abril 15, 2012

desabafos

Eu sou aquilo que eu quiser. Mas tenho de agir em consonância com o que quero ser. Se quero ser prostituta, tenho de vender o meu corpo a troco de dinheiro ou outros bens materiais. Se quero ser activista, tenho de lutar pelos meus direitos sempre que possa. Se quero ser cantora, convém que tenha formação musical ou se não, que tenha o dom de cantar. Mas não posso querer ser prostituta se não tenho a capacidade de vender o meu corpo a troco de bens materiais. Nem posso querer ser activista se o único sítio onde luto pelos meus direitos é dentro da minha cabeça. Percebamos todos, de uma vez por todas, que não podemos querer ser cantores se a nossa voz não é límpida, nem clara nem agradável. Percebamos que não podemos querer ser algo para o qual não temos capacidades. Percebamos que se há algo que amamos profundamente, pode até suceder que não tenhamos qualquer jeito para isso. Ou pode suceder o oposto.Eu sou aquilo que me faço ser. Como posso querer que me entendam se me calo quando o Outro me questiona? Se sinto piedade de mim própria? Que raio de Ser Humano com o minímo de auto-estima pode sentir pena de si próprio? E que mensagem quer esse Ser Humano passar aos outros quando se auto-flagela seja em actos, seja em palavras, seja em expressões? As pessoas têm o valor que exteriorizam. As pessoas recebem dos outros, exactamente aquilo que dão. Nem mais, nem menos. Se as pessoas não entendem isso, o problema é delas, não é meu.

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