dezembro 30, 2011

vazio

Sinto-me vazia. Não é vazia no sentido de não amar e ser amada. Não é vazia no sentido de ser infeliz. Não é vazia no sentido de não ter objectivos e sonhos. É vazia no sentido de desorientada. No sentido de não saber se é este o caminho, se é assim que devo fazer ou, se no fim de contas, nada disto vale a pena. É uma sensação de vazio que me preenche desde que acordo até que me deito. Planeio o meu dia, mas ainda ele não vai a meio, e já desisti de metade dos sonhos. Já desfiz metade dos planos.
Há quanto tempo não consigo fazer aquilo que realmente quero... E será que quero aquilo que realmente quero? Ou será que quero o que penso querer?
Sinto-me iludida. Não iludida no sentido das coisas correrem mal. Não iludida como sinónimo de desilusão. Iludida porque vivi muito tempo de ilusões. E agora essas mesmas ilusões parecem querer transformar-me e, eu não as deixo. Sinto que sofro de excesso de sonhos. Sinto que sofro de excesso de sentimentos. Sentir é o meu maior tormento. Sinto muito. Sinto sempre. Sinto demais. Sinto pelo que nem meu é. Sinto pelo que nunca será meu.
Será que é deste mal que irei perecer? Eu só queria ver as flores, cheirá-las, olhar o Sol... E só queria que isso fizesse todo o sentido... Que isso fosse o meu mundo e que isso dependesse de mim, do meu amor, da minha dor, da minha felicidade, da minha mágoa...
Sinto-me assim. Desta forma. Desta maneira. Não sei ser de outra maneira. Não sei não sentir e, por vezes, nem sentir sei. Quero tudo de uma vez e, por isso, perco tudo sem sequer o possuir. É assim. Sinto-me assim. Hoje, sinto-me assim. E não sei o que é isto.

MFG

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