Não sei o que esperam de mim. Se esperam que seja como a sombra que os segue todos os dias, bem podem esperar pois isso não vai acontecer. Se esperam que lhes acene afirmativamente, bem podem esperar pois isso também não vai acontecer. O facto é que não acredito neles. Não acredito, não vejo bondade nos seus olhos, nem amizade nas suas palavras. Só vejo falta de escrúpulos e prontidão para afastar de si a lealdade e abraçar a traição sem sequer soltarem um soluço ou uma dúvida os tomar. É como que o poder seja imperioso e superior à humanidade, à humanização dos momentos. É tal e qual o momento que se segue ao momento que passa por nós sem se passar. É um momento em que os olhos fitam o infinito e em que eles não ouvem nada em seu redor. É impressionante. Impressiona-me esta falta de discernimento que tem o sol em não nascer para todos. Que tem o mar em só ser inatingível para alguns. É esta a questão: eu sempre disse que o melhor que tinham a fazer era nada esperarem de mim. Nada falarem sobre mim. Não fazerem comentários sobre o que eu era, quem eu era e o que eu seria se pudesse sê-lo. Deveriam falar sim sobre o que eles são, quem eles são e o que eles nunca seriam ainda que pudessem sê-lo. E assim, o mundo seria bem mais equilibrado.
Eu gostava de entender o que vai na alma de quem, fazendo força para subir mais um degrau, a desfaz em pedaços, e ainda se impulsiona nela para continuar até não existirem mais degraus para subir. E aí não tenho dúvidas: desistir daquilo em que não se acredita, não é desistir, é seguir em frente.
MFG
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