Eu vejo a fome sem sair de casa
Porque eu não tenho casa
A minha casa é o mundo
Que fez com que eu não tivesse casa
Para ver a fome na esquina mais próxima
E não na
minha própria esquina
Que é a rua ali em baixo
Porque eu vivo na rua
Eu vejo a corrupção
E não tenho televisão
Eu vejo-a nos teus olhos
Nos teus gestos, na tua apatia
Na tua indiferença quando eu peço
Uma esmola, um carinho, um olhar
Um abraço, meu irmão
Eu vejo o teu esgotamento
Todos os dias, eu vejo-te a correr
A correr sem saber bem para onde
Corres para apanhar os transportes,
Corres para o emprego,
Corres para casa,
Afinal, corres para quê?
Que pensas atingir depois de tudo isto?
Porque não aproveitas
O que é simples?
Porque não te rebolas na Terra?
Porque não dás um mergulho no Mar?
Porque não te deitas debaixo de uma árvore?
Eu vejo a bondade e não preciso
De falar contigo
Eu olho-te
Estás sentado todo o dia naquele banco
Lês, calmamente, um livro
Danças ao som do vento
Sorris pela simples existência
Que é poderes sorrir
E eu sei que és feliz assim.
A minha casa é o mundo
Que fez com que eu não tivesse casa
Para ver a fome na esquina mais próxima
E não na
minha própria esquina
Que é a rua ali em baixo
Porque eu vivo na rua
E para ver a simplicidade de se viver simples,
Simplesmente, sem complexidade.
Eu vejo-te: tu és feliz. Eu vejo-te: eu sou feliz.
E tu? Quando vais parar de correr?
MFG
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