agosto 17, 2013

A indignidade do capitalismo

Para os capitalistas eu sou um objecto. Sou algo e não alguém. O meu nome sabem-no a custo. Eu sou um número para eles. Sou apenas mais uma trabalhadora, mais uma desesperada no mercado de trabalho. Já pensaram por que razão se chama mercado de trabalho? Porque esta sociedade funciona na lógica procura-oferta. Ora, eu procuro trabalho. As empresas "oferecem" lugares. Mas de facto nada oferecem, porque quem produz sou eu. E elas pagam-me - se me pagarem - miseravelmente. Faço horas extra, feriados e fins-de-semana. Acham que o dinheiro que me depositam na conta bancária compensa o tempo que nunca voltará? Acham que o contrato precário que me fazem assinar (apesar de muitos alegarem que só o fiz porque assim o desejava) compensa o fim de todas as minhas relações sociais? Acham que o meu cansaço - físico e mental - tem valor monetário? Acham que podem pagar cada segundo que eu perco a produzir para um patrão que nem sabe o que penso, o que quero ou quem sou? Acham mesmo que para os capitalistas, como Bava ou Soares dos Santos, somos mais do que um número, um trabalhador, um "fazedor"? Acham que eles querem saber se estamos em sofrimento, se estamos cansados, se o nosso pai morreu?

Eles não querem saber. Eles só sentem, cheiram, tocam e pensam em números. Mas (in)felizmente a dignidade humana não tem, nunca teve nem nunca terá preço.

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