mim. Olha para mim, literalmente, no chão. Sim, estou no chão. Contente?
Dizem-me que escrevo bem. Ora essa, quem escreve bem é o grande Saramago. Eu digo um monte de coisas sem sentido, sem nexo.
Dizem-me que hei-de encontrar alguém que me mereça. Não. Não hei-de. A pessoa que poderia sê-lo, deixou de me olhar. Apesar de tudo, consigo lutar mais um pouco por ela, mas não quero. Nao posso.
Dizem-me que hei-de ser uma revolucionária, que tenho a mania que vou mudar o mundo. Não o serei, não tenho capacidade para mobilizar outras pessoas. Sou insípida, nada mais.
Dizem-me que hei-de entrar em ciências políticas. Eu desminto. Mesmo que entre, foi erro de quem me deixou entrar. Não sou boa o suficiente.
Eu não vivo de ilusões, como vês. Eu só finjo acreditar nelas.

MFG

maio 12, 2010

desistir é morrer

Desistir é morrer!
Eu venero a ideia do ideal, do sonho, no fundo, da alienação que existe em querer tudo, para no fundo, não querer realmente nada. Mas ainda sou capaz de ter a noção da realidade. Da realidade dos outros, não da minha. Ou então da minha, não da dos outros. Todavia, tenho noção da realidade. E sei bem como as coisas acontecem. Se pensamos demasiado no que vem, quando vem, já não vem o que pensamos, mas vem o que vem. Eu sei que tu não queres isso. Mas, se pensamos no que há e não pensamos no que vem, jamais estaremos preparados para o que poderá vir. Só que, necessariamente, jamais estaremos preparados para o que virá. Talvez os deuses os estejam. E como eu não acredito em deuses, prova-se a minha tese. Jamais estaremos preparados para o que virá. É fácil de constatar. Nós somos hoje uma realidade tão fraca, tão falsa uma vez que amanhã seremos uma outra realidade tão fraca, tão falsa, mas outra. Inexoravelmente, outra. Inevitavelmente, outra. E, eu não sei até que ponto, estás preparada para isso. Para entender que levar a vida a sério não é deixar de brincar com ela: é brincar ainda mais. Sentir não é necessariamente um padrão. Aliás, sentir não é de todo um padrão. É uma verdade individual. Não detenhas a vida dentro de ti só porque outra vida acha que depende de ti. Ela não depende de ti. Superamo-nos a nós mesmos nessas encruzilhadas que não conhecemos, nem temos capacidade de conhecer. E superamo-nos, porque somos seres fracos e falsos, seres que se desconhecem em situações que não têm capacidade de antever, controlar ou modificar à partida, mas apenas no fim. É isso mesmo que não quero que te aconteça. Que o destino te mantenha nessa paisagem idílica que idealizaste durante muito tempo. Eu não quero que vejas o que eu vejo.

MFG

maio 08, 2010

MG

Eu luto para esquecer, para seguir em frente sem pestanejar, sem chorar, sem sofrer, mas agora custa. Custa porque eu sei o que foi ser feliz ao extremo, sentir o céu sem sair da terra. Eu sei o que foi olhar os teus olhos e saber de cor o resto da minha vida. E eles não me mentiram. Fui eu que os li mal. Sempre fui má a apostar. A dar vida toda. Apostei mal, tão mal. Mas apostei. Apostei e agora dói. Não por ter apostado, mas por ter perdido. Não a ti, mas a nós. Ao que fomos, ao que éramos. Ao que construímos e que no fundo nada era porque uma simples tempestade o destruiu. E agora a minha vida mudou. Nem sequer consigo imaginar-te dentro dela de novo. Não posso sequer imaginar isso. Não encaixa, entendes? Não faz sentido. Guardo a memória porque sei que posso ser confortada por ela. Nada mais que isso. E não quero dizer a mim própria o que se está a passar neste momento. Acho que estou a começar a sentir algo por uma pessoa, mas não faz sentido. Não que não faça sentido em si. O que não faz sentido é a forma, o como, o quando. Mas para mim nunca nada fez sentido, todos sabem disso. Sempre vivi assim. Com o não-sentido das coisas. Da realidade. Queria amar de novo, claro que queria. Só que não queria infantilidades como as tuas. Medos como os teus, escondidos nessa força que não tinhas. Parvoíces constantes. Incompreensão. Eu queria amor. Amor daquele louco. Daquele insensato. Mas amor daquele compreensivo, daquele diferente, daquele que não tive. Talvez esta pessoa não seja capaz disso. Talvez eu não seja capaz disso, mas gostava de ter uma oportunidade. É certo que gostava. Gostava que essa pessoa percebesse. Um dia vai perceber. Um dia eu vou perceber se isto não passou de um sonho. O defeito era só um. A verdade será sempre a mesma que a minha. Eu queria tentar, e se tiver oportunidade, que é que custa afinal? Ao som desta música até me arrependo do que não fiz com outra pessoa. Era só mais uma mas por segundos tinha sido mais feliz. Sinto falta ainda que fosse plástico, ainda que fosse cobre falseado. Ainda que fosse ouro mentindo. Eu sei o que eu quero. Eu sei quem sou. Já pouco mais me interessa. E um dia isto vai correr bem. Como eu sempre quis.

abril 24, 2010

Finalmente!

