Estou a erguer-me desta dor que me tomou de assalto.
Esta dor que me levou como o vento leva as folhas.
Provocada pela inocência, achava eu.
Provocada pela imprudência, afirmo eu.
Hás-de sentir a dor que eu sinto
Não to desejo com maldade
Mas desejo que sintas o que é
O desprezo, o desvalor, a inverdade
Não colho rosas
Pois rosas não plantei
Mas nos picos me enterro
Pois neles me deitei
Sei que nos teus olhos alguém vê verdade
Mas eu só mentira vejo
Independentemente de tudo,
É em ti que me erro
Sobretudo por saber
Que nada mais mereces de mim
Esta dor que me assola
Esta dor que queima meu ser
Me diz, me ensina, me pede esmola
"Não a deixes ir, não a deixes perecer"
Mas um dia te deixarei
Porque para além de ti, estou eu
E para além de mim, os meus
Que sem mim nada são
Ao contrário de ti
Que sem mim
És um caminho sem fim
Um encanto sem tamanho
Uma eternidade sem verdade.
Quem sabe um dia não dirás,
"Quem sou eu? O que fiz?
E agora como será?"
E muito provavelmente, eu não te poderei responder...
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