A cidade está vazia. Só oiço os ecos das cores que hoje são simples tecidos negros espalhados ao vento. A cidade é pequena. E as nossas almas são grandes. Díspares, mas ambas enormes. E nos intervalos entre o vazio e o silêncio iniciamos outra das nossas conversas. Conversas hipotéticas. As do costume.
- Achas que algum dia vamos sair daqui?
-Sim, sair, havemos de sair.
-Mas ilesos? Ou magoados?
-Magoados, óbvio.
-Porque achas isso tão óbvio?
É a nossa sanidade mental, ora bolas.
É a nossa parte psíquica.
É o nosso mundo. Porque é que não podemos sair ilesos dele?
-Porque isso não era viver. "Ninguém é quem queria ser".
É um pequeno pedaço do que vou construir ainda. Vai demorar um pouco, mas é com o tempo. Também preciso de conhecer um pouco melhor esta cidade. O tempo vai sempre mostrar-nos um lugar ainda mais calmo. Um lugar mais nosso. E o meu silêncio é o agradecimento mais ténue e imenso de uma verdade ainda por desvendar. De uma magia que é haver pessoas que são maiores e melhores. Ainda.
MFG

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