" Dantes tudo era diferente..."
maio 30, 2010
<'3
Perdi as folhas todas. Bem tento encontrá-las, mas elas fogem-me das mãos assim que penso tê-las encontrado. Mesmo que não esteja vento para voarem. Mesmo que não esteja calor para queimarem. Mesmo que não esteja frio para congelarem.
E tu continuas, passiva como sempre, à espera que eu as encontre sozinhas. Não me ajudas. Não me dás a mão. E ele rasga-as. Ri-se ironicamente enquanto quebra partes da minha vida. Tu não o mandas parar, não tomas uma atitude. Continuas passiva. Eu choro. Eu mostro tudo o que sinto. Ele cria o vento, o calor e o frio. E parte voa, parte queima, parte congela. E o pouco que resta, é desfeito pelos dois, através de um impulso cúmplice, de um acto de amor, de um acto de ódio. Sorriem, abraçam-se. E eu caio por falta de história, a minha história.
maio 23, 2010
era uma vez
Era uma vez o luar. Era uma vez a luz que vinha desse luar. Era uma vez o significado que um casal de namorados atribuiu à luz que vinha do luar. " Vês amor? Significa que vamos ficar juntos para sempre!". Era uma vez uma rapariga inocente, ingénua. Era uma vez um rapaz ingénuo, inocente. Era uma vez a sua união em forma de compromisso. Era uma vez a sua vida conjecturada. Era uma vez o paraíso. Era uma vez o mundo pintado a cor-de-rosa. Era uma vez a magia de cada momento. Era uma vez o primeiro gemido. Era uma vez o primeiro abraço suado de esperança. Era uma vez o primeiro arrepio de êxtase. Era uma vez o primeiro "amo-te". Era uma vez o primeiro beijo depois de fazer amor. Era uma vez a sucessão dos dias só com ele. E ele com ela. Era uma vez a subjugação à união do amor. Era uma vez a terceira pessoa. Era um vez essa terceira pessoa olhando-os de longe, de fones nos ouvidos, cabisbaixa. Era uma vez os beijos, os abraços repetidos. Era uma vez a continuação das palavras de afecto. Era um vez o sucessivo aumento da realidade da terceira pessoa. Era uma vez o choro agonizante que se guarda na alma. Era uma vez o riso entre os dois. E a alma frouxa da terceira pessoa que ri, mas deseja a lágrima salgada. Era uma vez a solidão dela. E o acompanhamento deles. Era uma vez o afastamento quase fatal. Era uma vez a tentativa falhada da terceira pessoa. Era uma vez o continuar dos risos. Era uma vez os risos transformados em gritos e mãos que apertavam o braço. Era uma vez a tentativa novamente falhada. Era uma vez o continuar dos risos, dos beijos, dos abraços. Era uma vez o afastamento final. Era uma vez os abraços, as carícias, os beijos, o amor. E era uma vez os fones sempre nos ouvidos, o choro por detrás do pavilhão da escola. Era uma vez um casal que viveu feliz para sempre. E nesse sempre matou uma terceira pessoa.
MFG
alone
"Quando sorríamos sem sentido. Quando tudo era motivo de parvoíce desmedida. Ai, esse tempo.. "
Quem somos nós agora?
É no meio desta névoa que começo a deixar transparecer a melancolia que todos os dias me assola. Por mais que o mundo brilhe em meu redor, por mais que a realidade até me atire de encontro ao amor, sinto-me em perfeito vazio. Perfeito pois não há um pouco de verdade nesse amor para onde me tentam atirar. É por isso que não sigo essa linha. Querem fazer-me segui-la como uma obrigação. Como uma inevitabilidade. Dantes não era assim. Dantes era tudo irracional e ao mesmo tempo tão mais lógico. Dantes eu não precisava de explicar. Tantas saudades... Tanta mágoa... Tanta dor...
Não há meios de conseguir encontrar a luz que me tire deste abismo. Quem me colocou nele? Talvez eu... Talvez tu... Talvez nós. Já nada faz muito sentido. Já nem os meus ideais fazem sentido. Lutar? Revolucionar o mundo? Como se nem eu própria estou resolvida? Como, se nem eu própria tenho amigos? Querem que lute como? Sozinha?
Talvez seja esse o caminho. A solidão. O solilóquio entre mim e mim própria.
Dizem-me que tenho um certo tipo de qualidades mas a sociedade não quer saber delas, sabias? Os meus defeitos saltam mais à vista. São tão visíveis que nada os esconde. Nada. Nada. Rigorosamente nada.
Dizem-me que me acho perfeita, que tenho a mania que sou a maior. Tenho? Então olha agora para mim. Olha para mim, literalmente, no chão. Sim, estou no chão. Contente?
Dizem-me que escrevo bem. Ora essa, quem escreve bem é o grande Saramago. Eu digo um monte de coisas sem sentido, sem nexo.
