janeiro 10, 2014

sobre o coração...

Desde pequena que sempre pensei muito. Sempre reflecti muito sobre o mundo, a sociedade, os outros e sobre mim própria. A certa altura caí no existencialismo, mas nunca, em momento algum, pus em causa a beleza da vida. Uns diziam-me que ia ter muito sucesso, outros que iria ser professora, pois sempre adorei ensinar. Sei que adoro aprender, adoro saber mais coisas sobre o mundo, sobre o que já passou, sobre o que ainda se passa, sobre as várias teorias. E sei que é nas escolas que me sinto verdadeiramente eu. É a transmitir conhecimento - seja ele qual for - que me sinto verdadeiramente eu. Da área de ciência e tecnologias passei para a Ciência Política e desta para a nutrição. O que as une? A minha vontade de mostrar que alterando os hábitos alimentares e estilo de vida podemos contribuir para diminuir os problemas ecológicos que hoje enfrentamos. Profissionalmente o que posso vir a fazer com isto? Ainda não sei... Mas dar palestras em escolas far-me-ia muito feliz. Criar uma associação para melhorar os hábitos alimentares, isto é, mostrando os benefícios de uma dieta vegetariana ou vegan. Cozinhar para fora. Participar em feiras vegetarianas e vegans. Sinto-me no limbo, pois ainda não sei bem o que fazer com aquilo que estou a estudar de momento. Sei que adoro o contacto com as pessoas, que isso também me faz verdadeiramente feliz. E iria ser tão feliz se pudesse ajudá-las a alimentar-se melhor e a sentirem-se melhor. Se entendessem que fazemos parte de um grande ciclo, que fazemos parte da natureza e devemos preservá-la. Ainda quero tanta coisa e lá hei-de chegar, estou certa. Ainda quero ter uma horta, fazer compostagem, ter cães e quem sabe galinhas, viver mais em contacto com a natureza, num sítio onde haja pouco barulho e poucos automóveis. Ainda quero escrever livros, uns de receitas, outros de pendor mais literário. Ainda quero viajar muito. Ainda quero abraçar os que amo, beijá-los, amá-los. Ainda quero muito. Mas para tudo isto atingir tenho de ter mais calma para, assim, poder ter mais saúde. Tenho de deixar de lado o egocentrismo característico do estado depressivo e ansioso, apagar da mente certos assuntos e deixar o tempo fazer o seu percurso. Amar os que me amam sem medo do amanhã. O amanhã ainda não existe. Não posso lidar com aquilo que ainda nem chegou. E que talvez nunca chegará. Dói-me o peito, custa-me muito respirar. Por favor, nunca vejam nos antidepressivos a saída para uma tristeza profunda. Procurem outras ajudas, orientais ou não. O meu coração quer sair do peito, mas eu não vou deixar, vou mantê-lo dentro de mim, sempre. Porque eu quero continuar a viver, quero continuar a apreciar as coisas boas da vida e preocupar-me menos com as más. 

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