dezembro 29, 2009

Just tears

Apanhei um punhado de lágrimas tuas. Mesmo à distância. Senti a sua humidade encostar-se-me aos dedos e acabar por se colar totalmente. Apesar da dor existir, não consegui chorar por ti. Chorar pelas lágrimas que ousaste chorar. Aposto que estavas sozinho, não estavas? Certificaste-te que ninguém te viu a chorar..

Posso não ter visto a tua dor, mas senti-a verdadeiramente dentro de mim. E por isso, não consegui chorar. Nem sequer tentei conter-me. Talvez a minha alma tenha secado. Ou talvez não. Agora já não sei. Muito sinceramente, não me fazes saber de nada. Mas, por outro lado, dás-me vontade de querer saber o que há por detrás de tanto mistério. Esse riso que esconde a lágrima mais pura. Ou então talvez não signifique mesmo nada. Talvez tenhas chorado para que eu achasse que eras algo. E, no fundo, não seres nada. Ou então, ainda não o descobriste. Eu sei que choras. Senti de novo o suspiro que se liberta quando a vida corre e nós ficamos. Quando o dia vai e não vem mais. Quando o que brilha nos enegrece. Quando os que lutam nos parecem ridículos. Eu sei que hei-de te ver como és na realidade. Eu sei que existe realidade. E sei que lá estarás tu, sentado, no escuro, mas com um brilho nos olhos que, ao vir de dentro para fora, me dá a certeza acérrima de que vales exactamente o que eu penso. Vales tudo.

MFG

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