Um ano novo chegou. Escrevo no primeiro dia do ano para celebrar o estar viva e de boa saúde. Não, não tenho 90 anos, tenho apenas 21 (quase 22), mas quase todo o último ano foi passado a recuperar de uma depressão que quase me levou à loucura e à qual ainda vou estando atenta, já que deixei os anti-depressivos há cerca de duas semanas. Talvez este texto seja demasiado pessoal, demasiado íntimo, mas é assim que me apetece escrever hoje. Este ano que chega - 2014 - é a consequência das aprendizagens ao longo do ano de 2013. Aprendi muito, aprendi a lição mais dura de todas: não somos heróis. Somos seres frágeis que de um momento para o outro podem cair, desejando até morrer para acabar com a dor. O porquê dessa dor não irei expor aqui, mas é uma dor que já vem de há anos. Quando estava no limite, o limite do suportável, foram poucas as pessoas que se preocuparam, que de uma forma ou outra me tentaram ajudaram, mas a essas devo, sem dúvida, a minha vida. Estou a aprender a sentir o chão, como ouvi no outro dia um senhor dizer. Estou a reaprender a sentir. Estou a mudar, mas a mudar para melhor, a aprimorar-me. Nunca deixarei de ser a insubmissa que não se contenta com o capitalismo ou a menina que ainda acredita na bondade alheia. Nunca deixarei de amar ler sobre história, política, coisas espirituais e outro tipo de assuntos. Nunca deixarei de sentir prazer a ouvir música mexida, mas também música com letras cheias de conteúdo. Nunca deixarei de sonhar, de sonhar muito. Nunca deixarei de abraçar os meus amigos, de os amar de verdade, de os aceitar, de os compreender, mas simultaneamente de os deixar seguir o seu caminho. Nunca deixarei de amar o meu namorado que é muito mais que isso: é o meu companheiro, o meu pai, o meu irmão, o meu amor. Nunca deixarei de acreditar que iremos viver juntos e iremos ter um cãozinho.
Um ano novo chegou. Escrevo no primeiro dia do ano para celebrar a vida. E começo o ano com a vontade de seguir mais o coração do que a cabeça e de me sentir bem na minha pele, nos meus defeitos e nos meus medos. Começo o ano cheia de vontade de crescer, de amar, de me desenvolver enquanto ser humano. Um bom ano para todos.
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