Espero ansiosamente uma mensagem tua.
Espero que o telemóvel vibre e que quando o abra diga o teu nome. Espero que me
perdoes. Espero que me digas que me entendes, que compreendes o meu esforço
diário e que o meu amor te chega, que o meu amor é-te suficiente. Não sei se
irás enviar mensagem e muito menos sei se irás enviar uma mensagem cujo
conteúdo seja esse. Mas espero. Tenho esperança que isso aconteça. Contudo, ao
mesmo tempo tenho medo. Tenho um grande medo de te perder e, por vezes,
sinto-nos a vacilar. Sei que nos amamos e isso supera todos os obstáculos. Só
que estes são tão grandes (ou então são apenas maiores na minha mente do que na
realidade). Não sei. Só sei que nos quero em paz, tranquilos e sem o cansaço
que esta sociedade nos impõe diariamente. Só sei que te quero abraçar e sentir
o vento a passar-me pela face, esse mesmo vento que faz com que uma semente num
canto do nosso terreno vá parar ao outro lado. Sempre que isto acontece ficamos
ambos perplexos. Somos confrontados com a beleza e espontaneidade da natureza.
Somos confrontados com a nossa própria natureza. Não somos iguais - nem os
irmãos gémeos, vindos do mesmo óvulo o são -, mas somos feitos da mesma
matéria: a dos sonhos. Sonhamos
e voltamos a sonhar. Acreditamos e voltamos a acreditar. Quando um sonha
demais, o Outro puxa-o e trá-lo de volta à terra. Mas quando a terra parece má demais, um
agarra-se ao Outro e somos ambos puxados pelo movimento contrário ao da
gravidade para a nossa terra, a terra dos diferentes. Diferentes, porque nos
queremos manter coerentes e porque exigimos ser felizes! Por que razão teremos
de nos submeter a um estilo de vida que poucos desejam e que nós abominamos
veementemente? Isso poderá fazer os outros felizes (?), mas e nós? No fundo não
temos de ser um pouco egoístas? Não temos de nos preocupar com o nosso
bem-estar, com aquilo que queremos, com o estilo de vida que nos irá fazer
sorrir todos os dias, dia após dia?
Enquanto penso nisto - lá estou eu a
sonhar novamente -, sinto com toda a minha alma que preciso de ti. Preciso de
ti não no sentido obsessivo que vejo em muitos amores, mas preciso de ti porque
quero partilhar contigo cada coisa que vejo ou oiço ou sei ou leio ou sinto.
Podemos ter momentos menos bons - nunca são maus, porque nada é mau ao teu lado
-, podemos até achar que há momentos difíceis e que nos fazem chorar, mas
acredita amor: eu nunca amei
ninguém como te amo, nunca quis estar com ninguém como quero estar contigo, nem
nunca me senti tão bem com ninguém como contigo. Se, por vezes, não sei
como agir é porque sou
humana: não sou (nem posso nem quero ser) perfeita. Eu amo-te, mesmo assim,
imperfeita.
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