Queria viver a noite dentro de mim pelo lado positivo. Pelo lado das estrelas. Pelo lado da escuridão que alegra o peito. Pelo lado da lua que se acomete sobre nós. Pelo lado da calmia causada por um dia inteiro de vida. Pelo lado da esperança de um novo dia. Pelo lado bom: o lado do amor, o lado do entrelaçar de almas eternamente, o lado do conforto, o lado do passeio inerte, o lado das conversas despreocupadas, o lado das vivências inúteis e, por isso, as que valem mais a pena. Pelo lado que nunca ninguém se lembra quando a vê: o lado que beija o companheiro, o lado que abraça o vazio tão, mas tão preenchido, o lado mais ternurento da noite. Eu queria inserir a noite em mim. Queria o seu negro, não o negro putrefacto, mas o negro puro, não negro de ódio, mas o negro do alegrar das almas. E, após uma noite bem passada, a beleza da aproximação do pôr-do-sol, a beleza de mais um dia, a beleza de estarmos vivos e a fusão da noite que passou com o dia que vai nascer, a certeza de que mais uma vez, viemos ao mundo para fazer muito mais do que sobreviver: viemos para viver.
MFG