fevereiro 27, 2011

A morte

Quando nascemos deviam avisar-nos o que é a vida. Dar-nos uma palestra de duas ou três horas em que, resumidamente, nos falavam do amor, do sexo, da morte, das gravidezes indesejadas, da droga, do álcool, das amizades, das dores, das frustações, mas também da felicidade, da motivação, do entusiasmo, da paixão, da loucura, dos momentos que não iremos esquecer.
Evitar-se-ia o medo, a dor, a ausência de respostas, a amargura, a paixão desmedida.

Se quando nascemos, nos ensinassem a realidade do mundo, a verdade da vida, a inevitabilidade da morte, a crueza do amor não correspondido, tudo seria mais simples. Já não tinhamos de chorar, já não tinhamos de saber o que é o vazio depois do fim de um grande amor, já não precisavamos de sofrer.
Se, quando eu nasci, me tivessem ensinado que as pessoas que mais amo iriam morrer, eu voltaria para dentro da bolha em que estive nove meses. Se me tivessem dito que algumas pessoas iriam detestar-me e querer a minha morte, eu preferia ter-lhes feito logo a vontade. Se me tivessem dito que iria amar alguém de uma forma imensa para depois tudo acabar, eu preferia nunca ter amado. Se me tivessem avisado que eu ia perder o teu abraço, eu preferia nunca o ter sentido. Se me tivessem descrito a beleza do sol e que eu iria senti-lo para depois o perder, provavelmente, mais cedo do que achava, eu preferia nunca ter sentido o seu calor. Se me tivessem avisado que ia viver para morrer e não o oposto, eu preferia ter feito logo tudo de uma vez.
De que me serve ser feliz ou ser triste se quando morrer não irei ser nada? Ou pior que isso, não sei o que serei, se serei, quem serei, como o serei...

"Apenas espero que não vás já. Que não vás nunca. E que se e quando fores, me dês a mão, porque isto não é vida sem ti"

MFG

Sem comentários:

Enviar um comentário

Seguidores