junho 10, 2012

serei eu o mendigo?


Eu vejo a fome sem sair de casa

Porque eu não tenho casa

A minha casa é o mundo

Que fez com que eu não tivesse casa

Para ver a fome na esquina mais próxima

 E não na minha própria esquina

Que é a rua ali em baixo

Porque eu vivo na rua



Eu vejo a corrupção

E não tenho televisão

Eu vejo-a nos teus olhos

Nos teus gestos, na tua apatia

Na tua indiferença quando eu peço

Uma esmola, um carinho, um olhar

Um abraço, meu irmão



Eu vejo o teu esgotamento

Todos os dias, eu vejo-te a correr

A correr sem saber bem para onde

Corres para apanhar os transportes,

Corres para o emprego,

Corres para casa,

Afinal, corres para quê?



Que pensas atingir depois de tudo isto?

Porque não aproveitas

O que é simples?

Porque não te rebolas na Terra?

Porque não dás um mergulho no Mar?

Porque não te deitas debaixo de uma árvore?



Eu vejo a bondade e não preciso

De falar contigo

Eu olho-te

Estás sentado todo o dia naquele banco

Lês, calmamente, um livro

Danças ao som do vento

Sorris pela simples existência

Que é poderes sorrir

E eu sei que és feliz assim.



A minha casa é o mundo

Que fez com que eu não tivesse casa

Para ver a fome na esquina mais próxima

 E não na minha própria esquina

Que é a rua ali em baixo

Porque eu vivo na rua

E para ver a simplicidade de se viver simples,

Simplesmente, sem complexidade.

Eu vejo-te: tu és feliz. Eu vejo-te: eu sou feliz.

E tu? Quando vais parar de correr?

MFG

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