É difícil expressar o que sinto. Não sei se é o barulho do vento a bater nos ramos das árvores que me comove, não sei se é o silêncio a que me obrigo que me deixa neste estado, não sei se me estou a tornar, de novo, no que já fui: o eterno e simples silêncio. Ao longo de muito tempo, pensava ter atingido o equilíbrio, pensava ter atingido alguma felicidade, mas começo a questionar tudo isso. Sei que dizes compreender-me, entender-me, mas não sentes o que eu sinto. Não sentes como eu sinto. Não sentes isto, não sentes o espelho a consumir-te, não sentes que o que te deveria confortar, te está a matar. Chamem-me o que quiserem. Maluca, doida, parva, egoísta, mal agradecida. Deêm-me conselhos que nem vocês próprios seguem. Digam-me o que fazer. Afinal, não é sempre assim?
Eu não sei explicar de outra forma, nem sei falar sobre isto. Sempre achei que verbalizar as coisas as torna reais. E eu tenho tanto medo que isto se torne real, que acabo por negá-lo, ainda que não pense em nada para além disto. É como se vivesse de uma obsessão transparente, algo que não existe, que talvez nunca vá existir. [Sim, eu dou-me valor! Sim, eu gosto de mim!] Mas gostava que o que mostro fosse mais o que sinto. Que o que vai dentro de mim passasse para ti: que tu visses o que eu sinto.
Nunca percebeste por que razão não o consigo fazer? Nunca olhaste verdadeiramente para dentro de mim e percebeste o que me faz estagnar tantas e tantas vezes? Não sei se vou ser feliz. E há tantas coisas que eu não posso fazer para mudar isso. E mesmo que possa, será que vou ser? Terei força para agarrar no Sol sem me queimar? Terei força para voar sem temer a queda que dali advirá?
Tenho muitas perguntas e nunca encontro respostas. E não há ninguém com quem possa falar sobre isto senão contigo. Sempre receptivo a ouvir-me. A permitir que escreva em ti. Não é que não haja pessoas que eu ame, não é que não confie nelas, mas se elas soubessem o que de mais negro há em mim, talvez deixassem de me amar. Talvez, no fundo, o amor resida no mais profundo desconhecimento do Outro. Ou talvez apenas seja eu que não sei amar...
MFG
31-01-2012
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