Está tudo a mudar. Everything is changing. It's for the best. É, sem dúvida, pelo melhor.
" Já não me irritas. Já não me entristeces"
Nem pelo céu, nem pelo inferno me pegas. Simplesmente não me pegas.
Sinto-me livre. FINALMENTE! What a feeling!
E amor, eu caminharei em teu redor, em tua frente, como mais desejares. Eu serei quem eu quiser. Com o tempo certo que eu achar erradamente. E desta vida ninguém me vai demover. Eu amo-me por amar o que sou e não ter medo de nada. Já não me possuis.

FINALMENTE!
MFG

abril 15, 2010

Saramago fala sobre o Comunismo



«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo ... e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos.»                       

José Saramago (Cadernos de Lanzarote - Diário III - pag. 148)

Dito isto, não tenho nada a acrescentar. É como Saramago dizia no vídeo.

" E a pergunta inevitável apareceu e é formulada sempre praticamente da mesma maneira : Porque é que você depois de, digamos, da queda da URSS, do derrubamento do muro de Berlim, dos processos de Moscovo, da invasão da Hungria, porque é que continua a ser comunista? Poderia responder e perguntar à pessoa se ela era católica e provavelmente dizia-me que sim ou de qualquer das igrejas cristãs e eu teria de perguntar-lhe para seguir na mesma linha: Depois da inquisição como é que você continua a acreditar? Mas não, naquele momento nasceu-me uma outra resposta: sabe é que eu sou aquilo a que se podia chamar um Comunista hormonal. O homem olhou para mim : O que é que isso quer dizer ?
Quer dizer que da mesma maneira que eu tenho cá no corpo não sei onde uma hormona que me faz crescer a barba, há outra hormona que me obriga mesmo que eu não quisesse, por uma espécie de fatalidade biológica, a ser Comunista. É muito simples. Mais tarde veio-me outra expressão interessante, mais nobre que foi começar a dizer que ser Comunista é um estado de espírito e é. E é . E é. Pode ler-se o Marx, pode ler-se digamos as obras importantes, por exemplo que Lenine escreveu, mas no fundo, no fundo, no fundo, é um estado de espírito. O que me permite dizer que o senhor Brejnev no poder, de estado de espírito comunista, nem sombras..."

Agora digam-me lá como vou eu contornar isto. Eu amo o Marxismo. E pronto, tenho dito.

"..Para chegar à conclusão que a actualidade impõe, que é a de que o Marx nunca teve tanta razão como agora."

MFG

abril 13, 2010

natureza


Sabes porque gosto da natureza?

Porque não tenho de pedir licença para lhe tirar fotografias.

abril 07, 2010

Surreal

Uma invencibilidade, um suspiro interno e eterno. Altos e baixos no som da perfeição intensa. Foi como se a eternidade me abraçasse e eu conhecesse o mistério do mundo. E como abdiquei do auge da tecnologia, senti o profundo do possível e do impossível. Era o prazer maior que eu desejava. E foi o prazer maior que eu tive.

P.S: E era a conversa, os sorrisos, as carícias, a companhia. Surreal. Não consigo descrever melhor.

MFG

abril 03, 2010

Too late

É tarde. O relógio ribombeia na minha mente tal qual um bailarino. Eu não queria que o tempo passasse, o que não significa que ele não passe e que com ele não passe o sentido que a realidade já teve. No entanto, gostava de ser capaz de "ir com a corrente", de alcançar uma paz que de utópica relativiza a minha dor, de andar quilómetros inteiros sem pensar no cansaço, na fome ou na sede. No fundo, gostava de ser sobrehumana ou mesmo subhumana. Desde que fosse algo distinto deste tic-tac provocante que me enraivece e atordoa. Algo distinto deste alheamento ausente da minha essência. Algo distinto desta falta de algo sem saber o quê especificamente.
É tarde. É realmente tarde, porque eu já não sou aquela rapariga ingénua, aquela mulher imatura que tu agarravas levemente e amavas sem medo do amanhã. Já não sou essa realidade estática e estanque. Agora há dinamismo em mim. E vontade. Vontade de fazer cada segundo valer realmente a pena. Sem perder de vista o resto do mundo. Por que isso seria perder cada vivência por amanhecer, cada verdade por conhecer, cada dor por sarar, cada alegria por partilhar. Seria perder a possibilidade de ser mais e melhor. Não ser mais do mesmo, mas mais do diferente, do "eu", da verdade, da vontade, da luta.
É tarde. Não para relembrar tudo o que passei ( não há noite que não pense nisso), mas para voltar ao que fui. Ainda que um dia a realidade regresse, essa realidade regresse, só  a receberei de braços absolutamente abertos se ela me aceitar assim. Nova. Diferente. A Mariana real cujo nome do meio é utopia.

MFG

abril 01, 2010

My babes @


Se podia viver sem elas? Poder, podia, mas não era a mesma coisa!
Vos amo babes @
My best friends <3
(Inês is missing 'cause she's not a big fan of taking pictures )
MFG

Tributo à mentira

Enquanto o mundo pede um pouco mais de verdade, nós (e os outros) temos o "Dia das Mentiras".
Vá lá alguém explicar-me como se quer dilatar uma ideia se se bajula a ideia oposta. Deve ser a lógica da psicologia invertida ou assim.

MFG

março 30, 2010

anjo

Eu acho que vais sair magoado meu anjo, mas prefiro esperar e acreditar que és verdadeiro.

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