janeiro 06, 2010

Saudade do branco do papel

Há fases da vida em que só apetece expulsar num grito o que nos condiciona a felicidade.
Noutras apetece-nos aprisionar a felicidade para que a sintamos ainda mais intensamente.
E há ainda uma fase intermédia. A fase intermédia, entre o grito e o sussurro, entre o que foi e o que será. Não é algo que seja objectivo, que esteja escrito com tinta de sangue, mas sim com a tinta da tua caneta, a caneta da saudade do branco do papel. Não é de todo um ponto de exclamação para terminar esta frase que começou há quase 18 anos atrás. É sim um ponto de interrogação por vezes,  reticiências noutras vezes. É uma instabilidade profunda e complexa. É uma mudança ora radical, ora ligeira.
Toda esta frase tem sido escrita pelas mãos dos autores que me rodeiam e bombeiam sangue na minha alma para incendiar o papel. Toda esta frase tem sido escrita através dos pensamentos dos filósofos que honram a minha existência, que floreiam a minha alma e escrevem suavidade no papel. Toda esta frase tem sido escrita pelos actores que opinam a minha vida e me oferecem cultura para fazer com que seja sentida no papel. Toda esta frase vai sendo escrita e reescrita. Sentida e vivida. Algumas partes vão sendo apagadas, são pontas soltas e de nada me servem. Outras partes vão sendo interligadas, são pontas soltas e em tudo me servem.
Há fases da vida assim. Em que a eloquência de nada me serve porque o meu coração fala mais alto e eu não sei como tirar do papel o que sinto e dizer-te ao ouvido a verdade de tudo o que em ti há de mais bonito.

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