julho 14, 2014

paragem do costume

Saíste na paragem do costume. As senhoras que estavam sentadas ao nosso lado - e ao meu continuaram - olharam-nos quando demos o beijinho de despedida. Que terão pensado nesse momento? Conseguirão ver como nos amamos ou acharão que somos mais dois tolos que acham que estão apaixonados e que em breve perceberão como é a vida? Enfim. A verdade é que ainda não tinhas ido e já sentias saudades tuas. Do teu olhar que me olha com um carinho indescritível e incomparável. Da tua presença que me enche de uma paz tão imensa como se tivesse mergulhado no mar mais límpido do mundo, talvez na Islândia, considerado o país mais limpo do mundo por algumas universidades americanas. Enquanto caminho em direção a casa apercebo-me de tantas coisas: que acabei de deixar o meu verdadeiro lar na paragem do costume, um dos poucos sítios em que me sinto eu própria, sem máscaras ou fingimentos; que apenas umas horas contigo me conseguem trazer de volta aquelas tardes (tão bem) passadas apenas a passear e a conversar, sobre tudo e nada, sobre as minhas questões existenciais e sobre assuntos mais terrenos, sobre o que sentíamos um pelo outro (e ainda sentimos), sobre o futuro e o presente, sobre as angústias e as certezas; que o teu toque se me apresenta como mais familiar do que qualquer outro toque; que estou agora a inspirar e expirar paz e não oxigénio e dióxido de carbono, respetivamente (nem sabia que isto era possível); que me fazes acreditar na nossa imortalidade e na eternidade do nosso amor; que ainda estás aqui ao meu lado a fazer-me sorrir discretamente, a fazer-me acreditar na bondade do ser humano; que, mesmo longe, nunca me abandonas totalmente - permaneces aqui bem pertinho, no meu peito.
Saíste na paragem do costume. Por que é que sais sempre aí? Quando chegará o dia em que sairemos os dois na mesma paragem e seremos, mais do que no imaginário, o lar um do outro?

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