Dizem-me que hei-de encontrar alguém que me mereça. Não. Não hei-de. A pessoa que poderia sê-lo, deixou de me olhar. Apesar de tudo, consigo lutar mais um pouco por ela, mas não quero. Nao posso.
Dizem-me que hei-de ser uma revolucionária, que tenho a mania que vou mudar o mundo. Não o serei, não tenho capacidade para mobilizar outras pessoas. Sou insípida, nada mais.
Dizem-me que hei-de entrar em ciências políticas. Eu desminto. Mesmo que entre, foi erro de quem me deixou entrar. Não sou boa o suficiente.
Eu não vivo de ilusões, como vês. Eu só finjo acreditar nelas.
MFG
maio 12, 2010
desistir é morrer
Desistir é morrer!
Eu venero a ideia do ideal, do sonho, no fundo, da alienação que existe em querer tudo, para no fundo, não querer realmente nada. Mas ainda sou capaz de ter a noção da realidade. Da realidade dos outros, não da minha. Ou então da minha, não da dos outros. Todavia, tenho noção da realidade. E sei bem como as coisas acontecem. Se pensamos demasiado no que vem, quando vem, já não vem o que pensamos, mas vem o que vem. Eu sei que tu não queres isso. Mas, se pensamos no que há e não pensamos no que vem, jamais estaremos preparados para o que poderá vir. Só que, necessariamente, jamais estaremos preparados para o que virá. Talvez os deuses os estejam. E como eu não acredito em deuses, prova-se a minha tese. Jamais estaremos preparados para o que virá. É fácil de constatar. Nós somos hoje uma realidade tão fraca, tão falsa uma vez que amanhã seremos uma outra realidade tão fraca, tão falsa, mas outra. Inexoravelmente, outra. Inevitavelmente, outra. E, eu não sei até que ponto, estás preparada para isso. Para entender que levar a vida a sério não é deixar de brincar com ela: é brincar ainda mais. Sentir não é necessariamente um padrão. Aliás, sentir não é de todo um padrão. É uma verdade individual. Não detenhas a vida dentro de ti só porque outra vida acha que depende de ti. Ela não depende de ti. Superamo-nos a nós mesmos nessas encruzilhadas que não conhecemos, nem temos capacidade de conhecer. E superamo-nos, porque somos seres fracos e falsos, seres que se desconhecem em situações que não têm capacidade de antever, controlar ou modificar à partida, mas apenas no fim. É isso mesmo que não quero que te aconteça. Que o destino te mantenha nessa paisagem idílica que idealizaste durante muito tempo. Eu não quero que vejas o que eu vejo.
MFG
maio 08, 2010
MG
Eu luto para esquecer, para seguir em frente sem pestanejar, sem chorar, sem sofrer, mas agora custa. Custa porque eu sei o que foi ser feliz ao extremo, sentir o céu sem sair da terra. Eu sei o que foi olhar os teus olhos e saber de cor o resto da minha vida. E eles não me mentiram. Fui eu que os li mal. Sempre fui má a apostar. A dar vida toda. Apostei mal, tão mal. Mas apostei. Apostei e agora dói. Não por ter apostado, mas por ter perdido. Não a ti, mas a nós. Ao que fomos, ao que éramos. Ao que construímos e que no fundo nada era porque uma simples tempestade o destruiu. E agora a minha vida mudou. Nem sequer consigo imaginar-te dentro dela de novo. Não posso sequer imaginar isso. Não encaixa, entendes? Não faz sentido. Guardo a memória porque sei que posso ser confortada por ela. Nada mais que isso. E não quero dizer a mim própria o que se está a passar neste momento. Acho que estou a começar a sentir algo por uma pessoa, mas não faz sentido. Não que não faça sentido em si. O que não faz sentido é a forma, o como, o quando. Mas para mim nunca nada fez sentido, todos sabem disso. Sempre vivi assim. Com o não-sentido das coisas. Da realidade. Queria amar de novo, claro que queria. Só que não queria infantilidades como as tuas. Medos como os teus, escondidos nessa força que não tinhas. Parvoíces constantes. Incompreensão. Eu queria amor. Amor daquele louco. Daquele insensato. Mas amor daquele compreensivo, daquele diferente, daquele que não tive. Talvez esta pessoa não seja capaz disso. Talvez eu não seja capaz disso, mas gostava de ter uma oportunidade. É certo que gostava. Gostava que essa pessoa percebesse. Um dia vai perceber. Um dia eu vou perceber se isto não passou de um sonho. O defeito era só um. A verdade será sempre a mesma que a minha. Eu queria tentar, e se tiver oportunidade, que é que custa afinal? Ao som desta música até me arrependo do que não fiz com outra pessoa. Era só mais uma mas por segundos tinha sido mais feliz. Sinto falta ainda que fosse plástico, ainda que fosse cobre falseado. Ainda que fosse ouro mentindo. Eu sei o que eu quero. Eu sei quem sou. Já pouco mais me interessa. E um dia isto vai correr bem. Como eu sempre quis.
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