junho 21, 2010

Saramago


Tudo altera tudo. Um momento pode fazer toda e nenhuma diferença. Um olhar. Um simples olhar pode mudar o mundo que, ironicamente, se mantém o mesmo.
O som. O som de uma guitarra. Igual ao som do sonho quando é sonhado. O som de teu pai. O som de teu pai, analogamente comparado ao som do que tu és por dentro.
A árvore. A árvore frondosa de tua companhia. E a tua companhia alterada pelo olhar puro que vem dali de fora.
Tudo alterava tudo. Um momento fazia a diferença. Um sorriso. Um ténue sorriso mudava o teu mundo que, por isso, em tudo mudava. O toque. O toque de um prado verde donde brota o mundo e, onde te acabaste por deitar. Mas nunca perecer. Morrer em ti, é nunca perecer.
Tudo irá alterar tudo. O passado é presente a passear-se. É voz que fica. Toque que se vai. É acreditar veementemente que o génio é a filosofia que faz da vida mais do que ela é. É acreditar que és mais alto do que eu. É acreditar no que acredito com ainda mais força. Nada havia em ti, que não haja agora ainda mais engrandecido.
Nada muda tudo. E este tudo nada é em ti. O tudo és tu. Tu, que nunca te calaste. Tu, que nunca deixaste de ouvir. Tu, só tu, que ensinaste como o som, o toque, a tinta que fricciona a folha de papel, é a árvore onde nasceste e a árvore onde foste morrer.

Orgulho de te poder ler ainda que sem te ter lido.
Saramago, para sempre!

MFG

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