fevereiro 02, 2014

mudei por ti

És, para mim, o último e único Homem à face da terra
O único em cujo olhar vejo a própria alma
A tua, a minha, a nossa
E quando o meu mundo parece desabar e nada parece fazer sentido
Tu ofereces-me a tua calma
Mesmo que tu próprio também estejas naquele momento perdido

Queria dizer-te tanta coisa,
Queria beijar-te com palavras de amor e de carinho
Queria abraçar-te com frases sentidas e,
Por fim, amar-te tanto como a ave
Ama a árvore onde poisa e faz o seu ninho

Tu és e sempre serás – ainda que o futuro seja
Como dizes, uma invenção do homem –
O amor perdido que me foi tirado na infância
A compreensão latente que nunca me foi dada
Tu és e sempre serás esta ânsia
De te querer tanto,
De te querer a toda a hora,
Da dor que me dá sempre que te vais embora
E do sorriso com que me deixas com o teu cheiro
Até ao dia em que chegue a minha hora…

Até ao dia em que Deus que não existe me virá buscar
Para abraçar os que entretanto partiram,
Os que entretanto já deixaram de me olhar…
Mas, amor, nenhum deles terá, em nenhum momento da minha vida,
A importância, a relevância, a saliência que tu,
Com a expressividade do teu olhar e a franqueza da tua voz,
Tens a cada dia

E, ainda que os dias acabem, que envelheçamos e que o teu olhar
– ainda expressivo – esteja envolto em rugas,
Acredita, meu amor,
Por cada beijo teu, nascerá uma semente de esperança dentro de mim,
Nascerá uma nova vida a cada dia em que acordar a teu lado

Porque antes de ti, amor, antes de ti não existia, antes de ti era como uma flor
Partida pela ingenuidade da criança ou pela maldade do adulto
Antes de ti, eu era uma flor sem campo, eu era uma flor sem raíz, eu era uma flor
Usada pelo homem para seduzir mulheres apenas com o intuito de as usar
Tal e qual um brinquedo.
Antes de ti, achava ser impossível encontrar Homem algum que não olhasse para
As mulheres como um brinquedo e perdia, a cada dia, a esperança de que isso acontecesse
Mas aconteceu,
E lindo, desde esse dia uma parte de mim morreu e outro “Eu” nasceu…

É este “Eu” que te escreve para te dizer que antes de ti, meu amor, antes de ti
O Sol só brilhava para os outros e o céu parecia estar sempre nebulado dentro de mim
E qualquer ruído era um som pesado e qualquer musica uma ode à tristeza…

Mas depois de ti, amor, depois de ti o Sol passou a existir mesmo em dias negros e cinzentos
Em que a chuva não dá descanso e uma simples pedra passou a ser motivo para sorrir
A verdade, amor, é que não foi a vida que mudou, não foi a natureza que mudou
- ela sempre esteve ali – Quem mudou, meu amor,
Quem mudou fui eu. E mudei por ti.

Amo-te

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