abril 15, 2010

Saramago fala sobre o Comunismo



«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo ... e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos.»                       

José Saramago (Cadernos de Lanzarote - Diário III - pag. 148)

Dito isto, não tenho nada a acrescentar. É como Saramago dizia no vídeo.

" E a pergunta inevitável apareceu e é formulada sempre praticamente da mesma maneira : Porque é que você depois de, digamos, da queda da URSS, do derrubamento do muro de Berlim, dos processos de Moscovo, da invasão da Hungria, porque é que continua a ser comunista? Poderia responder e perguntar à pessoa se ela era católica e provavelmente dizia-me que sim ou de qualquer das igrejas cristãs e eu teria de perguntar-lhe para seguir na mesma linha: Depois da inquisição como é que você continua a acreditar? Mas não, naquele momento nasceu-me uma outra resposta: sabe é que eu sou aquilo a que se podia chamar um Comunista hormonal. O homem olhou para mim : O que é que isso quer dizer ?
Quer dizer que da mesma maneira que eu tenho cá no corpo não sei onde uma hormona que me faz crescer a barba, há outra hormona que me obriga mesmo que eu não quisesse, por uma espécie de fatalidade biológica, a ser Comunista. É muito simples. Mais tarde veio-me outra expressão interessante, mais nobre que foi começar a dizer que ser Comunista é um estado de espírito e é. E é . E é. Pode ler-se o Marx, pode ler-se digamos as obras importantes, por exemplo que Lenine escreveu, mas no fundo, no fundo, no fundo, é um estado de espírito. O que me permite dizer que o senhor Brejnev no poder, de estado de espírito comunista, nem sombras..."

Agora digam-me lá como vou eu contornar isto. Eu amo o Marxismo. E pronto, tenho dito.

"..Para chegar à conclusão que a actualidade impõe, que é a de que o Marx nunca teve tanta razão como agora."

MFG

Sem comentários:

Enviar um comentário

Seguidores