novembro 19, 2013

mensagem para ti

Como te entendo, pai, quando dizias que o mundo era injusto. Quando dizias, entre um cliente e outro, que o sistema era maior do que nós, tão maior que teríamos a certa altura que nos subjugar a ele. E eu dizia que não, dizia-o com raiva, não de ti, mas dessa ideia de que algum dia teria de admiti-lo. Isto é muito maior do que nós. E o que sempre me irritou mais do que assumi-lo foi o facto disto já ser verdade ainda antes de eu ter nascido. No momento em que tu e a mãe me conceberam - ainda por cima sem amor, o que me deixa ainda mais triste - já o mundo era esta merda que é hoje. Deixa-me redesenhar o meu raciocínio: o mundo não é merda nenhuma, nem nunca foi. A merda é o egoísmo que está no coração das pessoas, egoísmo que deriva da ideia do poder, da porcaria que é o dinheiro e dessa necessidade hedionda de cultivarem o exterior, a casca que apenas nos cobre nesta vida. É só isso que me deixa irritada. Os rastafaris denominam-na de Babilónia, os anarquistas de Sistema, o meu pai de Capitalismo. Qualquer que seja o nome que lhe damos, a verdade é que somos livres até certo ponto: até onde a Babilónia, o Sistema ou o Capitalismo nos deixam. Somos livres de pensar, livres de criar, mas não livres ao ponto de vivermos a nossa vida sem os comentários e os olhares desprezíveis dos outros. Sem que os outros exalem o seu ódio e indiferença pelo nosso estilo de vida. Agora entendo-te muito bem pai, mas discordo num único ponto: não é o mundo que é injusto, é o coração de alguns homens que está povoado de ódio, rancor, inveja  e egoismo; e é, infelizmente, a carcaça dura desses homens a que muitos chamam pessoas que nos governa. E que nos guia, a cada dia que passa, para a desumanidade total. Nós não temos, nem devemos, nem vamos sujeitar-nos aos opressores dos dias modernos que usam gravatas e branqueiam os dentes para poderem sorrir de forma falsa - como se isso lhes branqueasse a alma (?) -, pois vamos encontrar soluções - viáveis e exequíveis - que nos permitam viver como queremos, como devemos e como achamos melhor. Quero ser feliz, porra, como tu Zé Mário já disseste tantas vezes ao meu ouvido. E vou ser. Aliás já sou, simplesmente por a ignorância nunca ter feito parte de mim e por, devido ao meu gosto pelo saber, ter sempre sabido a merda da qual não queria fazer parte.


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