julho 10, 2014

procurei uma ideologia a todo o custo

Procurei uma ideologia a todo o custo. Desde cedo me disseram sempre: és muito inteligente, tens de encontrar algo à tua medida. Procurei, então, incessantemente por algo que me definisse. E foi sempre assim que me desiludi. Primeiramente desiludi-me com a religião. Entendi que não era na Bíblia ou no catolicismo que iria encontrar as respostas às minhas perguntas, aos meus dilemas existenciais. Ir à missa começou-me a parecer um ritual egoísta quando iniciei na escola o estudo da Primeira e Segunda Guerra Mundial. Deus - omnipotente e omnisciente - começou a parecer-me uma névoa em vez da claridade que até aí me dava forças. Percebi que para se acreditar nesse Deus teria que deixar de pensar, teria de aceitar a "verdade" sem a questionar, quase como uma cega no que às ideias diz respeito. 
Em segundo lugar, desiludi-me com a política. Quando há alguns anos, li sobre a teoria de Marx e Engels pensei ter encontrado o meu sentido de vida. Esse passava, inevitavelmente, pela queda do sistema e implementação de outro completamente diferente. Para isso entrei no Partido Comunista e lá permaneci durante dois anos - em que lá estive de alma e coração, mesmo que muitos não reconheçam isso. Tinha aquela ilusão da juventude, aquela vontade de fazer cada vez mais e melhor, de ajudar os outros. E isso dava-me alento, era o sentido que a minha parecia tomar e parecia estar certo. Até que, mais uma vez, a vida esbofeteou-me, sem me pedir licença, e eu caí em mim: o Comunismo não era o que eu pensava nem o partido defendia o mesmo que eu. Na ideologia deles faltava a parte ética que eu tinha na minha mente - e sempre tive - e isso fez-me derramar tantas lágrimas e moldou, ainda mais do que a religião, o meu pensamento.
Em terceiro lugar, desiludi-me com o veganismo. Ao conhecer a prima de um amigo meu tive conhecimento do vegetarianismo, da meditação, enfim, do que muitos chamam "new age". Interessei-me e comecei a pesquisar: descobri as atrocidades feitas aos animais e chorei pela minha hipocrisia. Como podia dizer que amava animais se os comia? Se os vestia? Se usava cosméticos que tinham sido testados neles de forma horrenda? Decidi então tornar-me vegetariana. Inicialmente era uma adepta fervorosa, tal como tinha sido da religião e da política. É esta uma característica minha: defendo aquilo em que acredito com "unhas e dentes", até ao fim e sem medos. Mas quando deixo de acreditar... Crio uma bolha emocional em relação ao assunto e não mais volto a acreditar. Aconteceu mais uma vez isso com o veganismo: este apresentava-se muito restritivo, tanto a nível económico como social, e colocava-me numa situação de saudável tristeza: emagreci, o meu corpo parecia gostar deste tipo de alimentação (sem derivados) mas a minha mente, alma e coração torciam o nariz a esta alteração de estilo de vida.
Sinto-me perdida, muita vezes. Porque pareço finalmente entender que nada me define. Só quero aproveitar cada dia com os que amo.. Deixas-me? Dizes-me que não vais desistir de mim?

Sem comentários:

Enviar um comentário

Seguidores