abril 08, 2012

a sociedade em que vivemos

Gosto de pessoas simples. Acessíveis. De riso fácil. De conversa fluída. Que não julguem os outros pela aparência. Que não se achem superiores aos outros, seja por que razão for. No fundo, pessoas humanas. Gosto de pessoas profundas. Com pensamentos profundos. O que não significa que não goste da chamada "conversa fiada", a conversa sobre tudo e nada, que vai sempre convergir no mesmo ponto. As pessoas simples e profundas interessam-me particularmente já que acrescentam humanidade à minha humanidade, sabedoria à minha sabedoria, ideias às minhas convicções. As pessoas acessíveis são puras. São fáceis no sentido social, no sentido de criação de laços relacionais. São engraçadas com o seu humor peculiar. São verdadeiras com a sua frontalidade. São atenciosas com o seu ar amoroso. Pensam nos outros como pensam em si próprias: como seres dotados de sentimentos e, por isso, de emoções. Daí que, não obstante a frontalidade, tenham de ter algum cuidado com a forma como dizem as coisas. Aquelas pessoas com quem conseguimos conversar, seja sobre o assunto mais erudito seja sobre o mais simplório e básico, e que sentimos serem amistosas, agradáveis, simpáticas, simples. São essas as minhas pessoas: o meu tipo, o meu género de pessoas. De seres humanos. E era assim que deveria ser a humanidade.
Não gosto de pessoas arrogantes. Pessoas que se acham superiores e que não têm renitência em mostrá-lo aos outros. Pessoas que vivem das aparências, pessoas que dão mais valor a uma peça de roupa do que a um amigo. Pessoas que valorizam os outros pelo que vestem e não pelo que são. Pessoas que não sabem o que é a metafísica. Que desconhecem Kant. Que ignoram política. Que preferem conversar sobre as compras que fizeram ontem com o dinheiro dos "papás". Que acreditam que todos têm dinheiro para ir de Erasmus (e quem não vai, é porque não quer, dizem...). Que olham os outros de cima a baixo. Que abominam comunistas, anarquistas, hippies, socialistas. Que nem sabem o que é ser comunista, anarquista, hippie ou socialista. Que não sabem o que é o amor, porque valorizam primeiro o que veêm, sempre primeiro o que veêm e, talvez, com algum tempo, valorizem o que as pessoas são na realidade. Que, no fundo, são infelizes, porque procuram a perfeição exterior. Querem ocultar o facto de não serem boas pessoas, de não saberem sentir amor pelos outros, de não se saberem pôr no lugar dos outros, de não perceberem que nem todos são dessa forma. Este tipo de pessoas são, para mim, o reflexo da sociedade capitalista. Não são capazes de olhar o Outro com compaixão, com amor, com amizade, com a noção imensa de solidariedade pelo Outro. Olham-no com desprezo, de soslaio, demonstrando asco através das expressões faciais. Nem o seu sorriso é verdadeiro ainda que seja bonito. E se não é verdadeiro, como pode ser bonito? Este tipo de pessoas não são seres humanos. São seres não-humanos. Não me consigo convencer de que é possível um ser humano julgar os outros pela aparência e achar-se superior, vá-se lá saber porquê.
Que me importa que sejas linda? Que sejas lindo? A beleza é, para mim, consequência do carácter. A beleza é relativa, o carácter não.

MFG 

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