maio 23, 2010

era uma vez

Era uma vez o luar. Era uma vez a luz que vinha desse luar. Era uma vez o significado que um casal de namorados atribuiu à luz que vinha do luar. " Vês amor? Significa que vamos ficar juntos para sempre!". Era uma vez uma rapariga inocente, ingénua. Era uma vez um rapaz ingénuo, inocente. Era uma vez a sua união em forma de compromisso. Era uma vez a sua vida conjecturada. Era uma vez o paraíso. Era uma vez o mundo pintado a cor-de-rosa. Era uma vez a magia de cada momento. Era uma vez o primeiro gemido. Era uma vez o primeiro abraço suado de esperança. Era uma vez o primeiro arrepio de êxtase. Era uma vez o primeiro "amo-te". Era uma vez o primeiro beijo depois de fazer amor. Era uma vez a sucessão dos dias só com ele. E ele com ela. Era uma vez a subjugação à união do amor. Era uma vez a terceira pessoa. Era um vez essa terceira pessoa olhando-os de longe, de fones nos ouvidos, cabisbaixa. Era uma vez os beijos, os abraços repetidos. Era uma vez a continuação das palavras de afecto. Era um vez o sucessivo aumento da realidade da terceira pessoa. Era uma vez o choro agonizante que se guarda na alma. Era uma vez o riso entre os dois. E a alma frouxa da terceira pessoa que ri, mas deseja a lágrima salgada. Era uma vez a solidão dela. E o acompanhamento deles.  Era uma vez o afastamento quase fatal. Era uma vez a tentativa falhada da terceira pessoa. Era uma vez o continuar dos risos. Era uma vez os risos transformados em gritos e mãos que apertavam o braço. Era uma vez a tentativa novamente falhada. Era uma vez o continuar dos risos, dos beijos, dos abraços. Era uma vez o afastamento final. Era uma vez os abraços, as carícias, os beijos, o amor. E era uma vez os fones sempre nos ouvidos, o choro por detrás do pavilhão da escola. Era uma vez um casal que viveu feliz para sempre. E nesse sempre matou uma terceira pessoa.

MFG



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