abril 04, 2012

Prisão

Que terás pensado quando estiveste preso? Pensavas que a culpa era tua? Ou pensavas que valia a pena lutar contra o regime? Que, um dia, tudo iria mudar? Será que a dor foi muita quando te arrancaram as unhas a sangue frio? Será que, em algum momento questionaste o teu próprio ser? A tua vontade? A tua ideia?
E eu que estou presa dentro das estruturas que eu própria construi, o que posso pensar, afinal?Que a culpa é minha?Que mais valia arrancarem-me as unhas a sangue frio do que passar todo o dia comigo própria? Que tudo isto é muito complicado, que é tão complicado que eu não sei bem o que dizer, o que fazer, como o fazer? Que o melhor seria não pensar, seria tomar ácidos, fumar aquelas coisas ilegais e deixar-me ir por este mundo afora sem pensar demasiado, sem pensar em rigorosamente nada? Que, no fundo, tenho medo de mim própria e não dos outros? Que seria tão bom ser como outra, mas também ela é assim? Também ela tem medo, muito medo, medo demais, tanto medo ...
Se ao menos as grades fossem exteriores a mim, eu poderia andar dentro da cela, meditar dentro da cela, ter espaço para pensar, para decidir, para fazer, para imaginar que fazia algo, mas e quando as grades estão dentro de nós? O que é que eu faço se estou presa dentro de mim? E se fui condenada a prisão perpétua? Sem visitas, sem poder receber prendas? Sem poder sentir o amor, a amizade, a alegria, a felicidade? Diz-me lá, o que é que eu faço? Mato a parte de mim que está presa ou espero pacientemente que alguém me venha libertar?

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